Festival de Woodstok, Águas Claras (Iacanga), e outros… Rock na veia pra quem gosta!

 
Caro leitor,
Depois de uns dias afastados da net, eu retorno, penso, definitivamente. 
 
Infelizmente acontece (às vezes) de escrevermos apressadamente e publicar o que seria apenas um rascunho. 
 
Outro fator importante foi a minha mudança de ares, já que passei a residir em Urubici na Serra Catarinense, lugar de temperaturas baixas, de inverno rigoroso, mas aconchegante, com belas paisagens e geografia exuberante…
Pra quem gosta de rock e de liberdade, este post do Jornalista e escritor Celso Lungaretti que, na verdade, tenho admiração pelo seu passado de lutas, descreve muito bem este “sui generis” acontecimento histórico que, também na contra cultura muda o comportamento da juventude… 
 
 Afinal, como simpatizante da VPR e integrante de um núcleo marxista nos anos 70, pude acompanhar vários “eventos” arranjados e desmistificados durante o período da Ditadura Militar no Brasil. 
 
Ah, mas eu me lembro também quando falavam de um guerrilheiro arrependido, mostrado em uma carta afixada nas unidades militares. 

Tudo não passava de invenções pirotécnicas de resultados não alcançados.
 
 Em palavras simples, o subcomandante da Vanguarda Popular Revolucionária em São Paulo teve de se virar nos trinta para sobreviver com seqüelas até os dias de hoje.
 
Mas enfim, o que vale mesmo é a história de alegrias passadas e dentre essas eu posso comparar ou não com outros festivais que acompanhei e participei ao largo de Woodstock 1969.
Neste sentido eu nomino-os como Águas Claras, da Praia do Leste no Paraná, entre outros inesquecíveis… 


Vale lembrar que no passado eu fiz parte do movimento hippie desde os anos 70, tendo sido um dos dirigentes e integrante da comunidade de artesãos da Praça da República em São Paulo, da Associação dos Artesãos profissionais do Estado de São Paulo, da União dos Artesãos Livres (UNAL) em Porto Alegre no mesmo período, e do Sindicato dos Artesão de Florianópolis, já quase na minha mudança de estilo e opção de vida, na verdade, um hippie politizado… 
Assistindo atentamente o vídeo acima, encontrei registrado a minha participação neste festival. E, agradeço ao amigo que fotografou (lembro-me muito bem, pois estávamos acampados próximos), permitindo a minha “eternização” na participação deste evento histórico.
carlão iacanga
Carlão no Festival de Águas Claras2

 
Bem, em 1983 no festival de “Iacanga”, pra quem esteve lá, sabe do agito maneiro, durante e depois, desde a ida até o retorno quando os trens da Alta Paulista tiveram de liberar geral o nosso retorno, de Baurú até Sampa… Aff, bagunça geral e alegria em cada estação que o trem parava…
 
 
Mas, o que tem a ver os hippies brasileiros com este movimento? Muito, muito mesmo e, só a história dirá!

 
Revirando o Baú do Celsão eu pude reler essa bonita e saudosa história que faço questão de publicar…


BAÚ DO CELSÃO: ÉRAMOS CRIANÇAS, BRINCANDO NO PARAÍSO

Um dos acontecimentos mais emblemáticos e alentadores do século passado, o Festival de Música e Artes de Woodstock só é lembrado pela grande imprensa nas efemérides.


E mesmo quando isto acontece, de 10 em 10 anos, os enfoques da indústria cultural oscilam entre o nostálgico e o pitoresco, como inimiga que foi e é dos ideais que se corporificaram nesse magnífico evento.
Indo na contramão, como sempre, costumo destacar a vitalidade de Woodstock e os caminhos que ainda nos aponta, hoje e agora, para a construção de um mundo melhor.Para começar, uma constatação óbvia: Woodstock foi uma moeda que caiu em pé. Os deuses de todos os povos e de todos os tempos parecem ter-se mobilizado para que tudo desse certo durante três dias mágicos, maravilhosos, que seriam para sempre lembrados como uma amostra da perfeição possível neste sofrido planeta.Sem favor nenhum, posso afirmar que Woodstock foi o evento musical que mais influenciou as artes e os costumes na história da humanidade. E a conjunção de fatores que o transformou em marco e lenda dificilmente se repetirá.Mas, não precisamos acreditar piamente na esnobada de Gilberto Gil: “quem não dormiu no sleeping bag nem sequer sonhou”. Apenas, levar em conta o que houve de específico nesse festival. Outros sonhos virão, com certeza. A História não tem fim, queiram ou não os Fukuyamas agourentos.

“SOME FLOWERS IN YOUR HAIR”

Para começar, o Festival de Woodstock foi o ponto de chegada e a culminância de vários fenômenos e acontecimentos marcantes.

A escalada norte-americana no Vietnã, ao longo da década de 60, engendrara um movimento pacifista de crescente influência entre os jovens dos EUA, com direito a manifestações de protesto, queimas de cartas de recrutamento, choques com a polícia e a uma manifestação-monstro de cerco ao Pentágono

 

.Em 1965, um estudante de química chamado Owsley Stanley aprendeu como fabricar ácido lisérgico no porão de sua casa e logo inundou San Francisco com o LSD, impulsionando o surgimento da geração das flores, imortalizada pela bela canção de Scott McKenzie: “Se você vier para San Francisco,/ não se esqueça de colocar/ algumas flores no seu cabelo…”

Foi aí que o movimento hippie nasceu, aglutinando jovens que recusavam o american way of lifee caíam na estrada, em busca de aventuras e novas experiências.

Em termos mais profundos, pode-se lembrar que era a fase em que a crescente mecanização da indústria mais e mais dispensava o uso da força física, demolindo algumas vigas-mestras da sociedade norte-americana, toda ela construída em cima do ascetismo puritano (a negação do prazer a fim de poupar energias para o trabalho). Na década de 60, o prazer reconquistava suas prerrogativas.

Grandes festivais de rock já haviam ocorrido em Monterey (1967) e na Ilha de Wight. Este último vinha se realizando desde 1968, embora o mais marcante e lembrado seja o de 1970, quando se deu uma das últimas apresentações de Jimi Hendrix.

Quanto a públicos expressivos, também não eram novidade: o festival inglês já reunira 250 mil pessoas.

Mas, foi no de Woodstock que a indústria cultural investiu pesado, pela primeira vez. É que, com algum atraso, os mercadores das artes se deram conta de que tinham um diamante bruto ao alcance das mãos. Prepararam-se, então, para explorar em grande estilo o evento seguinte.

Por último, vale notar que ainda se vivia a época dos compactos, em que eram singles e não elepês que corriam o mundo, com a repercussão dependendo, principalmente, da divulgação nas rádios.

Pouco se conhecia da segunda onda do rock (a primeira, nos anos 50, fora a dos pioneiros Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Bill Haley, etc.).

Muitos garotos, como eu, amavam os Beatles e os Rolling Stones. De resto, haviam escutado. “The House of Rising Sun” (Animals), “Sunny” (Johnny Rivers), “A Wither Shade of Pale” (Procol Harum) e quase nada mais.

Existia uma produção musical de grande qualidade represada, não atingindo circuitos mais amplos. Seria a irrupção dessa nova geração de importantes artistas ainda relativamente desconhecidos que asseguraria a surpresa e o enorme impacto causados pelo filme Woodstock e pelo álbum triplo com registros desse evento.

BRINCANDO NA CHUVA


Foram três dias de “paz, música e amor”, de 15 a 17 de agosto de 1969, levando 450 mil jovens até a fazenda do leiteiro Max Yasgur, a 80 quilômetros de Woodstock, estado de Nova York.

Logo no primeiro dia o festival foi declarado livre: quem não tinha comprado antecipadamente o ingresso, não precisou mais fazê-lo. Com isto, os promotores tiveram US$ 100 mil de prejuízo inicial, mas acabaram saindo no lucro: o filme lhes proporcionaria um retorno imediato de US$ 17 milhões.

O torrencial aguaceiro do segundo dia foi tirado de letra pela moçada, que aproveitou para relembrar a infância, chapinhando na lama. De início se tentou afastar a chuva com a força do pensamento positivo, todo mundo gritando “No rain! No rain!”. Depois, o jeito foi se amoldar a ela, brincando de tobogã e cantando. No álbum Woodstock há dois registros disto: no disco I, o improvisado “canto da chuva”; e no II, a multidão entoando em coro o refrão “deixa o sol brilhar!”, da peça Hair.

As boas vibrações não impediram a ocorrência de três mortes: uma overdose, um atropelamento por trator e um ataque de apendicite. O guitarrista e líder do The Who, Peter Townshend, não se limitou, como de hábito, a destruir o instrumento de trabalho no final apocalíptico de sua performance; levou a fúria para os bastidores, quebrando o pau com o líder hippie Abbie Hoffman.


O evento foi processado para o cinema por Michael Wadleigh, que fez uma magnífica edição de imagens e introduziu uma novidade: a bi ou tripartição da tela, oferecendo ao espectador tomadas simultâneas do mesmo grupo, de artistas isoladamente, do público, etc.

Há, além disto, nítido empenho em situar o evento sociologicamente, ao contrário do documentário sobre o Festival de Monterey, que se ateve quase exclusivamente à música. Daí a merecida reputação de Woodstock como o filme que inovou a arte de registrar espetáculos musicais.

NEM TUDO FOI MOSTRADO


Muitos artistas deixaram de ter um número exibido no filme e no álbum triplo. Ficaram de fora Melanie, Mountain e Butterfield Blues Band, com o consolo de aparecerem no segundo álbumWoodstock, duplo, que foi lançado algum tempo depois. O Jefferson Airplane não está no filme, mas sua “Volunteers” consta do álbum triplo e teve mais canções aproveitadas no álbum duplo.

A relação dos que lá estiveram mas ficaram de fora tanto do filme quanto dos álbuns é extensa: Janis Joplin, Grateful Dead, The Band, Blood Sweat & Tears, Creedence Clearwater Revival, Incredible String Band e Johnny Winter. Motivo: problemas contratuais.

[Agora, na onda do MP-3, tudo isso foi finalmente disponibilizado para os saudosistas dos velhos e bons tempos, bem como para os jovens que querem saber saber como era o som que os pais, tios e avós curtiram…]

Os cachês mais altos foram os de Jimi Hendrix (US$ 18 mil), Blood Sweat & Tears (US$ 15 mil), Joan Baez e Creedence Clearwater Revival (US$ 10 mil cada). Santana exibiu sua empolgante fusão de rock e sonoridades latinas, “Soul Sacrifice”, pela bagatela de 750 dólares.

O trovador John Sebastian tirou a sorte grande: não foi convidado, mas apareceu para dar uma olhada e acabou subindo ao palco quando a chuva recém-finda impedia a apresentação de bandas eletrificadas. Ganhou direito a constar do filme e do disco, além de receber mil dólares.

O Crosby, Stills, Nash & Young, que acabava de ser constituído, cativou a platéia com seu folk-rock contestador e obteve êxito instantâneo, lançando as bases da longa carreira de seus integrantes (pouco tempo como quarteto e muito mais como artistas-solo).

No extremo oposto, o Ten Years After foi a principal vítima da síndrome de Woodstock: nunca igualou os 11 esfuziantes minutos de “Goin’ Home”, que valeram para Alvin Lee a reputação de grande guitarrista.

Outra curiosidade: foi marcante a aparição de Arlo Guthrie (“Comin’ Into Los Angeles”), cuja trajetória acabaria sendo eclipsada pela de Bob Dylan. Os estilos vocais e temáticos eram semelhantes, tendo Dylan sido mais eficiente em afirmar-se como herdeiro da arte e da lenda de Woody Guthrie, o precursor dos mochileiros. Correndo na mesma faixa, ele sobrepujou o próprio filho de Woody.

A vertente negra do rock se destacou em duas performances memoráveis. Richie Havens, um talento que depois definharia, arrepiou a platéia com seu camisolão africano e a interpretação fulgurante de “Freedom”. E Jimi Hendrix, no auge de sua genialidade, puniu simbolicamente os militaristas com a implosão do hino nacional norte-americano.

Isto para não falar do herdeiro branco e britânico de Ray Charles, o chapadíssimo Joe Cocker, com sua voz poderosa e postura bizarra, sacudindo o corpo para a frente e para trás como um boneco de mola enquanto as mãos dedilhavam sem parar uma guitarra inexistente.


O rock erudito, que marcaria toda uma época, também se fez presente em Woodstock: o The Who interpretou uma compilação de faixas da ópera-rock Tommy, projetando mundialmente essa sua (para a época) extravagância: um álbum-duplo que, faixa a faixa, vai contando a história de um menino que flagra o adultério da mãe e o assassinato do pai, recebendo então a ordem de apagar aquele episódio da mente e nunca relatá-lo a ninguém. O trauma o torna cego, surdo e mudo, mas ele acaba se libertando e atingindo a iluminação.

SÍNTESE DA CONTRACULTURA


Com Woodstock ganhou repercussão ampla o movimento de paz e amor que fermentava na boêmia San Francisco desde meados daquela década, como um desdobramento lisérgico e roqueiro do antigo movimento beatnik

Suas características externas são ressaltadas no filme:

  • o amor livre e a desinibição corporal, com o nudismo sendo amplamente praticado, de forma inocente e até singela;
  • a convivência harmoniosa, sem nenhum resquício de preconceito, entre indivíduos de todas as raças, credos e orientações sexuais;
  • o consumo explícito e justificado (por alguns entrevistados, como Jerry Garcia) das drogas que, no entender daquela geração, abriam as portas da percepção;
  • o visual premeditadamente desarrumado do pessoal, com suas roupas coloridas, ponchos e cabeleiras imponentes;
  • a substituição dos laços familiares por uma comunidade grupal (ou, como se dizia então, tribal);
  • a volta à natureza e a redescoberta do lúdico (em vários momentos, veem-se marmanjos entregues a brincadeiras pueris, sem nenhum constrangimento);
  • a profusão de crianças, pois os hippies mandavam às favas o planejamento familiar, os anticoncepcionais e os abortos, assumindo plenamente o amor e suas conseqüências;
  • o solene desprezo pelas regras e valores dominantes na sociedade, que se evidencia até nas falas dos organizadores do festival, não ligando a mínima para os prejuízos que estavam ameaçados de sofrer.

De certa forma, este comportamento era inspirado por teóricos como Reich, Marcuse e Norman O. Brown, que vincularam o autoritarismo político à repressão instintiva, alegando que a liberdade era cerceada não só pelos mecanismos sociais que mantinham a estrutura de classes (visão da esquerda convencional), como também pelos condicionamentos que embotavam a imaginação e inibiam o desfrute pleno da sexualidade.

Essas teses inspiraram uma nova voga anarquista, que pregava o combate ao stablishment também no íntimo de cada pessoa. As drogas serviriam para o resgate de faculdades esquecidas devido ao desuso; e a liberalidade sexual, incluindo as práticas antes estigmatizadas como perversões (homossexualismo, sodomia, sexo oral, masturbação), seria a premissa de uma visão erótica do mundo, em substituição ao princípio da realidade freudiano.

BRASIL: COMUNIDADES E BICHOS-GRILOS


A influência de Woodstock em nosso país pode ser detectada na música (Raul Seixas, Made in Brazil, a última fase dos Mutantes), no teatro (Oficina, Tuca), na cinematografia (o chamado cinema marginal) e, sobretudo, nos costumes, com os bichos-grilos que percorriam as estradas como caronas, indo e vindo à meca de Arembepe (BA), além de criarem comunidades urbanas e rurais onde exercitavam um estilo alternativo de vida.

Essas tentativas, entretanto, esbarraram no ambiente repressivo dos anos de chumbo, o que levou, p. ex., a ser expulso do Brasil o elenco do Living Theatre de Julian Back, que supôs encontrar aqui seu paraíso tropical; e, em termos mais amplos, na própria impossibilidade de contingentes mais amplos, num país pobre como o nosso, garantirem indefinidamente seu sustento com artesanato, aulas de ioga e que tais.

A grande vitória da Geração Woodstock foi ter conseguido arrancar os Estados Unidos do Vietnã. E seu exemplo repercute até hoje no ativismo em defesa do meio ambiente e a favor de algumas causas justas.

Além disto, ela entronizou a imagem do jovem como centro do universo do consumo, em substituição ao modelo rígido do pai de família, daí derivando a descontração no vestir, no falar e no comportamento.

E ainda lançou alguns modismos que hoje estão em menor evidência, como o ioga, a macrobiótica, o ocultismo e a agricultura natural (sem defensivos e fertilizantes).

Não perduraria, entretanto, aquela militância política idealista e generosa: as gerações seguintes se desinteressaram de mudar o mundo, voltando a priorizar a ascensão profissional e social. O rock, depois de uma fase intensamente criativa e experimental, voltou aos caminhos seguros do marketing.

As drogas, ao invés de abrirem as portas da percepção, se tornaram instrumentos para a fuga à realidade e a ilusão de onipotência, cada vez mais pesadas, até que se chegou ao pesadelo do crack. E o amor livre degenerou em sexo casual, promiscuidade e Aids.

O sonho acabou? Talvez. Mas, quem o partilhou só lamenta que haja durado tão pouco e tenha sido substituído por uma realidade tão insossa.

Eu prefiro mesmo é a postura do inesquecível Raulzito: ele nunca deixou de acreditar que a roda da fortuna giraria de novo, trazendo de volta, desta vez para ficar, o  paraíso-agora!  que iluminou nossas vidas por um fugaz instante… e, mesmo assim, marcou-nos para sempre.

Oh, baby, a gente ainda nem começou!

Renúncia de Ratzinger: A expressão da disputa “infernal” na mafiosa e reacionária Igreja Católica

 
 
 Por Liga Bolchevique Internacionalista
Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, acaba de renunciar surpreendendo os seguidores da Igreja Católica pelo mundo.
 
Esta foi a primeira vez que tal fato ocorreu nos últimos 600 anos (anteriormente somente Gregório XXII renunciara em 1415), já que o mandato papal só se encerra com a morte do Pontífice.
 A renúncia ocorre às vésperas da Jornada Mundial da Juventude, que irá ocorrer em julho no Rio de Janeiro, o que deixa claro que a decisão foi tomada de forma intempestiva, às pressas e por pressão dos acontecimentos.
 Para além da idade avançada e da alegada doença que o estava acometendo, o real motivo da renúncia do Papa é a disputa de poder institucional dentro do próprio Vaticano, uma verdadeira máfia que usa batina e crucifixo e fala em nome de um “ser divino”. 
Comenta-se nos bastidores da Igreja Católica, que a renúncia de Ratzinger foi uma “virada de mesa” para ele interferir diretamente na escolha do próximo Papa. 
É sabido que Bento XVI estava muito enfraquecido depois da prisão de seu mordomo/confidente em maio do ano passado, escândalo logo seguido pela publicação de um livro emblematicamente intitulado de “Vossa Santidade” com vários documentos secretos que o comprometiam.
 Obviamente estas informações sigilosas vieram de dentro do próprio Vaticano e não por iniciativa de seu funcionário. 
Depois do ocorrido, a alta cúpula da Igreja Católica foi obrigada a afastar seus assessores mais próximos, assim como seus comandados no Banco do Vaticano, centro de desvio de verbas milionárias, expondo a verdadeira guerra instalada entre as quadrilhas.
  A desmoralização de Ratzinger estava claramente minando a força dos setores mais conservadores da Igreja Católica, que com sua renúncia desejam entronar um Papa tão ou mais conservador que ele, porém com mais energia e capacidade de ação para impor sua cruzada nesta instituição ultrarreacionária e inimiga visceral dos povos.
Tudo leva a crer em um aprofundamento da guinada conservadora da Igreja Católica que ganhou força com João Paulo II e estava relativamente estancada com Ratzinger em função dos escândalos de corrupção que acometiam seu mandato e das denúncias de crimes de pedofilia que diariamente eram alvos padres e cardeais.
 O resultado disso foi a perda de fiéis nos últimos anos para as igrejas evangélicas que ganharam espaço entre os setores conservadores. Para reverter esta perspectiva, poderá ser escolhido o ultraconservador Cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão assim como o cardeal austríaco Christoph Schoenborn. Por fora, corre o africano Peter Turkson, de Gana.
 O papa será “eleito” em um conclave que começa em 1º de março com a participação de 122 cardeais de todos os continentes, onde todo o jogo de poder da Igreja Católica estará envolto na disputa por claros interesses políticos e materiais, muito longe do “reino dos céus”. 
Segundo fontes da própria Igreja Católica, o principal responsável pelas condições que geraram a renúncia de Bento XVI foi o Cardeal Tarcisio Bertone, o todo-poderoso secretário de Estado do Vaticano. Bertone demitiu ou enviou para o exílio colaboradores diretos de Ratzinger depois que vieram a público denúncias que ele estava envolvido em diversos casos de corrupção no Banco do Vaticano. 
A demissão fulminante de Ettore Gotti Tedeschi, membro da Opus Dei e presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o Banco Vaticano, é um exemplo da guerra instalada dentro desta máfia de batina.
 A verdade é que em meio a esta disputa, o Banco Vaticano está sendo submetido desde setembro passado a uma investigação judicial por lavagem de dinheiro via filial italiana do Banco Santander.
 Dizem estas mesmas fontes que até a morte de Bento XVI estava sendo tramada. Sem dúvida, esses escândalos corriqueiros na vasta “folha corrida” de serviço da Igreja Católica prestados à classe dominante serviram para que sua cúpula decidisse por trocar Ratzinger por um nome mais firme e vigoroso em sua cruzada reacionária, como ele mesmo atestou em sua carta-renúncia: “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino”. 
Não que o Bento XVI fosse um “anjo”, ao contrário… Ex-militante da juventude hitlerista e o principal artífice contemporâneo da “Congregação para a Doutrina da Fé”, a Santa Inquisição, Ratzinger, foi o responsável por liquidar o “clero progressista” e a Teologia da Libertação.
A Igreja Católica e seu papado historicamente se colocaram em defesa da classe dominante contra os explorados. Desde o declínio do império romano e a transição para a Idade Média, em 313 d.C (Édito de Tolerância, de Constantino), quando o cristianismo passa a ser reconhecido como religião do império, a Igreja começa a crescer a partir das benesses do senhorio feudal (Cruzadas como acumulação de terras, corrupção eclesial etc.) e, posteriormente, no capitalismo (acumulação primitiva de capital), sob a frondosa guarita da burguesia e a exploração do proletariado.
 Assim, “as enormes riquezas acumuladas pela Igreja, sem qualquer esforço da sua parte, vêm da exploração e da pobreza do povo trabalhador. 
A riqueza dos arcebispos e bispos, dos conventos e paróquias, a riqueza dos donos das fábricas, e dos comerciantes e dos proprietários de terras, é comprada ao preço de esforços desumanos dos trabalhadores da cidade e do campo. 
Qual é a única origem das dádivas e dos legados que os ricos senhores fazem à Igreja? Obviamente que não é o trabalho das suas mãos e o suor dos seus rostos, mas a exploração dos trabalhadores que trabalham sem descanso para eles; servos ontem, assalariados hoje…” (Rosa Luxemburgo, O Socialismo e as Igrejas). 
A Igreja Católica concentra o que há de mais retrógrado e reacionário no capitalismo em sua expressão anticomunista e obscurantista. 
A perseguição a teólogos “progressistas” é apenas a ponta do iceberg. Na verdade, a mola propulsora da Igreja nos últimos 100 anos tem sido o combate implacável ao socialismo e os Estados operários surgidos após a Revolução de Outubro.
 Este último elemento é o sustentáculo desta instituição multinacional contrarrevolucionária serviçal do imperialismo.
A renúncia de Bento XVI e a escolha do “novo” Papa responde às necessidades do aprofundamento da reacionária etapa histórica por que atravessamos no planeta, onde o imperialismo ianque deseja liquidar qualquer possibilidade de resistência às novas investidas do grande capital internacional.
 Lenin já nos ensinava que a luta ideológica da classe operária para romper com o garrote da religião é parte do seu combate para libertar o proletariado da escravidão capitalista. 
Os revolucionários bolcheviques continuam essa batalha de Lenin, denunciando não só a cruzada reacionária representada pelos papados conservadores, mas delimitando-se também com o chamado “clero progressista”, que trafica, por outra via, um programa social-democrata que representa um obstáculo à libertação dos trabalhadores através da revolução proletária.

NA TRINCHEIRA DO INIMIGO

A crise política e ética de uma parcela da esquerda mundial
 As posições políticas alinhadas com o imperialismo não podem mais  ser tratadas como diferenças táticas,  a crise com os valores marxistas/leninistas de certos setores da esquerda mundial está tomando proporções assustadoras e criminosas, que afetam a correlação de forças na luta de classe, na medida que manipula um setor importante da vanguarda e da juventude com suas posições contaminadas pelo inimigo, e afetam, sobremaneira,  a prática da solidariedade internacionalista à luta dos povos oprimidos contra o capital e o imperialismo. Em particular, afeta, no Oriente, sobretudo, à luta pela Palestina Livre.  
Por Maristela R. Santos Pinheiro – Cientista Social
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TRADUÇÃO: Nós estamos prontos para ajudar, se vocês quiserem

Matéria transcrita do Blogue “Somos todos Palestino”
NA TRINCHEIRA DO INIMIGO
Todo militante da causa palestina sabe que se dependesse da mídia corporativa, ou das ONGs a verdadeira situação do povo palestino, os 64 anos de crimes de guerra, o cotidiano dramático  da ocupação, a história da própria formação da entidade sionista, o significado ideológico do sionismo e a história de todos os movimentos de resistência da Palestina ocupada estariam, ainda, sem a devida compreensão que hoje uma grande parcela tem deste enfrentamento covarde e criminoso.

Essa consciência da dura realidade da luta palestina foi uma construção dos partidos identificados com o internacionalismo proletário. Essas organizações  tiveram  papel fundamental na organização da solidariedade internacionalista espalhadas pelo mundo.
Aqui no Brasil, por exemplo, mesmo durante a Ditadura Militar, no final da década de 70, os militantes das organizações de esquerda, do Rio de Janeiro, organizaram um Comitê  pelo Reconhecimento da OLP,  e apesar da clandestinidade, os comunistas, juntos com outras organizações, se esforçavam por um contato com os lutadores palestinos e participavam  ativamente  pelo reconhecimento da organização árabe/palestina.
No entanto, temos observado  o grave afastamento de uma parcela da “esquerda” do internacionalismo proletário, cuja base marxista  sempre foi fundamental para correta análise da realidade, considerando seu movimento em sua complexa totalidade, historicamente determinada e daí tomar as decisões e posições, aquelas que mais favorecerão as nossas posições  e, enfraquecerão ou fragilizarão as do inimigo de classe e seus aliados.
Talvez esse fenômeno seja ainda reflexo ou eco da derrocada soviética e de um balanço ainda não totalmente apurado e enfrentado da derrota histórica do movimento operário internacional e da consequente abertura de espaço para o fortalecimento da ideologia do inimigo de classe.
Quando a OTAN, representante de 28 Estados “democráticos”, lançou  toneladas de bombas sobre a antiga Iugoslávia nos Bálcãs, ficou patente e exposta a crise da esquerda com os valores marxistas/leninistas.
Muita gente boa e organizações caíram na cantilena americana da “responsabilidade de proteger”, da “campanha humanitária” e na campanha de “criminalização do inimigo atacado”e, ainda na “ingenuidade” do “fogo amigo” .
 O imperialismo, através da OTAN, com o apoio incondicional da UE,  conseguiu, depois de massacrar, assassinar e derramar muito sangue, fragmentar o Estado em diversos e pequenos cinturões étnicos, dos quais consegue , com muita facilidade, extrair riquezas naturais  e explorar a mais valia:    Servia,  Montenegro, Kosovo, Eslovena, Macedônia, Croácia, Bósnia e Herzegovina.
 Durante muito tempo depois, velhos militantes iugoslavos  denunciavam exaustivamente que organismos dos direitos humanos e  ONGs especializada em democracia haviam proliferado no país, algum tempo antes dos acontecimentos, para  nutrir  a ideologia pró- imperialista e arregimentar grupos mercenários e esquadrões da morte que fomentavam as provocações entre as etnias, que até então, sempre viveram juntas e sem problemas.
Poucas organizações da esquerda lhes davam  ouvidos, seja na Europa, ou América Latina. Muita gente boa entorpecida com o fim da URSS e outras gentes  felizes  pela  “democracia” ter voltado aos países socialistas, como a Iugoslávia.
Talvez tenha sido este o primeiro grande teste para aferir os valores internacionalistas de solidariedade proletária que tínhamos conseguido, ou não, manter e assegurar dos destroços. Por óbvio, os sinais de mudança e crise estavam no horizonte das diversas tradições da esquerda, mas apesar deste ser um tema apaixonante para o debate,  este não é o tema desse texto.
Seu objetivo é muito mais simples, queremos contribuir para por fim à forma hipócrita que  estamos lidando com esses visíveis e lamentáveis sinais de retrocesso e deformação.
Não podemos mais tratar posições políticas alinhadas com o imperialismo como diferenças táticas, quando são problemas estratégicos e de princípios; queremos enfatizar e denunciar  que a crise com os valores marxistas/leninistas de certos setores da esquerda mundial está tomando proporções assustadoras e criminosas, que afetam a correlação de forças na luta de classe, na medida que manipula um setor importante da vanguarda e da juventude com suas posições contaminadas pelo inimigo, e afetam, sobremaneira,  a prática da solidariedade internacionalista à luta dos povos oprimidos contra o capital e o imperialismo. Em particular, afeta, no Oriente, sobretudo, à luta pela Palestina Livre.
No Brasil,  a ocupação do Iraque  motivou a última história de unidade na luta internacionalista das diversas organizações de esquerda, que se perfilaram contra a invasão do Iraque e pela soberania de seu povo.
Nesta invasão militar, os EUA colocaram em movimento sua tradicional campanha de “criminalização do inimigo atacado” , a “campanha humanitária” e a sua “responsabilidade de proteger”, mas, em que pese a reação da esquerda, ter sido débil , fraca e pontual, longe de expressar a tradição bolchevique,  é inegável e positivo que foi uma reação contrária às campanhas imperialistas/sionistas.
Nestes 10 anos de ocupação, os norte americanos utilizaram bombas de nêutrons empobrecido, última variante da bomba atômica; assassinaram mais de 1 milhão de iraquianos; ainda derramaram duas bombas nucleares: uma em Faluja e outra em Bora Bora, no Afeganistão.
No entanto, grande parte da esquerda, nestes 10 anos, ignorou a estratégia geopolítica e militar americana, ignorou , da mesma forma, a resistência debilmente armada que Faluja sustentou durante muito tempo.
Pouco se importou com a estratégia dos exércitos  mercenários, ou com as bombas de nêutrons, ou com as corporações privadas paramilitares sionistas que implantavam a “democracia” no Iraque.  Claro, houve textos em sítios e artigos em jornais , como há missas aos domingos.
A esse comportamento frouxo, com relação a solidariedade internacionalista, adicionamos as  aberrações nas  análises políticas dos mais variados matizes:  reducionismos primários, teorias economicistas e liberais “pós-modernos”;  unidades inusitadas, por exemplo com as ONGs, em particular de Direitos Humanos e pró-democracia; uma aproximação fervorosa com a ideia da democracia como valor universal, o foco nas questões imediatas e de grupos específicos, tendencias às lutas fragmentadas com pautas próprias e as famosas políticas de identidade.
Enquanto parte das organizações de esquerda se afasta  dos valores internacionalistas de Marx e Lenine,  a crise sistêmica do capitalismo o leva a seguir, com mais vigor, sua estratégia expansionista de tomar posse das riquezas do planeta.
No Oriente, isso significa expandir sua ocupação “democrática” para além das fronteiras de Israel,  e dos Emirados Árabes, completar a limpeza étnica da Palestina, manter o domínio sobre o Egito, onde tem a classe operária mais importante do Mundo Árabe  e aumentar a exploração da mais valia das massas árabes.
 Para isso necessita destruir o bloco  de resistência pan-árabe, sustentado pelo trio Hezbollah, Síria e Irã e , concomitante,  fortalecer e se aliar ao que tem de mais atrasado  e pró-sionista, a Irmandade Muçulmana.
A destruição do Estado líbio e o massacre de seu povo pela OTAN, foi um marco na mudança de paradigmas de parte da esquerda mundial.  
Na Líbia e na Síria, o  papel da Irmandade, aliada privilegiada para esta estratégia , foi, e ainda é, especialmente militar. Financiada pela Arábia Saudita, Qatar e com a ajuda técnica da Turquia, a Irmandade construiu um exército de  mercenários, cuja base social é a escória, o lumpesinato e os fundamentalistas mais atrasados do Islã, recrutados pelo mundo.
 Na Líbia, esse exército de mercenários só conseguiu dar o golpe de Estado, depois que a OTAN massacrou o país pelo ar.
Com a ajuda da mídia, ONGs, Organismos Internacionais de Direitos Humanos e certas organizações , o imperialismo  pôs em marcha, primeiro na Líbia e desde março de 2011, na Síria, uma operação de surfar e manipular os protestos pacíficos e reais da população destes países, logo no seu início, para em seguida introduzir armas e mais mercenários e mudar completamente a natureza  e a composição social destas “agendas”. Esta não é uma nova estratégia.
Esquadrões da morte para fomentar  violência sectária, ou destruir organizações insurgentes foram plantados pelos serviços secretos imperialistas, em diversas ocasiões históricas, por exemplo em El Salvador, os contra da Nicarágua, os  mercenários mujahedeen no Afeganistão, os paramilitares da Colômbia, e os esquadrões de terror para o Iraque, só para citar alguns.
A tragédia na Líbia, chamada criminosamente de “revolução popular” por setores da esquerda, passado um ano, não tem nada de revolução e de popular: é o caos e a desgraça para o povo líbio, vítima da barbárie e do atraso instalado nas ruas pela escória mercenária e pelo governo títere da Irmandade Muçulmana. A população que se gabava de ter o melhor IDH da região, voltou a idade do tacape, literalmente.
Para a Síria, a estratégia foi muito parecida, mas a situação não está exatamente como o imperialismo/sionismo desejava: A Síria resiste, resiste e resiste! Por um principal e inequívoco motivo: a unidade e determinação do povo sírio pela defesa de sua soberania e autodeterminação. O povo sírio luta pelo seu  Estado laico e antimperialista. Essa é a poderosa força que impede a Síria de ser destruída e voltar, como a Líbia, um século no tempo.
Entretanto,  setores da esquerda resolveram caracterizar  os mercenários de revolucionários, ONGs e Mídias corporativas  de fontes de informação do QG da Comissão Revolucionária  e grupos pequenos burgueses das redes sociais de soviets da revolução.  Bom, daí assumir a unidade  militar com o imperialismo em nome da “democracia”, não precisa nem pular, é o passo seguinte e assim tem sido. 
Quem está apontando armas para o povo sírio e praticando atos de terrorismo  não é o Exército Árabe da Síria, são os mercenários, os esquadrões da morte da Irmandade Muçulmana, chamado de exército livre da Síria (ELS),  com quem parcela da esquerda faz unidade e chama o envio de armas. Eles estão sendo armados pela França, pelos EUA, Arabia Saudita, Turquia e Israel, e têm o aparelho militar da OTAN ao seu lado, não necessitam desta “solidariedade”.
A vertente de esquerda que comemorou como vitória a queda da União Soviética, quando deveria ajudar no balanço dos erros cometidos que levaram a derrota da classe operária mundial; que diz que Cuba é uma ditadura castrista, por que o sistema democrático cubano é socialista e dirigido por Fidel, por quem nutrem um ódio sem igual, enfim, essa esquerda,  que na Colômbia  rotula a guerrilha das FARCS de reformista, e na Venezuela faz manifestações em unidade com a direita, se uniu militarmente ao imperialismo sob a bandeira do fascista Rei  Idris e chamou esse movimento de revolução popular na Líbia.
Essa “esquerda” fez campanha chamando o envio de armas para os “rebeldes” líbios, quando nem isso os mercenários bem armados da OTAN precisavam; se  pauta pelas informações de observatórios de Direitos Humanos, pela mídia corporativa e por ONGs implantadas nos territórios dos países como braços dos serviços de  inteligencia .
 Esta parcela da esquerda  se uniu aos “rebeldes” que são assumidamente descritos pelos próprios Estados agressores, como mercenários ligados a Al Qaeda.
Na Síria, não estão fazendo diferente, estão juntos com o imperialismo no terreno militar.
O que se passa com esses grupos? Considerando que muitos deles vêm de uma tradição que se construiu como alternativa crítica à degeneração da burocracia soviética , essa nova postura é de se espantar! 
A primeira coisa que vem à mente é que esses grupos foram picados pelo mesmo veneno  que historicamente foi a origem da burocratização soviética e sua posterior derrota para o capital, ou seja abandonaram de vez os princípios do marxismo revolucionário.
Construíram seus alicerces e suas identidades tão presos à crítica pontual e à preocupação de  rotular os “inimigos” da própria classe, que se perderam, ou se cristalizaram no pequeno instante, no alienante momento focado, e não conseguem se localizar nos movimentos reais, complexos, dinâmicos e históricos, em tempos de mudanças rápidas e vitórias dos inimigos de classe, da outra classe.
Em muitos países, esses grupos mal conseguem  sustentar um compromisso de unidade para lutar, com outras correntes e tradições porque, como alguns grupos religiosos fundamentalistas, só acreditam  em suas almas abençoadas e purificadas, e sustentam, miticamente e metafisicamente, uma fé de que a revolução nos espera na próxima esquina, logo, para que tanto energia gasta com a unidade.
Essa forma mecanicista de analisar a realidade está anos luz do marxismo revolucionário e passa longe da compreensão da totalidade e da complexidade  dos fenômenos históricos e sociais no contexto da luta de classes.
Não me leve a mal: Essa esquerda cuja principal base social em todo o  mundo é a pequeno burguesia não é, hoje, exatamente marxista, não porque são pequenos burgueses, mas por que agem e pensam como tal.
SUPOSTA “MILITANTE” SÍRIA ELOGIADA  EM SITIO DAS
 FORÇAS ARMADAS  DOS EUA !? O que pode significar isso?
No Brasil, uma dessas organizações abriu espaço em seu sítio e nos sindicatos no qual dirige para uma suposta “rebelde” síria. Uma mulher chamada Sara Al Suri  que conta uma estória redondinha, a mesma que lemos no Globo.
Essa mulher tem um espaço na mídia que o companheiro Latuf,  militante da causa palestina, não tem;  ou mesmo os grupos da comunidade síria identificados com a luta antimperialista e antisionista em seu país, não tem.
 Os movimentos sociais contra a remoção, as vítimas da violência policial, enfim, nada , nem nenhuma luta social, do interesse da classe trabalhadora, em nosso país,  tem o poder midiático desta mulher síria.
Ela surge no Brasil pronta e preparada  para dar entrevistas e fazer discursos redondinhos sobre a importância de apoiarmos os mercenários que querem destruir o Estado laico da Síria e transformá-lo  num domínio do grupo pró sionista  chamado Irmandade Muçulmana.
E , ainda afirma que se a Síria for destruída e o governo antimperialista cair, isso facilitará a vitória da Palestina Livre!!!???
Como, cara pálida,  que os aliados do sionismo, uma vez no governo da Síria, irão manter a ajuda que a  Síria dá atualmente aos militantes palestinos?Afinal, é  neste Estado laico, sob o governo de Bashar Al Assad, apoiado pela esmagadora maioria de seu próprio povo, que as diversas facções e braços armados das organizações palestinas recebem treinamento militar e armas para libertar a Palestina da ocupação sionista.
A derrota da Síria para os EUA e Israel, será a derrota da resistência pan-árabe e da maioria do povo sírio contra o que há de mais fascista e atrasado no Mundo árabe, expressos no grupo político da Irmandade Muçulmana.
Por tabela, será a derrota da luta pela Palestina Livre, que como disse um amigo palestino, militante e simpatizante da Fatah, “O custo da derrota Síria será o de voltar,  no mínimo, 50 anos para trás em nossa luta.”
Esta suposta síria, agente “humanitária e da democracia”, omite o fato que grande parte das forças de resistência palestina estão perfiladas na unidade ao lado do povo da Síria em defesa da soberania e independência do Estado sírio e do pan-arabismo, desde o início das tentativas de desestabilizar o governo e impor , de fora, um golpe de Estado.
A maior prova disso aconteceu em Yarmouk.
Nas últimas semanas do ano, em dezembro de 2012, os mercenários armados até os dentes entraram no Campo-cidade de Yarmouk, cidade/campo de refugiados palestinos na Síria, desde 1948, com o objetivo de fazer ali  uma carnificina,  mas foram surpreendidos pelos combatentes da  FPLP- CG que bravamente entraram em luta mortal, lado a lado com o Exército Árabe da Síria, para defender o povo e acabar com as intenções do famigerado e terrorista  ELS de fazer do campo uma base contra o Estado sírio.
O fato grave não é tanto o surgimento dessa mulher e sua estorinha redondinha isso faz parte da luta de classes, mas  o mais grave é que um grupo de esquerda, no Brasil,  não está somente apoiando politicamente a estratégia imperialista, com esta atitude, está promovendo a manipulação direta das massas, em unidade de ação com o imperialismo/sionismo. Não é a VEJA que está levando  uma agente “humanitária” a manipular nosso povo, é um partido de esquerda!
Alguém poderia dizer: Não há exagero nisso? Pois bem, camaradas, vamos aos fatos
O vídeo/conferência da tal Sara  foi encontrado no sitio das Forças Armadas dos EUA e, imediatamente, após ter encontrado, militantes postaram a denuncia no Facebook  Uma semana após a denúncia, feita no Brasil, o vídeo foi tirado do ar.
 Por sorte, copiamos algumas fotos do sítio,  postadas abaixo, já prevendo que fariam isto. Imaginem que as Forças Armadas imperialistas iriam querer atrapalhar o trabalho da agente Sara, sua aliada.
Denúncia e fotos postados no Facebook em 24 de dezembro:
“Ao mesmo tempo em que PRESTA HOMENAGEM ÀS FORÇAS FEMININAS DA IDF – Exército de Israel- em um vídeo intitulado ” Quem não gosta das mulheres da IDF” o site “Military .com.” das FORÇAS ARMADAS DOS EUA, ELOGIA  SARA AL SURI, que se reivindica ativista síria e explica ao site o que está acontecendo na Síria. Quem quiser conferir veja em :http://www.military.com/
 
 
 sara
A primeira foto, tirada do site Millitary.com (EUA), é de uma soldado judia do exército sionistas. Como era de se esperar de um sitio das Forças Armadas do imperialismo, este tem inúmeras matérias  onde exaltam a força e determinação do Exército de Israel e de suas belas soldados. A foto da direita  foi copiada do vídeo da suposta “ativista” síria publicada amplamente na Internet.
A foto abaixo foi copiada da página inicial do Military.com (EUA) : A primeira imagem é da Campanha  de recrutamento do Exército dos EUA, logo abaixo vem a chamada do vídeo da “rebelde” síria. 
 sara2
Aumentamos o tamanho da foto para que todos vejam o nome do sito indicado pela seta azul.
Na primeira semana do ano, uma semana após a denúncia ter circulado no facebook o vídeo foi tirado do ar, vejam:
Lamentamos, a página solicitada não pode ser encontrado. tente uma das seguintes opções: Utilize a caixa de pesquisa para encontrar o vídeo você está procurando ou check-out Military.com ‘s vídeos mais populares e vídeos em destaque . Military.com Entretenimento : Encontre o mais recente em filmes, jogos e muito mais! Confira os Mapa Entretenimentopara mais. Military.com Home Page : Confira alguns dos outros recursos em Military.com Military.com Mapa : Olhando para uma página específica ou tópico? Experimente o nosso mapa do site.
As denúncias não param por aí:
Canadense se alista no exército mercenário e diz que serão leais à Israel
 
 Qanfani
 Outra denúncia que desmascara a estratégia dos agenteshumanitários e democráticos”, que se dizem preocupados com o povo sírio e com os palestinos,  foi publicada no insuspeito (sionista) Jornal israelense Yane news, em novembro de 2012 , onde o jornalista exalta o perfil   de uma mulher síria identificada como “rebelde” de nome Thabia Qanfani, que vivia no Canadá e se “juntou” ao  mercenário exército livre,  fala abertamente, sem travas na língua, que “Israel vai se beneficiar de nos apoiar” solicita que “Israel deve nos apoiar na luta contra Assad”e que“vamos cooperar com o diabo se ele ajudar nossa causa”.
 
O Jornal conclui assim: ” Qafani diz que os membros da oposição síria e civis que ela conheceu “”todos dizem a mesma coisa. Nós não somos inimigos de Israel e não vamos prejudicá-lo, … podemos vir a ser mais leais a Israel do que Assad e seus comparsas.”” 
 
A entrevista completa pode ser lida em http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4318384,00.html 
Para terminar, e confirmando nossas preocupações sobre a gravíssima crise dos valores marxistas e leninistas de um pequeno setor da esquerda mundial, reproduzimos abaixo um trecho do discurso de um dirigente da LIT por ocasião de um ato comemorativo:
“O final do ato ficou por conta de Angel Luís Parras, o Cabeças, da direção do Corriente Roja da Espanha e da LIT. “A situação atual é muito complicada, mas muito apaixonante”, afirmou.”Temos assistido a explosão das revoluções do Norte da África e Oriente, fruto da crise econômica e ascenso popular, mas também fruto dessa mudança que foi o fim do aparato estalinista. Submetidos à miséria e à ditadura, os povos irromperam o cenário político”, citando a crise na Europa e as revoluções do Norte da África.
 
Cabeças atacou a posição de grande parte da esquerda e do castro-chavismo, de apoio ao ditador Assad na Síria.” 
Esse trecho do discurso é esclarecedor , em todos os sentido: A caracterização de que na Líbia (África)  houve explosões revolucionárias e sua origem é a crise econômica, ascenso popular e claro, o fim dos “stalinistas”. 
 
Na Líbia, em primeiro lugar, não havia crise econômica,  em segundo,  não houve nenhuma manifestação ou processo de organização de manifestações de massa, ou da classe trabalhadora e, em  terceiro, não havia nem organizações stalinistas, nem partidos comunistas desde o início da era Kadafi, mas ONGs , muitas, e redes sociais dirigidas desde o exterior. 
 
Além disso, o dirigente da LIT esqueceu de falar em seu discurso,  a única explosão  sentida pelo povo líbio não foi a revolução, e sim a explosão de toneladas de bombas da OTAN , massacrando as conquistas do povo e o próprio povo líbio (mais de 50 mil mortos).
 
 Em seu afã de provar que havia uma revolução onde, na verdade, acontecia uma contra revolução,  esqueceu também de contar que grupos de mercenários estupraram todas as mulheres que viam pela frente.  Devo dizer , que este foi um insignificante esquecimento na lógica  desses grupos.
O dirigente faz uso dos famosos e já rotineiros rótulos do tipo:  stalinistas,  castro-chavistas,  ditador Assad, sempre muito utilizados pelos que  reduzem e desejam  descartar a discussão, por que desqualifica de imediato uma opinião contrária, ou um debate franco para se chegar à compreensão dos processos ricos e complexos da realidade, não para nos gabarmos em discursos estéreis da academia, e sim  para melhor intervir na realidade, afim de transformá-la.
Entretanto, neste caso, lamentavelmente, o mais importante é a disputa dos aparatos e a superfície das análises e discussões.
Quero terminar essa contribuição ao debate sobre a crise política e  moral  refletida na prática do internacionalismo proletário de parte da esquerda mundial reproduzindo o final do discurso do dirigente da LIT, onde afirma a unidade com o imperialismo e expõe uma tentativa grotesca de falsear a história com comparações escandalosamente inapropriadas historicamente:
 Dizem que há uma unidade de ação entre os rebeldes e o imperialismo. Mas claro que houve. A mesma unidade de ação que houve no desembarque dos aliados na Normandia e os partisanos contra Mussolini”.
 
“Neste ato, queremos enviar uma saudação a nossos detratores: sigam convocando atos em defesa de Assad, pois a LIT continuará na resistência” provocou Cabeças. (texto completo pode ser encontrado no sítio dessa organização internacional)
Afirmam que continuarão na “resistência”, leia-se: continuarão mantendo a unidade com o imperialismo contra o povo sírio, contra as massas árabes e o pan-arabismo, contra o bloco antimperialista e contra a Palestina Livre! Tudo, claro em, nome dos valores democráticos burgueses.
Por sorte, uma parcela significativa da esquerda mundial, a mesma que está comprometida em fazer o balanço dos muitos erros cometidos pelos soviéticos, e os próprios, em seus países de origem, está  tentando a duras penas manter o timão apontado para o marxismo-leninismo. 
De nossa parte , vamos insistir na análise marxista da realidade, vamos insistir na posiçãoque nos dê a chance de alterar a realidade para ficar a nosso favor, a favor dos trabalhadores,  nunca contra e nunca em unidade com o inimigo!
Viva o povo da Líbia que resiste contra a barbárie prometida!
Viva a unidade do povo sírio , sua autodeterminação e soberania do Estado laico!
Viva a Palestina Livre!
Viva a unidade e a luta  pan-arábica contra o imperialismo, o sionismo, a OTAN, a UE !  
  

Blog “Somos todos Palestinos” confirma o que a LBI já denunciava: Militante “rebelde” síria patrocinada pelo PSTU/LIT é agente da CIA!


Por Liga Bolchevique Internacionalista

O Blog “Somos Todos Palestinos”, impulsionado pelo Comitê de Solidariedade a luta do povo palestino do Rio de Janeiro e outras entidades reconhecidas por sua larga trajetória de luta anti-imperialista, responsável por realizar várias atividades internacionalistas de denúncia à agressão das potências capitalistas contra a Palestina, Líbia, Síria e Irã, entre elas o ato político que a LBI ajudou a convocar em novembro de 2011 na capital fluminense, acaba de confirmar o que denunciávamos desde o ano passado: a militante “rebelde” síria patrocinada pelo PSTU/LIT, Sara Al Suri, é agente da CIA!
No artigo intitulado “Na Trincheira do inimigo” (30/01) os companheiros afirmam textualmente que “Ao mesmo tempo em que PRESTA HOMENAGEM ÀS FORÇAS FEMININAS DA IDF – Exército de Israel – em um vídeo intitulado ‘Quem não gosta das mulheres da IDF’ o site ‘Military.com.’ das FORÇAS ARMADAS DOS EUA, ELOGIA SARA AL SURI, que se reivindica ativista síria”

http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2013/01/na-trincheira-do-inimigo.html

Logo abaixo da denúncia, o blog postou a foto de Sara Al Suri junto de uma imagem da campanha de recrutamento do exército dos EUA (ver foto). Trata-se de um fato gravíssimo que ultrapassa a fronteira de classe e que exige uma resposta categórica de toda a esquerda que se reivindica anti-imperialista, já que estamos diante de uma reconhecida agente do imperialismo sendo apresentada como “revolucionária” pelo PSTU-LIT.
A afirmação do Blog “Somos Todos Palestinos” reforça plenamente a denúncia que fizemos ainda em novembro de 2012, quando a LBI publicou o artigo intitulado “Enclave terrorista de Israel ataca a Síria após 40 anos da rapina de Golã.
Enquanto isto, no Brasil, o PSTU promove jornada de debates com militante “rebelde” pró-sionista” em que declaramos: “As palavras e os atos de Israel mostram claramente o apoio da máquina de guerra sionista aos ‘rebeldes’ pró-imperialistas, colocando os revisionistas do trotskismo, como a LIT, no mesmo campo político e militar dos carniceiros nazi-sionistas Netanyahu e Ehud Barak! Não por acaso, enquanto Israel ataca a Síria, o PSTU promove no Brasil uma ‘jornada de debates’ com a militante ‘rebelde’ pró-sionista Sara Al Suri, que defende junto com Israel e os (muy) ‘amigos da Síria’ patrocinados pela víbora madame Clinton, a queda da ‘ditadura sanguinária’ de Bashar Al Assad!”
No mesmo texto, o Blog “Somos Todos Palestinos” critica abertamente o PSTU/LIT ao afirmar que: “No Brasil, uma dessas organizações abriu espaço em seu sítio e nos sindicatos no qual dirige para uma suposta ‘rebelde’ síria.
Uma mulher chamada Sara Al Suri que conta uma estória redondinha, a mesma que lemos no Globo.
 Essa mulher tem um espaço na mídia que o companheiro Latuf, militante da causa palestina, não tem; ou mesmo os grupos da comunidade síria identificados com a luta antimperialista e antisionista em seu país, não tem…
Ela surge no Brasil pronta e preparada para dar entrevistas e fazer discursos redondinhos sobre a importância de apoiarmos os mercenários que querem destruir o Estado laico da Síria e transformá-lo num domínio do grupo pró-sionista chamado Irmandade Muçulmana.
E, ainda afirma que se a Síria for destruída e o governo anti-imperialista cair, isso facilitará a vitória da Palestina Livre!!!???…
O fato grave não é tanto o surgimento dessa mulher e sua estorinha redondinha isso faz parte da luta de classes, mas o mais grave é que um grupo de esquerda, no Brasil, não está somente apoiando politicamente a estratégia imperialista, com esta atitude, está promovendo a manipulação direta das massas, em unidade de ação com o imperialismo/sionismo.
Não é a VEJA que está levando uma agente ‘humanitária’ a manipular nosso povo, é um partido de esquerda”. De fato, o exemplo citado pelos companheiros confirma o alto grau de corrupção política e material do PSTU-LIT, como em diversos artigos e debates a LBI denunciou.
O Blog “Somos Todos Palestinos” colocou um debate ainda mais profundo e crucial para a esquerda marxista revolucionária, uma discussão central que a LBI já vinha insistindo.
Os companheiros declaram que “As posições políticas alinhadas com o imperialismo não podem mais ser tratadas como diferenças táticas, a crise com os valores marxistas/leninistas de certos setores da esquerda mundial está tomando proporções assustadoras e criminosas, que afetam a correlação de forças na luta de classe, na medida que manipula um setor importante da vanguarda e da juventude com suas posições contaminadas pelo inimigo, e afetam, sobremaneira, a prática da solidariedade internacionalista à luta dos povos oprimidos contra o capital e o imperialismo.
Em particular, afeta, no Oriente, sobretudo, à luta pela Palestina Livre”. Não é demais lembrar que a LBI em artigo intitulado “As ‘provas’ de como a LIT vende seus serviços ao imperialismo ianque na Síria” (05/01/12) acusou publicamente o ILAESE, “instituto” sindical ligado a LIT, de receber uma “pontinha” do Departamento de Estado dos EUA para, desde a trincheira da “esquerda”, apoiar a política de “transição democrática” conservadora da Casa Branca no Oriente Médio, usando como cortina de fumaça o apoio dos cretinos morenistas à fantasiosa “revolução árabe” na região.
Neste momento de profunda polarização na Síria os elementos “probatórios” começavam a ficar mais claros!
Agora, essas verdadeiras confissões políticas estão mais do que evidentes não só nas pérolas que a LIT e seu “instituto” vem escrevendo, mas sobretudo no fato de o PSTU patrocinar uma agente da CIA, fazendo palestras com ela nos sindicatos que controla!!! Tal conduta escandalosa ocorre justamente porque a LIT defende a unidade tática com a OTAN contra Assad.
No artigo intitulado “Síria e a desastrosa missão da Liga Árabe” (sítio PSTU, 02/01/12) chama atenção que a LIT declare textualmente, reproduzindo as informações das agências de notícias comandadas pela CIA e o Pentágono que “a entidade de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou as autoridades sírias de transferirem centenas de presos para instalações militares inacessíveis aos observadores da Liga Árabe.

 Muitos destes presos estão escondidos em centros de detenção e até em contêineres carregados em navios no mar e correm o risco de serem executados”.
 Não é novidade para ninguém que a HRW, especialista em condenar Cuba é a mesma ONG que emitiu relatórios que serviram como pretexto para a intervenção militar “humanitária” da OTAN na Líbia, é apresentada como fonte segura e confiável pelos morenistas.
Só quem recebe alguma “gorjeta” para isso pode reproduzir uma informação descaradamente falsa, um factoide midiático ao estilo dos “bombardeios de Kadaffi contra a população indefesa”, comprovadamente inexistentes, mas divulgados como verdade pela HRW, a Fox News, a CNN e a… LIT!

Mas não param por aí as “provas” de que a LIT está prestando serviço para o império, fato agora reforçado com fotos de Sara Al Suri e matérias elogiosas a ela no site das forças armadas ianques!!!
Está explicado porque esta corrente escreve fartas e generosas linhas defendendo os mercenários do “Exército livre da Síria” (FSA em inglês) pintando esse grupo que atua sob a coordenação da Turquia, Arábia Saudita, do Mossad e da própria CIA como uma força revolucionária “libertadora”: “Os batalhões FSA também atuam como forças de defesa nos bairros de oposição ao governo, guardando as ruas, enquanto os protestos ocorrem.

A maior concentração dessas forças parece estar na região central (Homs, Hama, e zonas circundantes)” (sítio PSTU, 02/01/12).
Uma corrente política que defende abertamente as forças financiadas e armadas pelo imperialismo em conjunto com seus aliados regionais sionistas só pode ser denunciada como agente do Pentágono, ainda mais agora que trouxe para o Brasil uma agente direta do imperialismo!
Existe outro “qualificativo” para tal conduta venal e corrompida? Achamos sinceramente que até para os mais cautelosos que “equívoco” ou “miopia política” já não cabem para caracterizar tamanha calhordice dessa política contrarrevolucionária da LIT, afinal de contas cremos que travamos um debate no terreno do materialismo dialético!
Para os (poucos) que ainda acreditam que se trata “apenas” de um “desvio político” da LIT e não de uma clara corrupção política e material, os morenistas ainda pedem que a OTAN e seus satélites do Conselho de Cooperação do Golfo (CGC) armem o FSA e intervenha militarmente na Síria.
Vamos citar o trecho do artigo em que esta corrente faz rasgados elogios ao bando mercenário, pontuando suas “necessidades” militares para derrubar Assad. O porta-voz da LIT nos relata que “Como são soldados desertores, lhes falta cobertura aérea…
Pedem à comunidade internacional armas para que possam combater e proteger o povo sírio. Aparentemente, somente os combatentes líbios responderam a este chamado. Há informações que os líbios estão fornecendo dinheiro, armas e treinamento da FSA”.
Para o bom entendedor meia palavra basta, mas aqui a LIT faz questão de ser clara: torna as demandas do FSA sua própria política pedindo uma “cobertura aérea” em seu auxílio, eufemismo que significa bombardeios dos caças da OTAN ou de aliados regionais para apoiar as ações por terra da oposição de direita.

Também reivindica que a “comunidade internacional”, leia-se o imperialismo, lhes remeta armas o mais rápido possível, o que já vem fazendo como é reconhecido publicamente por Obama!
Não por acaso, a LIT registra que os “ex-rebeldes” líbios do CNT, armados até os dentes em sua caçada covarde aos combatentes de Kadaffi, pelas potências capitalistas e depois de concluída sua missão macabra agora estão ajudando os seus “companheiros” sírios a fazerem o mesmo com o governo da oligarquia Assad!
 Como se vê, trata-se de um apoio explícito aos planos traçados nos sinistros gabinetes da Casa Branca, um verdadeiro recibo político a quem servem os morenistas!
O fato do PSTU-LIT patrocinar uma agente da CIA não deixa margem para dúvidas de que esta corrente ultrapassou o rubicão de classe, devendo ser duramente combatida pelos marxistas revolucionários!
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O que é Social Democracia?

O que é “Social-Democracia”?

 Social Democracia

Social-Democracia é uma ideologia política de esquerda surgida no fim do século XIX por partidários do marxismo que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista poderia ocorrer sem uma revolução, mas por meio de uma evolução democrática.

 

A ideologia social-democrata prega uma gradual reforma legislativa do sistema capitalista a fim de torná-lo mais igualitário, geralmente tendo em meta uma sociedade socialista.

 

O conceito de social-democracia tem mudado com o passar das décadas desde sua introdução.

 

A diferença fundamental entre a social-democracia e outras formas de socialismo, como o marxismo ortodoxo, é a crença na supremacia da ação política em contraste à supremacia da ação econômica ou determinismo econômico sócio industrial. Isto ocorre desde o século XIX.

 

Historicamente, os partidos social-democratas advogaram o socialismo de maneira estrita, a ser atingido através da luta de classes.

No início do século XX, entretanto, vários partidos socialistas começaram a rejeitar a revolução e outras idéias tradicionais do marxismo como a luta de classes, e passaram a adquirir posições mais moderadas.

Essas posições mais moderadas incluíram uma crença de que o reformismo era uma maneira possível de atingir o socialismo.

 

No entanto, a social-democracia moderna desviou-se do socialismo, gerando adeptos da idéia de um Estado de bem-estar social democrático, incorporando elementos tanto do socialismo como do capitalismo.

 

Os social-democratas tentam reformar o capitalismo democraticamente através de regulação estatal e da criação de programas que diminuem ou eliminem as injustiças sociais inerentes ao capitalismo, tais como Bolsa Família e Opportunity NYC.

 

Esta abordagem difere significativamente do socialismo tradicional, que tem como objetivo substituir o sistema capitalista inteiramente por um novo sistema econômico caracterizado pela propriedade coletiva dos meios de produção pelos trabalhadores.

 

Atualmente em vários países, os social-democratas atuam em conjunto com os socialistas democráticos, que se situam à esquerda da social-democracia no espectro político.

 

No final do século XX, alguns partidos social-democratas, como o Partido Trabalhista britânico, o Partido Social-Democrata da Alemanha e o Partido da Social-Democracia Brasileira começaram a flertar com políticas econômicas liberais, originando o que foi caracterizado de “Terceira Via”. Isto gerou, além de grande controvérsia, uma grave crise de identidade entre os membros e eleitores desses partidos.

 

HISTÓRIA

 

Pré-Segunda Guerra Mundial

 

Muitos partidos da segunda metade do século XIX se definiam como sendo sociais democratas, tais como a Associação Geral dos Trabalhadores Alemães, o Partido Social Democrata dos Trabalhadores da Alemanha (que se fundiram para dar origem ao Partido Social-Democrata da Alemanha ou SPD), a Federação Social Democrata Britânica e o Partido Operário Social-Democrata Russo.

 

Na maioria dos casos, estes partidos eram declaradamente socialistas revolucionários, visando não só introduzir o socialismo, mas também a democracia em nações com poucas instituições democráticas.

 

A maioria destes partidos era influenciada pelas obras de Karl Marx e Friedrich Engels, que na época estavam trabalhando para influenciar a política européia continental em Londres.

 

O movimento social democrata moderno se concretizou através de uma ruptura no movimento socialista no início do século XX. Em linhas gerais, esta ruptura se originou na divisão de crenças entre aqueles que insistiam na revolução política como pré-condição para atingir o socialismo e os que defendiam que era possível e desejável atingir o socialismo através de uma evolução política gradual.

 

Muitos movimentos relacionados, como o pacifismo, o anarquismo e o sindicalismo começaram a irromper em todo o mundo na mesma época; estes grupos eram, muitas vezes, formados por indivíduos que se separaram do movimento socialista preexistente e mantinham uma série de objeções diferentes ao marxismo ortodoxo.

 

Os social-democratas, que fundaram as principais organizações socialistas da época, não rejeitavam o marxismo.

Um número significativo de indivíduos no movimento social democrata queria revisar alguns dos raciocínios de Marx, a fim de promulgar uma crítica menos hostil ao capitalismo.

Eles argumentavam que o socialismo deveria ser atingido através da evolução da sociedade, ao invés da revolução. De fato, Marx havia declarado ser possível estabelecer o comunismo ou socialismo por uma revolução pacífica e democrática em alguns países.

 

Essa idéia também foi avançada por Friedrich Engels e, principalmente, por Karl Kautsky.

O revisionismo também buscava alterar alguns pontos teóricos básicos do marxismo, principalmente devido à influência do darwinismo e de Immanuel Kant.

Esta visão era fortemente condenada pelos socialistas revolucionários, que argumentavam que qualquer tentativa de reformar o capitalismo estava fadada ao fracasso, uma vez que os reformistas seriam gradualmente corrompidos e, eventualmente, se transformariam em capitalistas eles próprios.

 

Apesar das diferenças, os reformistas e os socialistas revolucionários permaneceram unidos durante a Segunda Internacional até a eclosão da Primeira Guerra Mundial.

Uma opinião dissonante sobre a legitimidade da guerra provou ser a gota d’água desta união tênue.

 

Os socialistas reformistas apoiavam seus respectivos governos nacionais na guerra, um fato que foi visto pelos socialistas revolucionários como as traições definitivas contra a classe trabalhadora.

 

Os socialistas revolucionários acreditavam que esta postura traiu o princípio de que os trabalhadores de todas as nações deveriam unir-se na derrubada do capitalismo, e lamentaram o fato de que geralmente as pessoas de classes mais baixas é que são as enviadas para lutar e morrer na guerra.

 

Discussões amargas surgiram dentro dos partidos socialistas, como por exemplo, entre Eduard Bernstein, líder socialista reformista, e Rosa Luxemburgo, líder dos socialistas revolucionários, dentro do SPD na Alemanha.

 

Eventualmente, após a Revolução Russa de 1917, a maioria dos partidos socialistas do mundo se viram fraturados.

 

Os socialistas reformistas mantiveram o nome de social democrata, enquanto que os socialistas revolucionários começaram a chamar a si mesmos de comunistas, formando o movimento comunista moderno.

 

Estes partidos comunistas logo formaram uma internacional exclusiva deles, a Terceira Internacional, conhecida mundialmente como Comintern.

 

Na década de 1920, as diferenças doutrinárias entre os sociais democratas e os comunistas de todas as facções (marxistas ortodoxos, como os bolcheviques) tinham solidificado. Estas diferenças só se tornaram cada vez mais dramáticas com o passar dos anos.

 

Pós-Segunda Guerra Mundial

Após a Segunda Guerra Mundial, na seqüência da cisão entre os social-democratas e comunistas, outra divisão surgiu no âmbito do próprio movimento social democrata.

Os que acreditavam que ainda era necessário abolir o capitalismo (sem revolução) e substituí-lo por um sistema socialista democrático através da via parlamentar se opunham àqueles que acreditavam que o sistema capitalista poderia ser mantido, mas precisava de uma reforma drástica, como a nacionalização das grandes empresas, a implementação de programas sociais (educação pública, sistema de saúde universal, e assim por diante) e a redistribuição parcial de riqueza através da criação de um estado de bem-estar permanente baseado na tributação progressiva.

 

Eventualmente, a maioria dos partidos social democratas se viram dominados pela última visão e na era pós-Segunda Guerra Mundial abandonaram por completo o compromisso de abolir o capitalismo.

Por exemplo, em 1959, o SPD aprovou o Programa Godesberg, que rejeitou a luta de classes e o marxismo.

 

Enquanto os termos “social democrata” e “socialista democrático” continuaram a ser utilizados de forma indiscriminada desde então, até a década de 1990, no mundo anglófono, pelo menos, os termos ainda denominavam, respectivamente, adeptos da visão de que não era mais necessário implementar o socialismo e de que ainda era necessário implementar o socialismo.

 

Na Itália, o Partido Socialista Democrático Italiano, fundado em 1947, deu as bases para aquilo que ficaria mais tarde conhecido como “Terceira Via”; uma aliança dos sociais democratas com os partidos de centro.

 

Desde o final da década de 1980, com a queda do Muro de Berlim, vários partidos sociais democratas tradicionais adotaram a “Terceira Via”, tanto formalmente quanto na prática.

 

No Brasil, o Partido da Social Democracia Brasileira surge como um partido de “Terceira Via” propriamente dito, desconectado de sindicatos ou outros movimentos trabalhistas, diferentemente dos partidos sociais democratas tradicionais.

 

Os sociais democratas modernos são, em geral, a favor de uma economia mista, o que é capitalista sob vários aspectos, mas defendem explicitamente o suprimento governamental de certos serviços sociais.

 

Muitos partidos sociais democratas trocaram seus objetivos tradicionais de justiça social para questões como direitos humanos e preservação ambiental.

 

Nisto, estão enfrentando um desafio crescente dos Partidos Verdes, que vêem a ecologia como fundamental para a paz, exigindo uma reforma da fonte de capital e promovendo medidas de segurança para garantir um comércio que não fira a integridade ecológica.

 

Em países como a Alemanha, a Noruega e a Suécia, os Verdes e Sociais Democratas cooperam em alianças chamadas de “vermelha-verde”.

 

Na eleição de 2010 no Brasil, os verdes demonstraram ainda não serem capazes de impor a sua identidade.

 

Em diversos estados do país se apresentaram divididos após o primeiro turno. Importantes lideranças declararam apoio a Dilma Roussef, petista e outros enxergaram na eleição de Serra (frustrada) a possibilidade de um governo dentro do seu programa.

Definição

A Internacional Socialista definiu a social-democracia como forma ideal de democracia representativa, que pode solucionar os problemas encontrados numa democracia liberal, enfatizando os seguintes princípios para construir um estado de bem-estar social: primeiro, a liberdade inclui não somente as liberdades individuais, entendendo-se por “liberdade” também o direito a não ser discriminado e de não ser submisso aos proprietários dos meios de produção e detentores de poder político abusivo.

Segundo, deve haver igualdade e justiça social, não somente perante a lei mas também em termos econômicos e socioculturais, o que permite oportunidades iguais para todos, incluindo aqueles desfavorecidos física, social ou mentalmente.

Finalmente, defende-se ser fundamental que haja solidariedade e que seja desenvolvido um senso de compaixão pelas vítimas da injustiça e desigualdade.

Críticas

Para Lênin, o revisionismo era uma das manifestações de um capitalismo burguês e reacionário, pois negava a revolução e a democracia proletária em troca de uma democracia burguesa que apenas mascara a luta de classes e, portanto, as idéias socialista e igualitárias de Marx e Engels.

 

Os pensadores Kautsky e Eduard Bernstein, principais teóricos da social-democracia, foram duramente atacados por Lênin, que os acusou de deturparem a teoria marxista e traírem o movimento proletário, sendo que o primeiro foi considerado “renegado” pelo revolucionário russo.

 

O filósofo e pensador Walter Benjamin considerou a social-democracia duplamente culpada pela ascensão do nazismo na Alemanha, pois ela menosprezou o movimento fascista emergente na Europa, definindo-o como um simples espasmo do capitalismo já declinante.

 

Outro erro da social-democracia, para Benjamin, foi criticar o comunismo como um movimento que precipita as revoluções, criando atritos e desarticulando os dois partidos de esquerda que, unidos, poderiam fazer frente ao avanço nazista na Alemanha.

Brasil

No Brasil, apenas um partido político – o Partido Democrático Trabalhista (PDT) – integra a Internacional Socialista, órgão que reúne partidos identificados como representantes da ideologia social-democrata em todo o mundo.

 

O principal líder do PDT, Leonel Brizola, fundou o partido após ter perdido na Justiça o direito de usar a sigla do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – partido de Getúlio Vargas extinto após o golpe de 1964 – para Ivete Vargas, sobrinha de Getúlio.

O PTB também se define como representante da social-democracia, apesar de ser considerado atualmente um partido de centro-direita.

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) é o único partido do país a trazer a nomenclatura social-democracia em sua legenda.

 

É representante da terceira via, atuando em defesa de uma proposta social-democrata de menor controle estatal sobre a economia.

Entre suas ações enquanto governo estiveram a privatização de alguns setores estatais, o fortalecimento das agências reguladoras, a redução de gastos públicos, a defesa do direito à propriedade intelectual e a implementação do Bolsa Escola no âmbito federal.

 

O PSDB foi responsável, também, no Governo FHC, pelo maior programa de Reforma Agrária da História do Brasil. [carece de fontes]

 

Por influência de Brizola, o PSDB foi rejeitado na Internacional Socialista, sob a alegação de que se aliara à direita (PFL) para governar.

 

O maior rival do PSDB no cenário político brasileiro é o Partido dos Trabalhadores (PT). Partidos de origem semelhante, se distanciaram na prática política. Ao contrário do PSDB, o PT, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), nasceu com ampla base operária.

 

Histórico defensor do socialismo por vias democráticas, a atuação do PT no governo federal, onde faz a defesa de maior controle estatal sob a economia e de programas de assistência social como o Bolsa Família, fez com que especialistas identificassem o PT como um partido social-democrata, apesar da resistência de membros do partido de se auto-intitularem como tal.

 

De fato, durante os últimos anos do governo Lula cresceu novamente a força do grupo dentro do partido que ainda defende a “utopia socialista” como objetivo final de sua luta.

 

Os quatro partidos citados acima estão entre os seis maiores do país, com mais de um milhão de filiados cada.

 

Há também outros partidos menores que se auto-declaram representantes da social-democracia, como o Partido Popular Socialista (PPS).

 

Cresce em importância o Partido Socialista Brasileiro (PSB), que na eleição de 2010 elegeu 6 dos 27 governadores do Pais.

 

Fonte: Wikipédia (Enciclopédia Livre da Internet).