O PARTIDO DOS TRABALHADORES É UMA PIRÂMIDE FINANCEIRA DE FATO E ATO!!!

Pirâmide PTPor Carlos Alberto Bento da Silva – Jornalista

Já que me questionaram, aqui vai… Sim, militei no PCB, no PSTU e no PPS, partido último, por puro fisiologismo fracassado. Sou de esquerda? Sim, sou de esquerda e não escondo isso em várias postagens que faço inclusive como assessor parlamentar no PSDB, onde nunca me exigiram nada, e do qual não sou filiado. A diferença é que desde cedo percebi que o PT é uma “Pirâmide Financeira” e nada mais…

Vou tentar explicar, embora eu pretenda escrever um livro sobre este assunto. Pretensão? Não! Pretensão é ficar com a bunda colada na cadeira ou no sofá falando da vida dos outros, sem qualquer base concreta, política ou mesmo ideológica (porque não?). Então, funciona assim: Os movimentos sociais servem como massa consumidora e multiplicadora de dividendos políticos que permitem a perpetuação de dirigentes em escala de rodízios, onde alguns, pegos com a mão na cumbuca, mesmo havendo um núcleo político atuante no Congresso Nacional e nos Ministérios de estado, justamente para tentarem retardar as descobertas, mas que, acontecendo, trocam-se os peões e a roda gira. Quando algum dirigente entra em desgraça, outro certamente assumirá.

O PT luta pelo socialismo? Eu me arrisco a dizer que não. Primeiramente, Socialismo pressupõe-se “sociedade sem classes” onde os meios de produção (fabricas, agronegócios, indústrias, agricultura etc., são de uso coletivo, ou seja, pertencem ao estado, aos trabalhadores que administram coletivamente. O Sistema financeiro é estatal, a terra é propriedade do estado e o governo é dos trabalhadores, não havendo o direito de herança. Resumindo: O PT utiliza-se de discursos socialistas, em cooptação dos movimentos sociais, da hegemonia no movimento sindical e rural, tendo apoio cego e assessoria eterna da chamada base progressista (de araque e mentirosa) da Igreja Católica, mais conhecida como Teologia da Libertação, que, em sintonia com o partido, busca apenas se eternizar enquanto instituição. Esses energúmenos, bandidos, mal intencionados, de batinas, sabem perfeitamente que sua aproximação com as etnias indígenas provoca-lhes doenças e mortes, além de que, o seu papel histórico é de eliminação física do meu povo. Catequizar significa eliminar a cultura indígena e prover-lhes o modo branco de viver. Significam doenças, leis alienígenas e regras obscuras, submissão e expropriação de nossas terras históricas, berço de nosso povo. Suas ONGs estão a serviço de nossa destruição, de nossa capitulação diante da ganância do homem branco. De maneira geral a atuação da chamada Teologia da Libertação tem o papel histórico de trazer no cabresto os povos empobrecidos, dentro do marco capitalista da exploração de classe e em consonância com a “Pirâmide Financeira Petista, e justamente nesse período da história, tem mostrado mais serviço para os seus pares mafiosos.

Ah, mas eu estava esquecendo a PEC 215 (Proposta de Emenda Constitucional), que pretende transferir do Poder Executivo para o Congresso Nacional a atribuição de oficializar Terras Indígenas, Unidades de Conservação e territórios quilombolas. Quando eu escrevo e digo que a Presidente Dilma Rousseff é xenófoba, eu estou dizendo a verdade. Como húngara descendente, falta-lhe geneticamente o sentimento de brasilidade em plenitude. A mudança de atribuições do executivo para o Congresso Nacional é inconstitucional, e fere mortalmente o Artigo 231 da Constituição Federal que garante os direitos indígenas na demarcação de áreas, como prerrogativas do Presidente da República.

Mas como comentei esta necessidade estratégica do Partido dos Trabalhadores em ascender o topo da Pirâmide financeira (que inclui roubar os ativos financeiros das estatais que comanda), leva-os a acordos com setores aliados, fortemente ligados as questões latifundiárias e ambientais, tanto do próprio PT, nos projetos eleitoreiros de construção de usinas hidrelétricas em terras históricas dos povos originários, quanto aos interesses da bancada ruralista e das oligarquias.

As linhas auxiliares existentes na atuação de outros partidos em épocas de eleição, não passam de inocentes úteis dentro deste objetivo final, que é o sucesso da “Pirâmide Financeira Petista”.

Nossa atual geração se dará ao luxo histórico de assistir, sem ter forças para combater, este engodo chamado de PT, que serve como divisor entre a verdadeira esquerda e as massas populares. Você nem precisa acreditar, pois tem o livre arbítrio. E, por favor, não me apresente números sociais fantasiosos…

 Para o PT, manter-se no poder para atingir seus objetivos financeiros, significa também emprego por mais de uma década para militantes em cargos comissionados, em Ministérios de governo, no fomento de ONGs militantes do partido, que de objetivos ideológicos, não tem nada a ver com a busca de uma sociedade socialista, e que de fato e ato, são apenas máquinas burocráticas, ilegais e imorais de fazer dinheiro fácil. Trata-se na verdade de uma gang muito bem articulada que funciona com estratégias semelhantes às de algumas igrejas pentecostais, que se utilizam da miséria e da desesperança de parcelas empobrecidas da população, para enriquecimento de suas lideranças. 


Eis ai o governo xenófobo, oportunista, mafioso e impostor, sob o comando do Partido dos Trabalhadores.

 Dividir, roubar e mentir, é a máxima petista pela manutenção do poder burguês do qual este “partido amarelo” representa de forma bem dissimulada e com maestria…

Anúncios

Brasil: por que querem fechar o regime? .

Por Jorge Nogueira

Professor da rede pública. Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS

O Brasil pode mergulhar de vez no obscurantismo nos próximos dias caso a lei de terrorismo, ou a lei da “desordem” de Beltrame ou outra similar seja aprovada. Seria o ápice de um processo de recrudescimento do regime que já está em pleno andamento nos últimos anos.
 
É um equívoco creditar esse processo apenas à Copa do Mundo da FIFA, ainda que as exigências dessa entidade contribuam para o cenário mencionado. O contexto de crise econômica do capitalismo exige a ampliação das taxas de exploração para a manutenção da reprodução e acumulação do capital. E isso só pode se sustentar com o fechamento cada vez maior do regime democrático formal, o que tem ocorrido em vários países, aprofundando a crise de representação e de credibilidade da democracia burguesa.
 
A crise, obviamente, apresenta-se de formas distintas em diferentes países nos diferentes períodos. Em 2008, quando ela estoura, o Brasil se vê obrigado a mudar a sua política de priorizar o mercado externo e passar a vender no mercado inteiro. Como a renda do brasileiro é baixa o consumo passou a ser estimulado através do crédito. Mas, conforme já tinha demonstrado a experiência externa, tal medida, chamada erroneamente de anticrise, possui limites e eles estão sendo atingidos.
 
Ocorre que as classes dominantes não possuem um programa econômico alternativo. E para aprofundar o existente será preciso, como já foi dito, fechar cada vez mais o regime. Assim a triste e lamentável morte do cinegrafista da Bandeirantes, Santiago Andrade, caiu como uma luva para os planos do andar de cima. Por isso ela tem sido explorada largamente pela grande mídia, que já teve outros profissionais vitimizados fatalmente sem o mesmo destaque. Se ela não tivesse ocorrido outra desculpa seria arranjada.
 
 
O crescente recrudescimento do regime
 
Foi mencionado que o processo de endurecimento do regime no Brasil transcende a questão da Copa do Mundo da FIFA. Alguns fatos deixam isso muito claro:
 
– Em 2011, operários da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, fizeram uma grande greve denunciando as condições degradantes de trabalho. O Governo Dilma enviou a Força Nacional para reprimir os trabalhadores e avalizou a demissão de 6 mil operários, alegando que o problema era o excesso de trabalhadores no canteiro de obras. No ano seguinte os operários voltaram a reclamar das condições de trabalho, em uma nova greve, receberam o rótulo de “vândalos” e “bandidos” do Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a Força Nacional foi enviada, mais de 20 trabalhadores foram presos, dos quais 12 simplesmente desapareceram! [1]
 
– Na Usina de Belo Monte, no Pará, a repressão transcende o movimento operário. Se a Força Nacional é acionada quando estes se levantam contra as degradantes condições de trabalho (como no ano passado onde a própria FN recolheu os crachás de 450 trabalhadores que acabaram demitidos), esta também é utlizada para reprimir as comunidades indígenas, como ocorrido no ano passado. No referido episódio chegou-se a multar um jornalista por ter gravado a ação policial e a Polícia Federal foi acionada para apurar quem eram os não índios que participaram do movimento. Some-se a isso a descoberta de um espião do governo no Movimento Xingú Vivo, o tráfico de pessoas e a exploração sexual praticados ao lado do canteiro de obras e as amesças de expropriação dos pequenos agricultores. O carro da Polícia Civil do Pará com o logotipo da Norte Energia evidencia quais interesses são protegidos pelos governos na referida obra. [2]
 
– Mostrando que o modos operandi é o mesmo em todas as grandes obras do PAC, no ano passado 16 trabalhadores da Hidrelétrica Ferreira Gomes, no Amapá, foram presos após uma greve que denunciava as condições precárias de trabalho. [3]
 
– Também no ano passado foi descoberta a espionagem do movimento sindical do Porto de Suape, em Pernambuco, pela Abin, medida defendida e justificada por Gilberto Carvalho. [4]
 
– A truculenta desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, promovida pelo Governo Alckmin (PSDB) em 2012. Na mesma época, no Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz também promovia uma desocupação truculenta onde 29 pessoas foram presas. [5]
 
– No ano passado o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) publicou dados que mostravam que a média de índios assassinados nos governos de Lula e Dilma era superior ao do governo FHC. De acordo com a Funai em dez anos os governos petistas homologaram apenas 84 áreas indígenas contra 148 de FHC. No presente momento o Governo Dilma enviou o Exército para reprimir os Tupinambás, em Olivença, na Bahia, após enganá-los com a homologação das terras. A intervenção militar está amparada pela Portaria Normativa 3.461, da qual falaremos mais adiante. [6]
 
– No leilão de Libra foram mobilizados o Exército, a Marinha, a Força Nacional, a Polícia Federal, a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Guarda Municipal. Houve dura repressão aos manifestantes. [7]
 
Há outros casos mas achamos suficientes os já citados. Vejamos agora as medidas buscadas e/ou aprovadas nos últimos anos:
 
– Em julho de 2012, a Presidente Dilma aprovou o “PROTEGER”, sistema que visaria proteger os setores estratégicos do país – mais de 13.300 locais entre hidrelétricas, termelétricas, refinarias, estradas, telecomunicações, portos, aeroportos, etc. O referido sistema prevê a militarização das lutas sociais, ou seja, o uso do Exército contra os movimentos sociais e sindicais. Tal medida foi celebrada por jornalistas da grande mídia. [8]
 
– Em setembro do ano passado a Ambev e o Itaú, ambos patrocinadores da Copa, se reuniram com a Presidente Dilma, pedindo medidas contra os protestos. A partir daí o projeto de lei de terrorismo passou a andar dentro do Congresso e em janeiro o Senador Romero Jucá (PMDB) mencionou a necessidade de votar o quanto antes a matéria. [9]
 
– Há pouco tempo o Ministério da Defesa publicou a Portaria Normativa 3.461 de 19 de dezembro de 2013. O documento de 70 páginas usa o conceito de “Guerra de Massa” para justificar o uso das Forças Armadas contra os manifestantes, classificados como “Forças Oponentes”, prevê a infiltração de agentes do governo e uma estratégia para ganhar o apoio da opinião pública para a repressão:
“Por se tratar de um tipo de operação que visa a garantir ou restaurar a lei e a ordem, será de capital importância que a população deposite confiança na tropa que realizará a operação. Esta confiança é conquistada, entre outros itens, pelo estabelecimento de orientações voltadas para o respeito à população e a sua correta compreensão e execução darão segurança aos executantes, constituindo-se em um fatorpositivo para sua atuação.” [10]
 
Esse item corrobora o que fora assinalado antes: se não houvesse ocorrido a morte de Santiago outro motivo seria buscado ou produzido, isso se a própria morte do cinegrafista não foi produzida para o fechamento do regime, afinal a atuação do advogado dos suspeitos, Jonas Tadeu, é bastante estranha. [11]
 
E há forma mais eficaz de ganhar a população para reprimir manifestantes cuja pauta lhe é simpática senão tornando os mesmos diabólicos, horrendos e terroristas aos olhos do grande público?
 
 
O papel da grande mídia
 
Como se pode perceber conforme as medidas “anticrise” vão entrando em esgotamento crescem as contradições sociais, o andar de baixo se dispõe a lutar cada vez mais e o de cima reprime com mais frequência e intensidade.
 
A grande mídia não é apenas porta-voz dos interesses dominantes, ela própria é parte das classes dominantes. Por isso se opõe de forma decidida às greves, às lutas dos índios, dos sem-terras, dos sem-tetos e às manifestações de rua. Busca criminalizar todas essas lutas e caluniar os atores políticos das classes populares.
 
Quando as jornadas de junho começaram ela não vacilou em pedir pela repressão dos manifestantes. Foram atendidas, seus próprios trabalhadores foram espancados e gravemente feridos, sem que se exigisse e acompanhasse punição aos responsáveis – no caso a PM de São Paulo. [12]
 
A repressão indignou a população, que engrossou os protestos, fazendo com que jornalistas como José Datena e Arnaldo Jabor se retratassem publicamente. A grande mídia buscou então se relocalizar nos protestos tentando dizer qual seria a forma correta de ativismo sem, no entanto, deixar de manipular para criminalizar, quando era possível, como fez a Rede Globo na final da Copa das Confederações. [13]
 
A chama de junho não foi apagada até agora e as tentativas de manipulação midiática seguiram como no caso do molotov jogado por um P2 e a posterior tentativa de incriminar o ativista Bruno Ferreira Telles, durante a visita do Papa ao Rio, versão difundida pela grande mídia e desmentida pelas redes sociais. [14]
 
O ano de 2014 começou com uma série de greves, atos contra aumento das passagens, protestos que questionam a Copa do Mundo e comunidades se rebelando contra a falta de água, luz e a morte de seus jovens pela polícia. Cresce o nível de consciência da população em uma ponta e o medo dos poderosos na outra.
 
Em todos esses eventos a grande mídia busca deslegitimar de alguma forma o movimento dos de baixo. Na greve dos rodoviários de Porto Alegre, o jornalista Paulo Sant’Ana, do jornal Zero Hora-RBS-Globo, pediu pela prisão dos trabalhadores, desde o primeiro dia. O jornal Zero Hora buscou a todo o momento jogar a população contra os grevistas, o que não surtiu efeito dada a proximidade dos rodoviários com as comunidades e ao avanço no nível de consciência da população. [15]
 
A morte do cinegrafista Santiago Andrade surgiu como uma “oportunidade”, como disse O Globo, não só de tentar conter e fazer regredir esse nível de consciência mas de promover uma verdadeira caçada política e ideológica – inclusive nas universidades – com o intuito de remover os protestos. O Editorial de O Globo de 12 de fevereiro de 2014 não deixa nada a desejar ao seu Editorial de 2 de abril de 1964 que celebrou o golpe militar [16]. Assim fica completamente desmoralizada a tese do governismo de que as manifestações em curso beneficiariam a direita.
 
 
O reacionarismo governista
 
Em um momento em que a grande mídia clama abertamente pelo golpismo chama atenção o fato do governismo, que tanto gosta de chamá-la de PIG (Partido da Imprensa Golpista), guardar um silêncio no mínimo cúmplice.
 
Com algumas poucas exceções, a maior parte da blogosfera governista tem se mantido no mais absoluto imobilismo diante das absurdas calúnias difundidas pela grande mídia contra o PSOL, o PSTU e o conjunto dos manifestantes em versões frágeis criadas por um advogado suspeito.
 
Essa postura não é inocente. Assim como as classes dominantes e a grande mídia o governismo também se sente incomodado com os protestos, até porque muitos deles se dirigem aos seus próprios governos. Não foi por acaso que os senadores petistas Jorge Viana e Paulo Paim tenham se apressado a pedir pela aprovação da lei de terrorismo [17].
 
Como vimos anteriormente o recrudescimento do regime é protagonizado pelo próprio PT com repressões de movimentos sindicais e sociais e aprovação de medidas autoritárias.
 
Mas o PT não é apenas o principal fiador do atual sistema sócio-político ele é parte integrante dos que se beneficiam dele. Alguns de seus quadros se tornaram empresários, consultores e gestores de fundos de pensão. São sócios de grandes empresas nacionais e estrangeiras. Ganham com a especulação, com as privatizações e com os cortes de direitos dos trabalhadores.
 
Esses quadros integram outro setor social, com interesses não apenas distintos mas antagônicos aos do conjunto do andar de baixo. É, portanto, mais do que simples colaboração de classes. Por isso o movimento dos de baixo tem sido combatido pelo governismo tanto quanto o é pela Rede Globo e por articulistas direitistas como Reinaldo Azevedo.
 
Embora juristas apontem ser desnecessário a criação de novas leis [idem 16], a repercussão negativa da lei de terrorismo pode fazer com que as classes dominantes e a classe política elaborem e aprovem outra lei com a mesma essência. O Ministro da Justiça do Governo Dilma, José Eduardo Cardozo, andou falando em “regulamentar” as manifestações [18]. Não se pode deixar enganar pelo jogo de palavras. É muito comum se fazer uma coisa negando-a. Não se aumenta a jornada de trabalho, se cria um banco de horas. Não se acaba com as leis trabalhistas, flexibiliza-as. Não se acaba com o direito de greve, se exige 70% da força de trabalho.
 
Seja como for a tentativa de acabar com as lutas dos de baixo pode fracassar, como fracassaram manipulações anteriores, até porque com o esgotamento das medidas “anticrise” e o aprofundamento da crise capitalista, os ataques aos direitos dos de baixo serão cada vez maiores não os deixando outra alternativa que não seja se organizar e lutar. O sonho das classes dominantes de lucrar, explorar e roubar sossegadamente, às custas do andar de baixo e escudadas em uma lei de exceção [19], pode ter o efeito contrário e se transformar no seu mais terrível pesadelo.
 
 
_________________________________________________
[1] As rebeliões nas obras do PAC (27/03/2011):
Para o capital, mais benesses; para o povo, o Exército (12/08/2012):
Ministro de Dilma chama trabalhadores de vândalos e bandidos (07/04/2012):
Jirau: operários presos, torturados, humilhados e desaparecidos. Ano X, nº 91, 1ª quinzena de julho de 2012.
Operários de Jirau presos e torturados no Presídio Urso Branco, sem atendimento médico e correndo risco de morte (16/05/2012):
Greves operárias nos canteiros das usinas do Pac no Rio Madeira, Pecém, Suape e São Domingos. Ano IX, nº 76, abril de 2011.
[2] Brasil: aumenta o entreguismo e a repressão (12/05/2013):
Belo Monte: Movimento Xingu Vivo sofre espionagem (25/02/2013):
Operário torturado em Jirau, de novo preso e sujeito a julgamento (25/01/2013):
[3] Liberdade para os operários do PAC presos no Amapá! (12/02/2013):
[4] Carvalho: Abin monitorou Suape por razões econômicas (10/04/2013):
[5] Desocupação no DF mostra que PT não se diferencia do PSDB (12/02/2012):
[6] “Somente no Governo Lula 452 índios foram assassinados. No Governo Dilma foram 108 até o momento. Juntando as duas gestões petistas tem-se uma média de 56 índios mortos por ano contra 20,8 de FHC. Um aumento de 269%!” (Um recorde macabro.09/06/2013):
O Exército Brasileiro em Território Tupinambá de Olivença – O uso sistemático do terror para oprimir ou impor a vontade (14/02/2014):
[7] Leilão de Libra: entreguismo, mentiras, repressão e contradições (29/10/2013):
[8] Para o capital, mais benesses; para o povo, o Exército (12/08/2012):
[9] Temendo protestos na Copa, patrocinadores já apelam a Dilma (26/09/2013):
Congresso aprova projeto de lei que tipifica crime de terrorismo no Brasil (27/11/2013):
Nós temos que ter prioridade com esta questão. Não podemos ficar em descoberto, sem ter uma punição dura e forte contra qualquer ação terrorista e, portanto, é importante que essa lei possa ser votada rapidamente” (Romero Jucá. Congresso pode aprovar até março lei que define crime de terrorismo. 06/01/2014):
[10] Dilma se rende à Lei e Ordem: a ditadura da burguesia mostra a sua cara (22/01/2014):
[11] O Jogo dos “7 erros” do advogado do chefe da milícia (15/02/2014):
[12] O povo pede passagem (17/06/2014):
[13] Manipulação Global (04/07/2013):
[14] “A violência que ocorre contra as manifestações é também semeada pela mídia. Quem se lembra, por exemplo, quando em julho de 2013, por ocasião da visita do papa ao Rio de Janeiro, a Rede Globo de Televisão editou imagens e acusou, de modo leviano e irresponsável, o ativista Bruno Ferreira Telles de ter atirado um “coquetel molotov” contra a polícia? Em seguida, no entanto, foram levantados fatos e convincentes indícios, por iniciativa exclusiva dos demais manifestantes, de que: a) o artefato havia sido atirado por um policial infiltrado (P2), fato jamais esclarecido pelo Estado ou pela referida rede de televisão; b) que toda a edição de imagens da Rede Globo era falsa, quando não abertamente mentirosa e, por isso mesmo, criminosa; c) que as acusações faziam parte de uma estratégia da empresa de comunicação em parceria com o governo do Estado para criminalizar e desacreditar o movimento. Mais ainda: quem se lembra da atuação do Promotor Público em entrevista à referida emissora, condenando sem provas e totalmente fora de seu campo de atuação um manifestante por “tentativa de homicídio”? Ainda aguardamos os pedidos de desculpas da emissora da família Marinho e do agente público em questão pela exploração leviana e vil desses episódios.” (Nota Pública Sobre os Acontecimentos na Central do Brasil. Publicado em 15/02/2014 no Centro de Mídia Independente):
[15] Greve dos Rodoviários de Porto Alegre: uma autêntica rebelião de base (02/02/2014):
[16] As revelações de um editorial (15/02/2014):
[17] “O senador Paulo Paim (PT-RS) também defendeu a aprovação rápida do projeto. Ele tinha apresentado um requerimento solicitando que a matéria fosse analisada na Comissão de Direitos Humanos do Senado, o que atrasaria a análise em plenário, mas decidiu retirar o pedido. “Em vez de nós debatermos lá na Comissão de Direitos Humanos, eu renuncio ao meu requerimento e nós votamos a matéria aqui, em um amplo debate, de forma tal que aqueles que cometem crimes – e esse é o fato real de um crime – possam ser punidos com o rigor da lei, exemplarmente”, disse o senador.” (Senadores querem aprovação de lei antiterrorismo depois da morte de cinegrafista.11/02/2014):
[18] José Eduardo Cardozo: “Chega. É hora de dar um basta” (15/02/2014):
[19] EMPRESAS REDOBRAM PRESSÃO POR SEGURANÇA. Patrocinadoras estreitam contatos com secretarias de segurança pública e pressionam governo federal (10/02/2014):

Governo suspende demarcação de terras indígenas no sul

Povos originários do Brasil

Então…
Numa linguagem popular ou mesmo coloquial, eu diria: O Governo Petista “xenófobo” de Dilma “essência búlgara” Rousseff continua com a sua “safadeza” em relação a questão indígena…
Trata-se na verdade de um olhar xenófobo e ideológico contra os povos originários do Brasil, como bem coloca a professora e jornalista Elaine Tavares, neste texto abaixo transcrito.
Ficar adiando por tempo indefinido uma solução para a questão indígena, é na verdade uma punição com o objetivo único e desumano de eternizar o sofrimento porque passam milhares de seres humanos, apenas por serem índios…
Eu não tenho a paciência acadêmica da professora e jornalista (UFSC) Elaine Tavares, que por sinal a conheço pessoalmente desde o final dos anos 80-90 quando eu ainda militava no movimento dos Sem Teto da grande Florianópolis. Muitos companheiros já disseram: Esse bugre ai é radical e não usa meia palavras, ele tem de ser mais educado e blá blá blá. Bem, eu pergunto: Porqueʔ 
Em minha opinião a passividade das lideranças indígenas que, infelizmente sofrem a influência nefasta, política e cultural da Teologia da mentira, permite que as nações indígenas sejam manipulados ao bel prazer das políticas sujas que envolvem interesses partidários eleitorais do PT e da Igreja católica, que também em conluio com o agronegócio geram ações de desmonte das culturas indígenas para a tomada total dos territórios seculares, ou seja, é o papel da igreja católica, que através de seu braço político “progressista” (Teologia da mentira), finge ajudar os indígenas, quando na verdade exerce o papel de domesticadora para facilitar a rendição total dos povos originários…
Mais do que nunca, e menos que papo furado, os índios precisam se organizar em comunidades de autodefesa para conseguirem avançar na luta pela manutenção das poucas áreas que possuem e para a re-conquista dos seus territórios históricos que foram roubados pelos invasores cara pálida, até porque, não dá para esperar a boa vontade daqueles que simplesmente ignoram a existência das nações indígenas, enquanto brasileiros natos…
 
“Xenofobia” Esse é o sentido maior da politica governamental de exterminio das populações indígenas do Brasil.
Xamã Kaiowá
Por Elaine Tavares

Áreas indígenas já definidas e prontas para serem demarcadas  na região do Rio Grande do Sul e Santa Catarina tiveram sua legalização suspensa pelo governo de Dilma Roussef. Rapidamente a presidente rendeu-se aos argumentos dos agricultores. que realizaram um protesto ontem (06 de novembro), fechando estradas no sul e exigindo do governo a suspensão do processo. Nunca um protesto foi tão efetivo em tão pouco tempo. Segundo Dilma, novos estudos serão feitos nas áreas. Com isso, ela pretende aliviar o clima de tensão que existe hoje no sul. Aliviar para quem? Essa seria a pergunta crucial!
 
Na queda de braço entre proprietários de terra e indígenas, raramente os indígenas saem vencedores. Roubados de suas terras desde a invasão em 1500, sistematicamente os povos originários foram sendo atacados, dizimados e humilhados. Na região sul do Brasil, boa parte dos povos autóctones que viviam no litoral se deslocaram para o interior, juntando-se a outras etnias que ali já viviam, como os kaigang e os xokleng. Já no século 18, com a abertura de caminhos para a passagem das tropas que iam e vinham de São Paulo ao Rio Grande, então Província de São Pedro, os indígenas enfrentavam os brancos em batalhas fortuitas. Mas, foi só no século XIX, com o processo de migração de famílias europeias, que todos esses grupos começaram a enfrentar com mais frequência a captura, assassinato e consequente tomada das terras.  No caso da região que hoje configura o oeste de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, essa nunca foi uma terra sem gente, daí a necessidade de uma política de extermínio por parte do governo. Tudo isso foi levado a cabo. Os chamados “bugres” eram caçados como bichos e os que não aceitavam a “civilização” eram mortos.
 
Os poucos que sobraram foram sendo confinados em aldeias, onde permanecem até hoje, tutelados e tratados como seres de segunda categoria. Considerados naquele então um obstáculo para o “crescimento econômico” do estado e do país, eles passaram de legítimos donos das planuras a quase mendigos. Com o passar do tempo, esses indígenas que resistiram ao massacre foram sendo esquecidos. Cada imigrante que chegou para “desbravar” o interior foi cercando a área onde fincou raízes e as terras começaram a ser tituladas. O que era campo de liberdade para os originários passou para a “propriedade” de alguns.
 
Esse deve ser o caso das mais de 30 mil famílias – segundo Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Sul) – que vivem em terras já definidas como indígenas no Rio Grande do Sul e das outras 300 famílias que ocupam área indígena em Santa Catarina. Possivelmente todas essas famílias que hoje vivem na área que foi delimitada como “terra indígena” compraram suas propriedade de boa fé, têm escritura e tudo mais. Só que os indígenas também reivindicam esse território desde a invasão. Logo, se for aplicada a Justiça, não pode haver dúvidas de que quem ocupava o território primeiro eram os povos originários.
 
O debate que as entidades que representam os agricultores fazem é que a maioria dessa gente é pequeno produtor e não sabe fazer outra coisa na vida que não seja plantar. Sem as terras, eles morrem. O argumento é forte, mas se for aplicado aos indígenas, também deveria ter a mesma força. As famílias originárias que hoje reivindicam a área passaram gerações e gerações sofrendo o assassinato, a fome, a miséria, o medo, o terror. Da mesma forma que as famílias – hoje novas proprietárias – também nada mais gostariam de fazer na vida do que viver em paz na sua terra, onde possam plantar e cuidar dos filhos. Qual a diferença, então, entre os dramas?
 
As áreas no Rio Grande e Santa Catarina já foram vistoriadas e passaram por um longo processo de estudos e burocracias. Está mais do que provado de que são terra originária, portanto é de direito que sejam devolvidas aos indígenas. Mas, agora, o governo diz que vai fazer novos estudos. Paz para os agricultores, mais dor para os índios.
 
O fato é que com a demarcação as famílias que compraram as terras, muitas delas com registro desde o ano de 1919, não ficariam desamparadas. Todo o processo de demarcação garante indenização àqueles que, de boa fé, compraram terras indígenas. É certo que a situação causa sofrimento a quem construiu toda uma vida num lugar. Esse é o drama da maioria das famílias de agricultores que, com a decisão, precisariam mudar de lugar e até de cidade. São dramas humanos que não podem ser diminuídos. Mas, humano por humano, os indígenas também vivem mergulhados no drama. E, diferentemente das famílias que puderam viver em paz, plantando e comerciando seus produtos por anos e anos, os indígenas tiveram de passar todo esse tempo em aldeias mal arranjadas, muitas vezes passando fome e sem poder garantir de maneira autônoma sua existência.
 
Conforme reportagem produzida por Ibiapaba Netto, em 2008, na revista Planeta (http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/reportagens/indios-x-agricultores-campo-minado-em-santa-catarina), a história da compra dessas terras segue a rota do roubo perpetrado pelo próprio estado ao longo do processo de colonização. Segundo ele, as vendas das terras, na parte catarinense, foram feitas pela Companhia Territorial Sul Brasil, que era um braço privado dentro do estado. Era a empresa que fazia as vendas para os imigrantes que chegavam da Europa acreditando entrar numa terra vazia. Daí que a lógica seria garantir às famílias, hoje proprietárias, uma indenização que cobrisse todo o patrimônio e não apenas as benfeitorias. Afinal, a maioria dessa gente foi enganada pelo próprio estado. Sendo assim, a batalha que hoje está sendo travada entre os índios e os agricultores tem vítimas dos dois lados.
 
O governo, que deveria assumir a responsabilidade por todo esse imbróglio criado há séculos, acaba por fomentar ainda mais a separação dos dois grupos que se enfrentam como inimigos. E, agora, com a suspensão da demarcação, bota ainda mais lenha na fogueira. Se diminui a tensão entre os agricultores, aumenta no lado indígena. Talvez aposte na fragilidade dos originários que, comparados aos atuais donos das terras, seguem em absoluta desvantagem, seja no campo jurídico, na correlação de forças e no imaginário coletivo.
 
Desde o início do processo de luta por demarcação das terras originárias, todos os dias, as emissoras de televisão regionais e estaduais disseminam o ódio aos índios. Em quase todas as notícias relacionadas com o tema, os indígenas aparecem como os “invasores”, os “vagabundos”, os que querem “impedir o progresso”, os “selvagens” que não precisam de terras porque não trabalham. Esse estereótipo do índio está consolidado no imaginário popular e segue sendo fortalecido pelas usinas ideológicas que são os meios de comunicação. Daí ser tão difícil fazer o debate sobre o tema de forma tranquila. Criou-se na maioria da população, que é não-índia, a ideia de que os índios não precisam dessas terras, que deveriam se contentar com suas reservas e as cestas básicas dadas pelo governo. É, na verdade, a continuidade, a perpetuação da ideia primeira dos portugueses e espanhóis que aqui chegaram e passaram por cima das milhares de criaturas que eles acreditavam não ter alma por não falarem sua língua nem viverem da mesma maneira que os europeus. Toda a cultura indígena foi ignorada, bem como a própria humanidade de cada um dos primeiros moradores dessas terras. Aparentemente, apesar das atitudes caridosas eventuais, é o que boa parte da população segue pensando com relação aos índios. São nada, coisas descartáveis, gente não-produtiva, atrapalhos à nação.
 
No oeste de Santa Catarina essa é a realidade que os xinguara e os kaigang vivem desde há séculos. Hoje, muitos deles vagueiam sem rumo pela região, trabalhando de boia-fria, enquanto outros se submetem a humilhação das reservas que não oferecem muita condição de vida digna. Mas, ao que parece, poucos estão interessados nessa realidade. A mídia regional, bem como as forças políticas aliadas ao poder dominante insistem em tornar mais “triste” o destino daqueles que perderão suas terras para entregá-las ao que nominam como “meia dúzia de índios”.
 
Ora, como fazer uma competição para saber qual sofrimento é maior? Haveria ganhadores?  Aquele que sofre entende sua dor como a maior do mundo. Não é o caso de fazer concorrência. O fato é que existe uma dívida histórica do estado com relação aos povos indígenas e também com as famílias de agricultores. E o estado deveria fazer tudo para sanar essa dívida sem fazer chantagem com os mais fracos, sem fomentar o preconceito.
 
Também é importante ressaltar que, na maioria dos casos envolvendo demarcação,  os “opositores” não são os pequenos produtores de boa-fé. Mesmo no Rio Grande e em Santa Catarina, muito do que comanda a “luta” anti-demarcação é ação dos grandes fazendeiros e do setor de especulação sobre a terra. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, os indígenas precisam enfrentar a sanha de jagunços a soldo dos latifundiários, que matam, violentam e ameaçam as famílias de índios que vivem nas beiras de estradas. E como se isso não bastasse, ainda enfrentam a Justiça, que está sempre do lado dos fazendeiros, e as ameaças de uso da Força Nacional para a realização dos despejos de áreas ocupadas pelos indígenas. Porque índio quando está quieto é queridinho, mas se ousa levantar-se em luta passa a ser só mais “terrorista, baderneiro” como qualquer outro militante social. Sobre esses dramas a mídia comercial não fala. Sobre essas ações violentas, assassinatos e jagunçagem, nenhuma linha nos jornais. E é assim que vai se formando a opinião pública contra as demarcações. Porque no mundo capitalista não dúvidas de alguns são sempre mais iguais que outros. E assim, a dor! …
 
A única saída possível é a indenização justa a quem comprou terra de boa-fé e a urgente demarcação das terras indígenas para que essa gente que anda vagando pelos caminhos desde o fatídico 1500 encontre finalmente morada e possa viver sua vida em paz.

 

Diante do distracionismo e da confusão política: Debater um programa revolucionário para a ação direta do movimento de massas

Editorial da Liga Bolchevique Internacionalista

Atravessamos um momento de “esfriamento” das mobilizações populares que sacudiram o país em junho.
Os atomizados protestos ainda em curso agora ganham um caráter de reivindicações corporativas, em uma espécie de “ressaca” das multitudinárias marchas que tomaram conta das ruas no mês passado.
Aos poucos o “gigante” vai adormecendo novamente e os noticiários na TV, que antes “cobriam” as manifestações para impor uma pauta direitista aos protestos, agora tratam das disputas interburguesas no marco do natimorto plebiscito proposto pelo governo Dilma.
Longe do clima de “rebelião popular” permanente que a esquerda revisionista sonhava, vemos o conjunto do establischment político lentamente costurando o retorno a “normalidade” da ordem burguesa.
Para alguns há a expectativa que este quadro possa ser alterado como o “dia nacional de luta” marcado para 11 de julho.
Desde a LBI afirmamos que se trata justamente do contrário!
Longe de ser um ponto de ponto de apoio para retomar as manifestações a fim de aprofundar a crise do regime político burguês, o arremedo de “greve geral” convocado pela burocracia sindical de “direita” e “esquerda” (CUT, CTB e Conlutas) visa justamente descomprimir a “puteza” de suas bases e seguir no calendário “ordinário” das campanhas salariais economicistas, “ordeiras e pacíficas” e sem nenhum caráter político neste segundo semestre.
O distracionismo fomentado pela frente popular em torno da farsa do plebiscito e a própria confusão política que marcou os rumos das mobilizações, carentes de uma direção classista e um programa revolucionário, deixaram neste momento um tremendo vazio político na honesta vanguarda militante, já que a resolução das verdadeiras demandas populares presentes nos protestos obviamente estão pendentes.
Frente a esta realidade, os marxistas leninistas compreendem que é necessário debater pacientemente um programa transitório revolucionário para a ação direta do movimento de massas, já que se encontra bastante vivo entre os trabalhadores e o povo pobre o sentimento de que é possível aprofundar o esgotamento do atual regime político através de sua luta direta nas ruas, fábricas, nas escolas e no campo.
Neste sentido, como passo inicial deste processo, apresentamos alguns temas candentes que compreendemos fundamentais para esta discussão, que longe de um caráter diletante, deve estar voltada para a intervenção dos ativistas classistas, militantes revolucionários e para o conjunto do movimento de massas no próximo período.

Em primeiro lugar, o movimento operário deve dotar seu combate de classe de um caráter internacional e levantar eixo político a luta contra o imperialismo e a recolonização nacional.
O quadro de submissão do Brasil ao imperialismo está presente em todos os campos da vida nacional, na economia, política e na cultura.
As metrópoles imperialistas, tendo a frente os EUA e a União Europeia, através de seus governos e das grandes corporações impõe a divisão internacional do trabalho, reservando ao Brasil o papel de semicolônia, exportadora de commodities agrominerais, ao mesmo tempo em que desovam seus produtos manufaturados no país, via nosso enorme mercado consumidor.
Este controle impossibilita qualquer traço de soberania nacional e independência política, já que a burguesia nativa é sócia menor do imperialismo.
Frente a esta realidade é preciso romper o verdadeiro “pacto colonial” que atrasa o desenvolvimento nacional, com os trabalhadores sendo vanguarda deste processo defendendo a expropriação das grandes empresas transnacionais sob o controle operário, o fim da remessa dos lucros para as matrizes centrais e o não pagamento da dívida interna e externa.
Ao mesmo tempo, o imperialismo tem aprofundado sua ofensiva política e militar contra países não alinhados diretamente com a Casa Branca e a UE, como vimos na agressão da OTAN à Líbia.
O combate a esta sanha passa por estabelecer uma frente única com as nações atrasadas, governos e forças políticas atacadas pelo imperialismo e seus agentes internos e externos.
No Brasil, o governo da centro-esquerda burguesa comandado pelo PT, é completamente incapaz de enfrentar as investidas do imperialismo, como vimos recentemente com sua conduta vergonhosa frente ao “sequestro” do presidente boliviano Evo Morales ou diante do episódio da espionagem da CIA no Brasil.
Portanto, a tarefa do combate anti-imperialista esta nas mãos da classe operária e seus aliados, o campesinato pobre e a juventude plebeia, que precisa no calor da luta tiras as lições programáticas para superar a política da frente popular, refém da covarde burguesia nativa.

Como parte desta cadeia de submissão do país aos interesses dos grandes monopólios capitalistas, o capital financeiro parasita a economia nacional.
Os rentistas sempre pressionam por taxas de juros (SELIC) para manterem suas gigantes margens de valorização do capital e a especulação nas bolsas de valores.
Neste marco, o governo da Frente Popular vem atuando como legítimo representante do capital financeiro e do agronegócio não tomando nenhuma medida efetiva no combate à especulação cambial, ao contrário, caminha na direção oposta entregando o patrimônio nacional do país nas mãos dos grandes trustes imperialistas.
A gerência do PT, pela sua própria natureza de classe, é incapaz de interromper a desnacionalização de nossa economia e adotar medidas elementares em defesa de nossa moeda, como o controle cambial e de remessa de lucros, assim como a estatização do sistema financeiro nacional, com um banco estatal único controlado pelos trabalhadores.
Somente a classe operária e suas organizações políticas revolucionárias são capazes de realizar as tarefas democrático-burguesas pendentes, em plena etapa de decadência capitalista mundial.
Os rentistas internacionais tem se aproveitado da crise política atual forçando uma sobrealta do Dólar no Brasil, atingindo o mesmo patamar alcançado na crise mundial de 2009, em pleno crash financeiro mundial.
Vale ressaltar que a “gordura” de mais de trezentos bilhões de dólares em reservas do Tesouro é uma das principais ancoras da estabilidade econômica brasileira, o maior símbolo financeiro dos governos da Frente Popular, que permitiu a enorme expansão de crédito no país.
Atacar esta “fortaleza” do Brasil significa uma aposta dos rentistas internacionais na instabilidade política e crise econômica, gerando uma pressão inflacionária artificial às vésperas das eleições gerais de 2014 e no meio de uma conjuntura altamente explosiva.
Um país realmente soberano deve sim ter uma política de controle de divisas, estabelecendo as chamadas bandas cambiais com um piso e um teto pré-estabelecido pela autoridade do BC.
Somado a estas medidas o governo deveria confiscar todos os ativos financeiros dos agiotas do mercado que lucram fortunas “apostando” na quebra do país, através do superendividamento mobiliário.
Somente através da completa estatização da banca será possível induzir o país a uma política soberana de desenvolvimento econômico.
Mas este submisso governo do PT sequer elabora um projeto “nacional” de crescimento capitalista (como China e Rússia), seguindo a cartilha do neomonetarismo imposta por Washington.
O resultado concreto é o atraso e reprodução das velhas estruturas semicoloniais, que no máximo permitem uma evolução anual média do PIB na ordem de 3%, “pibinho”.
Por sua vez, ao contrário do que afirma a esquerda reformista, a redução dos juros nunca foi uma bandeira da classe operária, que por sinal sempre perde na adoção das políticas de redução das taxas de remuneração financeira, seja em seu FGTS ou em sua pequena caderneta de poupança.
Outra questão completamente distinta é fazer coro em bloco com os rentistas pela elevação dos juros.
Os marxistas revolucionários devem manter completa independência política da burguesia industrial em sua cruzada pelos juros baixos concedido às grandes empresas.
Os trabalhadores devem sim exigir uma política estatal de juros negativos, subsidiados pelo caixa do Tesouro Nacional, para os pequenos produtores e comerciantes, conectando esta reivindicação à luta direta pela estatização do sistema financeiro, sem nenhuma indenização aos rentistas e parasitas do mercado de capitais.
Somente com esta plataforma transicional o proletariado manterá sua autonomia de classe diante do cabo de guerra entre a burguesia financeira e industrial, uma disputa patronal onde sempre sai perdendo, independente da ala capitalista vitoriosa.

Aliada dos rentistas e do poder estatal, a mídia “murdochiana” é uma peça chave para impor os interesses do capital financeiro, dos industriais e da grande burguesia.
O PIG, tendo a frente à Rede Globo, representa o “quarto poder” da República.
Na verdade, a relação promíscua entre os grandes grupos de comunicação e o Estado burguês vai bem mais além das aparências.
A mídia capitalista funciona como um verdadeiro aparelho ideológico do Estado, independente da coloração política do governo (gerente) de plantão.
Em uma etapa histórica onde a ausência de referências socialistas, que foi agravada com a destruição contrarrevolucionária da União Soviética, a formação de uma “opinião pública” alienada e banal pela mídia capitalista passou a ser sua função estratégica para sedimentar a dominação de classe.
A “informação” dada pela grande imprensa, longe de ser imparcial, não passa de um cardápio ideológico burguês, preparado segundo as “melhores” receitas da elite mais reacionária, como vimos nas coberturas da TV durante os protestos.
Não por acaso, a mídia burguesa acusou os setores mais radicalizados nas manifestações de serem “vândalos e baderneiros” aplaudindo o pacifismo domesticado que tanto lhe agrada.
Por esta razão, o movimento de massas deve levantar a bandeira do fim do monopólio capitalista dos meios de comunicação.
É impossível existir uma “mídia independente” dos grandes monopólios dos meios de comunicação, sem a ruptura revolucionária das massas com o Estado burguês e a expropriação dos meios de comunicação capitalistas, que manipulam a população segundo seus interesses de classe, como fazem corriqueiramente a revista Veja e a Rede Globo, assim como os aliados da frente popular, a exemplo da Rede Record ou do SBT.
A defesa do marco regulatório como a via para a “democratização das mídias” (jornal, revista, TV e internet) não passa de uma burla na medida em que visa um acordo político e econômico com o grande capital que controla o setor, reservando uma parcela do orçamento estatal para beneficiar os grupos jornalistas burgueses minoritários e as chamadas “mídias alternativas”, como os blogs “chapa branca”, que apoiam incondicionalmente o governo da frente popular.
Distribuindo verbas federais a seus novos aliados na mídia e ao mesmo tempo mantendo intocáveis os “velhos” grupos de comunicação, o PT pretende fazer “média” com sua base social vendendo o conto que está estimulando a “concorrência em nome da democracia”, quando na verdade apenas está investindo pesado em complexos burgueses de comunicação “alternativos” à mídia demo-tucana com o objetivo de melhor preservar seu governo de colaboração de classes para manter a estabilidade do regime da democracia dos ricos e seus esquemas de corrupção.
A campanha a favor de uma tímida regulação da grande mídia burguesa serve apenas como uma medida preventiva contra novas investidas da “Veja”, Época”, “Folha”, “Estadão” ao governo petista e seus aliados.
Esse fato demonstra que o PT e o governo da frente popular pela sua natureza de classe é completamente refém da mídia capitalista, sendo incapaz de tomar qualquer medida consequente contra esta e seus “barões”.
A única forma de ter uma mídia comprometida com os interesses dos trabalhadores e do povo pobre é lutando pela liquidação do próprio Estado burguês, que através da grande mídia aliena as massas para manter a exploração capitalista e a hegemonia do imperialismo sobre os povos do planeta.
A vanguarda classista do proletariado deve se armar de um programa revolucionário que contemple o combate radical aos monopólios capitalistas de comunicação e denunciar a manipulação das “redes sociais” pelo imperialismo, como o Facebook, controlado pela CIA.

Em momentos de crise, os capitalistas jogam sobre os ombros dos trabalhadores o ônus da crise para manter seus superlucros e a exploração patronais.
Uma das medidas mais comuns é a demissão, acompanhada com o aumento da produtividade e o ataque aos direitos trabalhistas, explorando ainda mais os trabalhadores.
Vimos recentemente às demissões na GM e o projeto do Acordo Coletivo Específico (ACE) para retirar direitos.
O movimento operário deve aproveitar a onda de protestos em curso e as campanhas salariais do segundo semestre para desenvolver uma verdadeira campanha contra o desemprego, pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e sem banco de horas.
Para barrar os ataques do governo Dilma e dos patrões a fim de flexibilizar direitos trabalhistas é necessário à construção de um plano de lutas unitário que aponte para um programa operário e anticapitalista: salário-mínimo vital, aumento geral dos salários, contra as demissões e o arrocho salarial, ocupação das empresas que demitirem em massa ou falirem, exigindo a sua estatização sob controle dos trabalhadores; pelo controle operário da produção, repartição das horas trabalhadas com os operários desempregados, através da redução da jornada de trabalho sem redução salarial, utilizando a escala móvel de salários; Fim dos selvagens ritmos de produção, pela formação de comitês de fábrica que estabeleçam tetos de produtividade para absorver a mão de obra desempregada; Formar comitês de trabalhadores demitidos, sustentados financeiramente pelos sindicatos, até que possam impor a efetivação da repartição das horas de trabalho, Reposição das perdas salariais.
Estas reivindicações servem de base para a convocação de uma verdadeira Greve Geral, que inicialmente pode paralisar a produção nacional, os bancos, serviços e o transporte por 48hs, superando assim os limites do dia nacional de “luta” marcado pela burocracia sindical para este dia 11 de julho.

No campo, onde os sem-terra, assalariados agrícolas e camponeses pobres são explorados pelos latifundiários e as agroindústrias faz-se necessário defender a Revolução Agrária, com a expropriação do latifúndio produtivo e do agronegócio, sob o controle dos trabalhadores.
É preciso apoiar vigorosamente as mobilizações e lutas dos sem-terra, mas para que sejamos realmente vitoriosos, para que conquistemos um país livre do jugo imperialista, onde os interesses do proletariado e do campesinato pobre se transformem em poder político, onde as massas tenham emprego e plenas condições de vida é necessário não “mudar o modelo econômico” de neoliberal para nacional-desenvolvimentista como prega a direção do MST, mas expropriar a burguesia e seus aliados, através do levante revolucionário das massas da cidade e do campo.
O MST propõe suspender a dívida externa e controlar o capital especulativo, barrar as privatizações das empresas estatais estratégicas, eliminar os incentivos fiscais às grandes empresas e confiscar o ganho dos especuladores para, com esses recursos, “implementar um programa de investimentos, no apoio à pequena e média empresa, na construção de casas populares, na reforma agrária, no apoio à produção agrícola familiar, na garantia de escolas e atendimento de saúde para gerar empregos e criar um mercado interno de massas” (MST – Um projeto popular para o Brasil).
Todas essas medidas são justas, mas extremamente limitadas, e acabam por patrocinar a ilusão de que é possível um país atrasado e subordinado à opressão imperialista, como o Brasil, construir uma alternativa à recolonização nos marcos de um capitalismo nacional, soberano, fortalecido com “um mercado interno de massas”.
Essa é uma utopia reacionária que já levou os trabalhadores a inúmeras derrotas na América Latina!
Um real programa operário e camponês deve defender, para tirar as massas da miséria: a reforma agrária com o confisco do latifúndio produtivo para dar terra aos camponeses pobres; todo apoio às ocupações, a nacionalização da terra; garantir terra aos sem-terra e posseiros bem como a propriedade dos pequenos produtores; desconhecimento de todos os títulos dos agiotas financeiros, com a expropriação das fábricas, terras e bancos sob o controle operário.
A resposta proletária à questão da terra é a expropriação geral e revolucionária dos latifundiários sem indenização, através de milícias camponesas, garantindo terra aos sem-terra e posseiros, bem como a propriedade dos pequenos proprietários rurais, assegurando-lhes assistência técnica, crédito subsidiado ou negativo e a comercialização da produção.
Esse programa somente poderá ser aplicado rompendo com a democracia capitalista e suas instituições (parlamento, justiça), levando a cabo essas medidas através de organismos de poder e organização dos trabalhadores da cidade e do campo, em uma autêntica democracia de conselhos de operários e camponeses.
Por outro lado, para defender-se das chacinas da PM e dos ataques dos jagunços e do braço armado do latifúndio é necessário construir comitês de autodefesa.
A reivindicação histórica de reforma agrária defendida para garantir terra aos sem-terra é uma reivindicação justa, porque consagra o acesso à propriedade aos trabalhadores, historicamente excluídos pela burguesia e pelo latifúndio de terem um pedaço de terra para manter suas famílias e garantir suas mais elementares condições de vida.
Apesar da classe operária se colocar pela abolição completa da propriedade privada, ela apoia integralmente a reivindicação dos camponeses pobres por terra contra a classe capitalista latifundiária, que também é sua inimiga histórica, estimulando a sua associação em cooperativas ou a incorporação em fazendas coletivas estatais.
No Brasil, além da reforma agrária radical com expropriação do latifúndio está colocada na ordem do dia a tarefa da revolução agrária no campo.
Isto porque as terras que antes eram pertencentes tanto aos latifundiários como aos camponeses pobres foi passando para as mãos da burguesia financeira, dos bancos, dos industriais, dos grandes comerciantes e da burguesia agrária, apesar da maior parte do território nacional ainda estar nas mãos do latifúndio.
Onde há o desenvolvimento capitalista da agricultura no campo, a tarefa revolucionária dos camponeses pobres e do proletariado rural é expropriar as grandes empresas agroindustriais, sem indenização, convertendo-as em propriedade coletiva sob a direção dos trabalhadores e não repartindo as terras em pequenas propriedades, o que acabaria com sua alta produtividade.

Já nas grandes cidades, a ausência de moradia popular e a alta dos aluguéis são questões explosivas e que afligem a ampla maioria do povo.
O programa “Minha Casa-Minha Vida”, que subsidia o financiamento de imóveis fomentando a construção por empresários do ramo da construção civil, acabou por provocar o aumento do preço dos imóveis e alugueis na medida em que houve uma drástica especulação imobiliária em torno dos valores dos terrenos.
Frente a isso, temos vistos inúmeros despejos de favelas em áreas que os capitalistas consideram valorizadas assim como em ocupações históricas, como o Pinheirinho.
Não por acaso, milhares de sem-teto tomaram as ruas durante as mobilizações, bloquearam estradas e exigiram condições dignas de moradia.
Frente a esta realidade dramática é necessário uma profunda Reforma Urbana com a expropriação dos prédios ociosos e dos condomínios de luxo para contemplar a moradia popular gratuita, exigido o fim da especulação imobiliária e um programa de construção e financiamento de casas populares com juros negativos subsidiados pelo governo.
Outras demandas populares, como o direito a Saúde, Educação e Transporte ganharam muito relevo entre as manifestações.
Para conquistá-las faz-se necessário unificar estas reivindicações em torno da luta direta dos trabalhadores e da juventude explorada em um combate unitário pela estatização destes setores, o que significa lutar pela sua completa estatização, pela reversão das privatizações já realizadas e o desmantelamento das máfias capitalistas que os controlam, como um passo fundamental para garantir que estes serviços sejam públicos, gratuitos e de qualidade.

O programa transitório de luta que apresentamos como um esboço inicial a ser discutido nas assembleias de base e nos fóruns do movimento de massas não pode deixar de enfrentar uma questão que ficou evidente durante as manifestações: o combate à repressão estatal aos protestos.
Durante as manifestações as PMs estaduais e a Força Nacional de Segurança do governo Dilma atacaram violentamente as marchas, infiltraram policiais à paisana e chegaram a fazer ações coordenadas com grupos fascistas.
Por sua vez, a PM reprimiu as comunidades e favelas que se mobilizaram durante as passeatas, como vimos no complexo da Maré no Rio de Janeiro.
No campo ocorre o mesmo, assim como na repressão aos trabalhadores sem-teto que bloquearam as estradas.
Muitos setores do movimento de massas discutem como derrotar a repressão estatal, mas esbarram no pacifismo pequeno-burguês imposto pelas direções sindicais e apoiado pela mídia sob o eixo de “Não Violência”.
A tarefa de derrotar a PM assassina e a Força Nacional de Segurança está mãos da classe trabalhadora e do povo pobre.
Este não pode continuar indefeso contra a violência organizada do Estado capitalista e seus bandos mafiosos.
Precisa dar um basta a estas chacinas, organizar comitês de autodefesa pela expulsão do aparato repressivo das favelas, contra a repressão as ocupações de terra e aos protestos populares.
Devemos ter claro que a PM é um destacamento especial de homens cujos instrumentos de trabalho são as armas para defender a burguesia e a propriedade privada.
Nesse sentido o movimento operário deve ser contra o apoio às reacionárias greves policiais, defendemos um programa de reivindicações transitórias destinadas aos soldados e cabos, a fim de que rompam com a hierarquia militar subordinando-se a uma clara estratégia de destruição revolucionária do aparato repressivo do Estado burguês (difusão de imprensa política nos quartéis, direito a sindicalização, formação de sindicatos vermelhos, etc.).
Devemos nos postar pela destruição das polícias como parte de um programa revolucionário que, através da unidade com os trabalhadores da cidade e do campo, exproprie a burguesia para que sobre os escombros desse Estado burguês corrupto e assassino se construa um poder de novo tipo, capaz de erguer um modo de produção social que garanta condições dignas de vida para o conjunto dos que trabalham e não que sirva para acumular capital a fim de engordar os bolsos de um punhado de parasitas mafiosos.

O combate de classe por um genuíno Governo Operário e Camponês (Ditadura do Proletariado) como parte da defesa da Revolução Socialista deve ser o objetivo estratégico de nossa luta.
Este eixo central mantém toda sua vigência programática, apesar da pressão ideológica para que os trabalhadores se levantem apenas por reformas no interior do capitalismo.
A defesa da revolução e da ditadura do proletariado na verdade sintetiza em poucas palavras a única saída progressista estratégica para as mobilizações em curso no país.
Para ser consequente na luta contra os ataques do governo Dilma aos trabalhadores e a juventude faz-se necessário lançar mão de uma plataforma classista que oriente a luta direta das massas rumo ao socialismo, com a expropriação da burguesia, o fim do latifúndio e estabelecimento de um autêntico poder operário e popular.
Neste combate é necessário que a classe operária ocupe a cena nacional e levante suas demandas imediatas e históricas, forjando no calor do combate a construção de um autêntico Partido Revolucionário Leninista.
Na medida em que o proletariado saia à luta acaudilhando as demandas populares, os setores de direita nas manifestações serão derrotados nas ruas e seu eixo de falsa moralização do regime político burguês relegado a marginalidade!
Somente a defesa clara da revolução e da ditadura proletária será capaz de dar um claro corte de classe as manifestações, preparando pacientemente para o próximo período uma saída operária e socialista para o esgotamento do regime político burguês.

LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
http://www.lbiqi.org/

Centrais pelegas “chapa branca”, com apoio da CONLUTAS, marcam dia nacional de “luta” como arremedo de Greve Geral

centrais sindicais

Por Liga Bolchevique Internacionalista

O conluio das cúpulas da burocracia sindical (esquerda e direita) reuniu-se hoje (25/06) em São Paulo para decidir como “esfriar” as mobilizações em curso e na sequência manter afastada a real possibilidade da realização de uma verdadeira greve geral no país.

CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CGTB, NCST (a nata do sindicalismo “amarelo”) somados a CONLUTAS deliberaram organizar: “atos conjuntos – do movimento sindical e social – no próximo dia 11 de julho em todo o País” (Site da CUT).

Logo após o anúncio das centrais, chamava atenção a data e o caráter da “mobilização” convocada para mais de quinze dias depois da reunião, enquanto o país atravessa um “pico” de protestos que explodem a cada dia sem a necessidade de “grandes” preparativos.

Enquanto havia uma expectativa da convocação de uma greve geral de verdade, para colocar a classe trabalhadora no centro da conjuntura nacional, a pelegada resolveu diluir a ação do proletariado a um “dia de manifestações” com o claro objetivo de consumar um lobby sobre o governo neoliberal do PT.

Por sinal, a grande preocupação dos dirigentes sindicais presentes no encontro era exatamente a reunião agendada com a presidente Dilma para a próxima quarta-feira (26/06), onde apresentarão a limitada pauta consensuada entre a burocracia, que sequer exige uma imediata reposição salarial diante das perdas e se omite da reivindicação da elevação do atual salário mínimo que leva a miséria para a maioria dos trabalhadores menos “qualificados” do mercado.

A mídia “murdochiana” não tardou para anunciar a suposta “greve geral”, com o objetivo de desmoralizá-la no momento certo, além do esforço dos reformistas em desviar a radicalidade do momento em pequenas “paralisações” localizadas que não terão a capacidade de galvanizar o conjunto do proletariado.

Em um período onde o movimento de massas já demonstrou que é possível sim arrancar vitórias parciais, como a redução nas tarifas do transporte, chega a parecer uma grotesca fraude política a pauta de reivindicações apresentada pelas burocracias sindicais que sequer contempla a exigência de um aumento geral de salários, incluindo um reajuste emergencial digno para o “mínimo”.

Em pleno quadro de “arrocho salarial” promovido pela equipe econômica palaciana e ameaça do retorno da inflação para a cesta básica, o movimento operário deve levantar a bandeira de escala móvel de salários como uma reivindicação fundamental.

Mas a plataforma das jornadas de “luta” do dia 11 aponta no sentido oposto, sequer denuncia a política de privatizações de nossos recursos naturais para beneficiar as transnacionais imperialistas, e no lugar da denúncia deste governo entreguista do PT pedem apenas “mudanças nos leilões de petróleo”. Que as centrais pelegas atuem desta forma, algumas inclusive ligadas à Tucanalha, nenhuma surpresa.

O mais escandaloso é o PSTU/CONLUTAS avalizar esta “operação desmonte”, orientando as entidades de sua “base” a fecharem acordos rebaixados na mesma semana de maior combatividade das manifestações, como foi o caso do importante sindicato dos rodoviários de Fortaleza.

O movimento nacional dos protestos de rua atravessa uma encruzilhada política, com o afluxo massivo cada vez maior de setores ultrarreacionários da classe média. Como verdadeiros cães hidrófobos estes segmentos sociais se proliferam aos milhares nas redes sociais, destilando ódio de classe ao PT e tudo mais que lhes pareça de esquerda.

Impulsionados pela pauta “verde e amarela” imposta pelo PIG nas manifestações, os “mauricinhos” da pequena burguesia em aliança com turbas neofascistas tem indiscriminadamente atacado fisicamente militantes da esquerda socialista e comunista, independente da “filiação” ou não ao governo Dilma.

Ao abraçar bandeiras totalmente alheias ao movimento operário, de cunho moralista e “patrioteiro”, estas mobilizações podem se desviar à direita, servindo a interesses da oligarquia conservadora dominante e seu braço midiático, o PIG.

Este arco por sinal já obteve uma primeira vitória ao galvanizar uma parcela dos protestos em torno da “luta” contra a PEC 37 (derrotada hoje no congresso), uma tentativa de limitar os “superpoderes” da corja reacionária do ministério público, comandada pelo “funcionário” da famiglia Marinho, Roberto Gurgel. Outra sinistra figura criada pelo PIG no espetaculoso julgamento do chamado “mensalão”, o “herói” Joaquim Barbosa, tenta viabilizar sua candidatura à presidência da república (plano “B” da oligarquia), “surfando” com folga na preferência majoritária dos manifestantes da classe média.

Desgraçadamente a esquerda revisionista tem avaliado como “muito progressista” o sentimento anticomunista, travestido de apartidarismo, da grande maioria dos manifestantes da pequena burguesia.

Esta esquerda, caudatária da destruição contrarrevolucionária da URSS, afirma ser plenamente justa a rejeição dos partidos “socialistas” em função da desmoralização popular do PT após dez anos de gestões burguesas a frente do Estado capitalista.

Seria então a chamada “crise de representação” um fenômeno positivo para a evolução da consciência de classe? Pensamos exatamente o contrário!

A ausência de uma referência do socialismo para as massas no mundo inteiro é um fenômeno extremamente retrógrado e bem mais profundo do que simplesmente o desgaste sofrido pelo PT no Brasil.

A derrota das conquistas operárias sofridas nos países do Leste europeu pelas mãos da ofensiva neoliberal do imperialismo gerou consequências trágicas para a consciência de classe do proletariado mundial, e a “onda” nacionalista reacionária nas manifestações é consequência direta disto.

É bem verdade que a adaptação do PT ao regime bastardo da “democracia dos ricos” ajudou nesta “fervura” contrarrevolucionária do atraso, mas também é igualmente criminosa a atual integração do revisionismo ao PIG em sua campanha “murdochiana” contra os governos nacionalistas, Kadaffi, Chávez, Assad etc… contribuindo para entorpecer a compreensão da vanguarda de esquerda em mundo pós “guerra fria”.

Os marxistas revolucionários estabelecem uma árdua batalha política no “pântano” da mitigação do movimento, com nossos instrumentos de clarificação programática, para que as mobilizações nacionais em curso não se transformem em enorme “CANSEI”.

Por isso não cessamos de enfatizar que a classe operária e seus aliados históricos devem assumir o protagonismo da polarizada conjuntura nacional, com seus próprios métodos e programa, irrompendo no cenário político até então disputado pelo discurso ultrapassado da oposição Demo-Tucana e a demagogia inócua do governo da Frente Popular.

A tarefa da organização de uma verdadeira greve geral de massas se mantém totalmente vigente, ainda mais agora com a panaceia de “paralisações” (27/06 e 11/07) chamada pela CONLUTAS e a “federação” das burocracias sindicais.

A “marolinha” distracionista da CUT e afins deve ser contraposta com a organização de base na preparação de uma vigorosa paralisação inicial de 48 horas das categorias mais importantes do país, rumo a uma jornada nacional de “braços cruzados” por tempo indeterminado.

ENCONTROU JESUS É O CARALHO!!! CURA GAY, CURA BANDIDO, CURA CHARLATANISMO, CURA CORRUPCAO, CURA 171, CURA SONEGACAO, CURA ENRIQUECIMENTO ILICITO!

 Da licença mané,  Cura gay? Vai curar a tua alma com o capeta!!!

ENCONTROU JESUS É O CARALHO!!!

Evangélicos aterrorizam]
Não eximo a Igreja Católica
Pelo contrário
Mãe de toda desgraça
Todavia
Contudo
Entretanto
EvangélicosFiéis

Silgas Malfalares da vida
Esses
Com tetos de vidros
Templos desabantes

É!
A casa caiu
Ruiu
O telhado
Ploft

Em outros tempos
Chutavam Santas
Brããbouos e whatevers

Em seus iates
Helicópteros
Jatinhos cheios de putas

Vivem rindo fiéis
Depositantes de dízimos
Rasgando dinheiro

O próprio dinheiro
Favelados pagam não tendo

Para serem perdoados
Perdoados do quê
Se ganha muito dinheiro em nome da fé
Jesus me ama
Jesus me ama é o caralho!
Não venham com papo de Jesus
Não preciso de intermediários, interpretando em causa própria.

Tiro na testa dos Silgas Malfalares

Pastores

Pastores de cu é rola

Coitado de Jesus, o verdadeiro!

Livre arbítrio

Eu acredito em livre arbítrio
O Jesus usado pelas Igrejas para fins contrários a tudo que o próprio pregou

Esse Jesus eu quero que se foda

…Eee…

Os sociopatas

Usam Jesus para dissimular sua essência

Pagam dízimos
Pronto
Agora são melhores do que eu
Escondendo-se no falso sublimar
É mole

Eu mato

Estupro
Roubo
Pago o dízimo



Silgas Malfalares diz eu ter encontrado Jesus
É
Seus problemas acabaram
Mate hoje
Encontre Jesus amanhã!Tudo certo
Tá de sacanagem!

Canalhas a um piscar de cu pra sucumbirem

Convencer-me…
Nunca!

Preferia mil vezes quando a professora da academia assumia-se vadia

Tinha dois namorados

Chupava meu pau

Ela era feliz
Agora encontrou Jesus
Vive lendo a bíblia
Pregando
Cabisbaixa

Isso resolve tudo

Hahaha…

E o meu vizinho
Tinha um esquema de roubo de carros
Todo mundo sabia
Falava com geral
Vivia rindo
Sempre com lindas mulheres

Também encontrou Jesus

Vive na Praça General Osório

Sozinho
Tenho medo desses sociopatas regenerados

Eram mais honestos antes de encontrar Jesus

Não se negavam
Por isso digo e repito

Encontrou Jesus é o caralho!


Texto de Pablo Treuffar


ENCONTROU JESUS É O CARALHO by Pablo Treuffar is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.


Based on a work at pablotreuffar.blogspot.com.

Por que os Marxistas se Opõem ao Terrorismo Individual

leontrotsky

Leão Trotsky

Novembro de 1911


Primeira Edição: Novembro 1911 no Der Kampf, mensário teórico da Social Democracia Austríaca.
Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


Nossos inimigos de classe têm o costume de queixar-se de nosso terrorismo. Eles gostariam de por o rótulo de terrorismo a todas as ações do proletariado dirigidas contra os interesses do inimigo de classe. Para eles, o método principal de terrorismo é a greve. A ameaça de uma greve, a organização de piquetes de greve, o boicote econômico a um patrão super explorador, o boicote moral a um traidor de nossas próprias filas: tudo isso e muito mais é qualificado de terrorismo. Se por terrorismo se entende qualquer coisa que atemorize o prejudique o inimigo, então a luta de classes não é outra coisa senão terrorismo. E o único que resta considerar é se os políticos burgueses têm o direito de proclamar sua indignação moral acerca do terrorismo proletário, quando todo seu aparato estatal, com suas leis, polícia e exército não é senão um instrumento do terror capitalista.

No entanto, devemos assinalar que quando nos jogam na cara o terrorismo, tratam, ainda que nem sempre de forma consciente, de dar-lhe a esta palavra uma sentido mais estrito, menos indireto. Por exemplo, a destruição das máquinas por parte dos trabalhadores é terrorismo neste sentido estrito do termo. A morte de um patrão, a ameaça de incendiar uma fábrica ou matar o seu dono, o atentado a mão armada contra um ministro: todos estes são atos terroristas no sentido estrito do termo. Não obstante, qualquer um que conheça a verdadeira natureza da social-democracia internacional deve saber que ela tem se colocado em oposição da maneira mais irreconciliável a esta classe de terrorismo.

Por que? O “terror” mediante a ameaça ou a ação grevista é patrimônio dos operários industriais ou agrícolas. O significado social de uma greve depende, em primeiro lugar, do tamanho da empresa ou ramo da indústria afetada; em segundo lugar, do grau de organização, disciplina e disposição para a ação dos operários que participam. Isto é certo tanto em uma greve econômica ou política. Segue sendo o método de luta que surge diretamente do lugar que na sociedade moderna ocupa o proletariado no processo de produção.

Para desenvolver-se, o sistema capitalista requer uma superestrutura parlamentar. Porém ao não poder confinar o proletariado em um gueto político, deve permitir cedo ou tarde, sua participação no parlamento. Nas eleições se expressa o caráter de massa do proletariado e seu nível de desenvolvimento político, qualidades determinadas por seu papel social, sobretudo por seu papel na produção.

Do mesmo modo que numa greve, nas eleições o método, objetivos e resultado da luta dependem do papel social e da força do proletariado como classe. Somente os operários podem fazer greve. Os artesãos arruinados pela fábrica, os camponeses cuja água envenena a fábrica, os lumpen-proletários em busca de um bom botim, podem destruir as máquinas, incendiar a fábrica ou assassinar o dono.

Somente a classe operária consciente e organizada pode enviar uma forte representação ao parlamento para cuidar dos interesses proletários. No entanto, para assassinar a um funcionário do governo não é necessário contar com as massas organizadas. A receita para fabricar explosivos é acessível a todo o mundo, e qualquer um pode conseguir uma pistola.

No primeiro caso, há uma luta social, cujos métodos e vias se desprendem da natureza da ordem social imperante; no segundo, uma reação puramente mecânica que é idêntica em todo o mundo, desde a China até a França: assassinatos, explosões, etc., porém totalmente inócua em relação ao sistema social.

Uma greve, inclusive uma modesta, tem conseqüências sociais: fortalecimento da auto-confiança dos operários, crescimento do sindicato, e, com não pouca freqüência, uma melhora na tecnologia produtiva. O assassinato do dono da fábrica provoca apenas efeitos policiais, ou uma troca de proprietário desprovida de toda significação social.

Para que um atentado terrorista, mesmo um que obtenha “êxito”, crie confusão na classe dominante, depende da situação política concreta. Seja como for, a confusão terá vida curta; o estado capitalista não se baseia em ministros de estado e não é eliminado com o desaparecimento deles. As classes a que servem sempre encontrarão pessoas para substituí-los; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento.

Todavia, a desordem que produz um atentado terrorista nas filas da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido? Para que fazer passeatas, agitação de massas, eleições, se é tão fácil alvejar um ministro desde a galeria do parlamento?

Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá cumprir sua missão.

Os profetas anarquistas da “propaganda pelos fatos” podem falar até pelos cotovelos sobre a influência estimulante que exercem os atos terroristas sobre as massas. As considerações teóricas e a experiência política demonstram o contrário. Quanto mais “efetivos” forem os atos terroristas, quanto maior for seu impacto, quanto mais se concentra a atenção das massas sobre eles, mais se reduz o interesse das massas por eles , mais se reduz o interesse das massas em organizar-se e educar-se.

Porém a fumaça da explosão se dissipa, o pânico desaparece, um sucessor ocupa o lugar do ministro assassinado, a vida volta à sua velha rotina, a roda da exploração capitalista gira como antes: só a repressão policial se torna mais selvagem e aberta. O resultado é que o lugar das esperanças renovadas e da excitação artificialmente provocada vem a ser ocupado pela desilusão e a apatia.

Os esforços da reação para por fim às greves e ao movimento operário de massas tem culminado, geralmente, sempre e em todas as partes, no fracasso. A sociedade capitalista necessita um proletariado ativo, móvel e inteligente; não pode, portanto, ter o proletariado com os pés e mão atados por muito tempo. Por outro lado, a “propaganda pelos fatos” dos anarquistas tem demonstrado cada vez mais que o estado é muito mais rico em meios de destruição física e repressão mecânica que todos os grupos terroristas juntos.

Se assim é, o que acontece com a revolução? Fica negada ou impossibilitada? De maneira nenhuma. A revolução não é uma simples soma de meios mecânicos. A revolução somente pode surgir da intensificação da luta de classes, sua vitória e garantida somente pela função social do proletariado. A greve política de massas, a insurreição armada, a conquista do poder estatal; tudo está determinado pelo grau de desenvolvimento da produção, a alienação das forças de classe, o peso social do proletariado e, por último, pela composição social do exército, posto que são as forças armadas o fator que decide o problema do poder no momento da revolução.

A social-democracia é bastante realista para não desconhecer a revolução que está surgindo das circunstâncias históricas atuais; pelo contrário, vai ao encontro da revolução com os olhos bem abertos. Porém, diferentemente dos anarquistas e em luta aberta com eles, a social-democracia rechaça todos os métodos e meios cujo objetivo seja forçar o desenvolvimento da sociedade artificialmente e substituir a insuficiente força revolucionária do proletariado com preparações químicas.

Antes de elevar-se à categoria de método para a luta política, o terrorismo faz sua aparição sob a forma de ato individual de vingança. Assim foi na Rússia, pátria do terrorismo. O açoitamento dos presos políticos levaram Vera Zasulich a expressar o sentimento de indignação geral com um atentado contra o general Trepov. Seu exemplo repercutiu entre a intelectualidade revolucionária, desprovidas do apoio das massas. O que começou como um ato de vingança perpetrado em forma inconsciente foi elevado a todo um sistema em 1879-1881. As ondas de atentados anarquistas na Europa Ocidental e América do Norte sempre se produzem depois de alguma atrocidade cometida pelo governo: fuzilamentos de grevistas ou execuções de opositores políticos. A fonte psicológica mais importante do terrorismo é sempre o sentimento de vingança que busca uma válvula de escape.

Não há necessidade de insistir que a social-democracia nada tem a ver com esses moralistas a soldo, que, em resposta a qualquer ato terrorista, falam somente do “valor absoluto” da vida humana. São os mesmos que em outras ocasiões, em nome de outros valores absolutos, por exemplo, a honra nacional ou o prestígio do monarca estão dispostos a levar milhões de pessoas ao inferno da guerra. Hoje, seu herói nacional é o ministro que dá a ordem de abrir fogo contra os operários desarmados, em nome do sagrado direito à propriedade privada; amanhã, quando a mão desesperada do operário desempregado cerre o punho ou se apodere de uma arma, falarão sandices sobre o inadmissível que é a violência em qualquer de suas formas.

Digam o que digam os eunucos e fariseus morais, o sentimento de vingança tem seus direitos. Fala muito bem a favor da moral da classe operária a não contemplação indiferente do que ocorre neste, o melhor dos mundos possíveis. Não extinguir o insatisfeito desejo proletário de vingança, mas, pelo contrário, avivá-lo uma e outra vez, aprofundá-lo, dirigi-lo contra a verdadeira causa da injustiça e a baixeza humanas: essa é a tarefa da social-democracia.

Nos opomos aos atentados terroristas porque a vingança individual não nos satisfaz. A conta que nos deve pagar o sistema capitalista é demasiado elevada para ser apresentada a um funcionário chamado ministro. Aprender a considerar os crimes contra a humanidade, todas as humilhações a que se vêem submetidos o corpo e o espírito humanos como excrescências e expressões do sistema social imperante, para empenhar todas nossas energias em uma luta coletiva contra este sistema: essa é a causa na qual o ardente desejo de vingança pode encontrar sua maior satisfação moral