Diante do distracionismo e da confusão política: Debater um programa revolucionário para a ação direta do movimento de massas

Editorial da Liga Bolchevique Internacionalista

Atravessamos um momento de “esfriamento” das mobilizações populares que sacudiram o país em junho.
Os atomizados protestos ainda em curso agora ganham um caráter de reivindicações corporativas, em uma espécie de “ressaca” das multitudinárias marchas que tomaram conta das ruas no mês passado.
Aos poucos o “gigante” vai adormecendo novamente e os noticiários na TV, que antes “cobriam” as manifestações para impor uma pauta direitista aos protestos, agora tratam das disputas interburguesas no marco do natimorto plebiscito proposto pelo governo Dilma.
Longe do clima de “rebelião popular” permanente que a esquerda revisionista sonhava, vemos o conjunto do establischment político lentamente costurando o retorno a “normalidade” da ordem burguesa.
Para alguns há a expectativa que este quadro possa ser alterado como o “dia nacional de luta” marcado para 11 de julho.
Desde a LBI afirmamos que se trata justamente do contrário!
Longe de ser um ponto de ponto de apoio para retomar as manifestações a fim de aprofundar a crise do regime político burguês, o arremedo de “greve geral” convocado pela burocracia sindical de “direita” e “esquerda” (CUT, CTB e Conlutas) visa justamente descomprimir a “puteza” de suas bases e seguir no calendário “ordinário” das campanhas salariais economicistas, “ordeiras e pacíficas” e sem nenhum caráter político neste segundo semestre.
O distracionismo fomentado pela frente popular em torno da farsa do plebiscito e a própria confusão política que marcou os rumos das mobilizações, carentes de uma direção classista e um programa revolucionário, deixaram neste momento um tremendo vazio político na honesta vanguarda militante, já que a resolução das verdadeiras demandas populares presentes nos protestos obviamente estão pendentes.
Frente a esta realidade, os marxistas leninistas compreendem que é necessário debater pacientemente um programa transitório revolucionário para a ação direta do movimento de massas, já que se encontra bastante vivo entre os trabalhadores e o povo pobre o sentimento de que é possível aprofundar o esgotamento do atual regime político através de sua luta direta nas ruas, fábricas, nas escolas e no campo.
Neste sentido, como passo inicial deste processo, apresentamos alguns temas candentes que compreendemos fundamentais para esta discussão, que longe de um caráter diletante, deve estar voltada para a intervenção dos ativistas classistas, militantes revolucionários e para o conjunto do movimento de massas no próximo período.

Em primeiro lugar, o movimento operário deve dotar seu combate de classe de um caráter internacional e levantar eixo político a luta contra o imperialismo e a recolonização nacional.
O quadro de submissão do Brasil ao imperialismo está presente em todos os campos da vida nacional, na economia, política e na cultura.
As metrópoles imperialistas, tendo a frente os EUA e a União Europeia, através de seus governos e das grandes corporações impõe a divisão internacional do trabalho, reservando ao Brasil o papel de semicolônia, exportadora de commodities agrominerais, ao mesmo tempo em que desovam seus produtos manufaturados no país, via nosso enorme mercado consumidor.
Este controle impossibilita qualquer traço de soberania nacional e independência política, já que a burguesia nativa é sócia menor do imperialismo.
Frente a esta realidade é preciso romper o verdadeiro “pacto colonial” que atrasa o desenvolvimento nacional, com os trabalhadores sendo vanguarda deste processo defendendo a expropriação das grandes empresas transnacionais sob o controle operário, o fim da remessa dos lucros para as matrizes centrais e o não pagamento da dívida interna e externa.
Ao mesmo tempo, o imperialismo tem aprofundado sua ofensiva política e militar contra países não alinhados diretamente com a Casa Branca e a UE, como vimos na agressão da OTAN à Líbia.
O combate a esta sanha passa por estabelecer uma frente única com as nações atrasadas, governos e forças políticas atacadas pelo imperialismo e seus agentes internos e externos.
No Brasil, o governo da centro-esquerda burguesa comandado pelo PT, é completamente incapaz de enfrentar as investidas do imperialismo, como vimos recentemente com sua conduta vergonhosa frente ao “sequestro” do presidente boliviano Evo Morales ou diante do episódio da espionagem da CIA no Brasil.
Portanto, a tarefa do combate anti-imperialista esta nas mãos da classe operária e seus aliados, o campesinato pobre e a juventude plebeia, que precisa no calor da luta tiras as lições programáticas para superar a política da frente popular, refém da covarde burguesia nativa.

Como parte desta cadeia de submissão do país aos interesses dos grandes monopólios capitalistas, o capital financeiro parasita a economia nacional.
Os rentistas sempre pressionam por taxas de juros (SELIC) para manterem suas gigantes margens de valorização do capital e a especulação nas bolsas de valores.
Neste marco, o governo da Frente Popular vem atuando como legítimo representante do capital financeiro e do agronegócio não tomando nenhuma medida efetiva no combate à especulação cambial, ao contrário, caminha na direção oposta entregando o patrimônio nacional do país nas mãos dos grandes trustes imperialistas.
A gerência do PT, pela sua própria natureza de classe, é incapaz de interromper a desnacionalização de nossa economia e adotar medidas elementares em defesa de nossa moeda, como o controle cambial e de remessa de lucros, assim como a estatização do sistema financeiro nacional, com um banco estatal único controlado pelos trabalhadores.
Somente a classe operária e suas organizações políticas revolucionárias são capazes de realizar as tarefas democrático-burguesas pendentes, em plena etapa de decadência capitalista mundial.
Os rentistas internacionais tem se aproveitado da crise política atual forçando uma sobrealta do Dólar no Brasil, atingindo o mesmo patamar alcançado na crise mundial de 2009, em pleno crash financeiro mundial.
Vale ressaltar que a “gordura” de mais de trezentos bilhões de dólares em reservas do Tesouro é uma das principais ancoras da estabilidade econômica brasileira, o maior símbolo financeiro dos governos da Frente Popular, que permitiu a enorme expansão de crédito no país.
Atacar esta “fortaleza” do Brasil significa uma aposta dos rentistas internacionais na instabilidade política e crise econômica, gerando uma pressão inflacionária artificial às vésperas das eleições gerais de 2014 e no meio de uma conjuntura altamente explosiva.
Um país realmente soberano deve sim ter uma política de controle de divisas, estabelecendo as chamadas bandas cambiais com um piso e um teto pré-estabelecido pela autoridade do BC.
Somado a estas medidas o governo deveria confiscar todos os ativos financeiros dos agiotas do mercado que lucram fortunas “apostando” na quebra do país, através do superendividamento mobiliário.
Somente através da completa estatização da banca será possível induzir o país a uma política soberana de desenvolvimento econômico.
Mas este submisso governo do PT sequer elabora um projeto “nacional” de crescimento capitalista (como China e Rússia), seguindo a cartilha do neomonetarismo imposta por Washington.
O resultado concreto é o atraso e reprodução das velhas estruturas semicoloniais, que no máximo permitem uma evolução anual média do PIB na ordem de 3%, “pibinho”.
Por sua vez, ao contrário do que afirma a esquerda reformista, a redução dos juros nunca foi uma bandeira da classe operária, que por sinal sempre perde na adoção das políticas de redução das taxas de remuneração financeira, seja em seu FGTS ou em sua pequena caderneta de poupança.
Outra questão completamente distinta é fazer coro em bloco com os rentistas pela elevação dos juros.
Os marxistas revolucionários devem manter completa independência política da burguesia industrial em sua cruzada pelos juros baixos concedido às grandes empresas.
Os trabalhadores devem sim exigir uma política estatal de juros negativos, subsidiados pelo caixa do Tesouro Nacional, para os pequenos produtores e comerciantes, conectando esta reivindicação à luta direta pela estatização do sistema financeiro, sem nenhuma indenização aos rentistas e parasitas do mercado de capitais.
Somente com esta plataforma transicional o proletariado manterá sua autonomia de classe diante do cabo de guerra entre a burguesia financeira e industrial, uma disputa patronal onde sempre sai perdendo, independente da ala capitalista vitoriosa.

Aliada dos rentistas e do poder estatal, a mídia “murdochiana” é uma peça chave para impor os interesses do capital financeiro, dos industriais e da grande burguesia.
O PIG, tendo a frente à Rede Globo, representa o “quarto poder” da República.
Na verdade, a relação promíscua entre os grandes grupos de comunicação e o Estado burguês vai bem mais além das aparências.
A mídia capitalista funciona como um verdadeiro aparelho ideológico do Estado, independente da coloração política do governo (gerente) de plantão.
Em uma etapa histórica onde a ausência de referências socialistas, que foi agravada com a destruição contrarrevolucionária da União Soviética, a formação de uma “opinião pública” alienada e banal pela mídia capitalista passou a ser sua função estratégica para sedimentar a dominação de classe.
A “informação” dada pela grande imprensa, longe de ser imparcial, não passa de um cardápio ideológico burguês, preparado segundo as “melhores” receitas da elite mais reacionária, como vimos nas coberturas da TV durante os protestos.
Não por acaso, a mídia burguesa acusou os setores mais radicalizados nas manifestações de serem “vândalos e baderneiros” aplaudindo o pacifismo domesticado que tanto lhe agrada.
Por esta razão, o movimento de massas deve levantar a bandeira do fim do monopólio capitalista dos meios de comunicação.
É impossível existir uma “mídia independente” dos grandes monopólios dos meios de comunicação, sem a ruptura revolucionária das massas com o Estado burguês e a expropriação dos meios de comunicação capitalistas, que manipulam a população segundo seus interesses de classe, como fazem corriqueiramente a revista Veja e a Rede Globo, assim como os aliados da frente popular, a exemplo da Rede Record ou do SBT.
A defesa do marco regulatório como a via para a “democratização das mídias” (jornal, revista, TV e internet) não passa de uma burla na medida em que visa um acordo político e econômico com o grande capital que controla o setor, reservando uma parcela do orçamento estatal para beneficiar os grupos jornalistas burgueses minoritários e as chamadas “mídias alternativas”, como os blogs “chapa branca”, que apoiam incondicionalmente o governo da frente popular.
Distribuindo verbas federais a seus novos aliados na mídia e ao mesmo tempo mantendo intocáveis os “velhos” grupos de comunicação, o PT pretende fazer “média” com sua base social vendendo o conto que está estimulando a “concorrência em nome da democracia”, quando na verdade apenas está investindo pesado em complexos burgueses de comunicação “alternativos” à mídia demo-tucana com o objetivo de melhor preservar seu governo de colaboração de classes para manter a estabilidade do regime da democracia dos ricos e seus esquemas de corrupção.
A campanha a favor de uma tímida regulação da grande mídia burguesa serve apenas como uma medida preventiva contra novas investidas da “Veja”, Época”, “Folha”, “Estadão” ao governo petista e seus aliados.
Esse fato demonstra que o PT e o governo da frente popular pela sua natureza de classe é completamente refém da mídia capitalista, sendo incapaz de tomar qualquer medida consequente contra esta e seus “barões”.
A única forma de ter uma mídia comprometida com os interesses dos trabalhadores e do povo pobre é lutando pela liquidação do próprio Estado burguês, que através da grande mídia aliena as massas para manter a exploração capitalista e a hegemonia do imperialismo sobre os povos do planeta.
A vanguarda classista do proletariado deve se armar de um programa revolucionário que contemple o combate radical aos monopólios capitalistas de comunicação e denunciar a manipulação das “redes sociais” pelo imperialismo, como o Facebook, controlado pela CIA.

Em momentos de crise, os capitalistas jogam sobre os ombros dos trabalhadores o ônus da crise para manter seus superlucros e a exploração patronais.
Uma das medidas mais comuns é a demissão, acompanhada com o aumento da produtividade e o ataque aos direitos trabalhistas, explorando ainda mais os trabalhadores.
Vimos recentemente às demissões na GM e o projeto do Acordo Coletivo Específico (ACE) para retirar direitos.
O movimento operário deve aproveitar a onda de protestos em curso e as campanhas salariais do segundo semestre para desenvolver uma verdadeira campanha contra o desemprego, pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e sem banco de horas.
Para barrar os ataques do governo Dilma e dos patrões a fim de flexibilizar direitos trabalhistas é necessário à construção de um plano de lutas unitário que aponte para um programa operário e anticapitalista: salário-mínimo vital, aumento geral dos salários, contra as demissões e o arrocho salarial, ocupação das empresas que demitirem em massa ou falirem, exigindo a sua estatização sob controle dos trabalhadores; pelo controle operário da produção, repartição das horas trabalhadas com os operários desempregados, através da redução da jornada de trabalho sem redução salarial, utilizando a escala móvel de salários; Fim dos selvagens ritmos de produção, pela formação de comitês de fábrica que estabeleçam tetos de produtividade para absorver a mão de obra desempregada; Formar comitês de trabalhadores demitidos, sustentados financeiramente pelos sindicatos, até que possam impor a efetivação da repartição das horas de trabalho, Reposição das perdas salariais.
Estas reivindicações servem de base para a convocação de uma verdadeira Greve Geral, que inicialmente pode paralisar a produção nacional, os bancos, serviços e o transporte por 48hs, superando assim os limites do dia nacional de “luta” marcado pela burocracia sindical para este dia 11 de julho.

No campo, onde os sem-terra, assalariados agrícolas e camponeses pobres são explorados pelos latifundiários e as agroindústrias faz-se necessário defender a Revolução Agrária, com a expropriação do latifúndio produtivo e do agronegócio, sob o controle dos trabalhadores.
É preciso apoiar vigorosamente as mobilizações e lutas dos sem-terra, mas para que sejamos realmente vitoriosos, para que conquistemos um país livre do jugo imperialista, onde os interesses do proletariado e do campesinato pobre se transformem em poder político, onde as massas tenham emprego e plenas condições de vida é necessário não “mudar o modelo econômico” de neoliberal para nacional-desenvolvimentista como prega a direção do MST, mas expropriar a burguesia e seus aliados, através do levante revolucionário das massas da cidade e do campo.
O MST propõe suspender a dívida externa e controlar o capital especulativo, barrar as privatizações das empresas estatais estratégicas, eliminar os incentivos fiscais às grandes empresas e confiscar o ganho dos especuladores para, com esses recursos, “implementar um programa de investimentos, no apoio à pequena e média empresa, na construção de casas populares, na reforma agrária, no apoio à produção agrícola familiar, na garantia de escolas e atendimento de saúde para gerar empregos e criar um mercado interno de massas” (MST – Um projeto popular para o Brasil).
Todas essas medidas são justas, mas extremamente limitadas, e acabam por patrocinar a ilusão de que é possível um país atrasado e subordinado à opressão imperialista, como o Brasil, construir uma alternativa à recolonização nos marcos de um capitalismo nacional, soberano, fortalecido com “um mercado interno de massas”.
Essa é uma utopia reacionária que já levou os trabalhadores a inúmeras derrotas na América Latina!
Um real programa operário e camponês deve defender, para tirar as massas da miséria: a reforma agrária com o confisco do latifúndio produtivo para dar terra aos camponeses pobres; todo apoio às ocupações, a nacionalização da terra; garantir terra aos sem-terra e posseiros bem como a propriedade dos pequenos produtores; desconhecimento de todos os títulos dos agiotas financeiros, com a expropriação das fábricas, terras e bancos sob o controle operário.
A resposta proletária à questão da terra é a expropriação geral e revolucionária dos latifundiários sem indenização, através de milícias camponesas, garantindo terra aos sem-terra e posseiros, bem como a propriedade dos pequenos proprietários rurais, assegurando-lhes assistência técnica, crédito subsidiado ou negativo e a comercialização da produção.
Esse programa somente poderá ser aplicado rompendo com a democracia capitalista e suas instituições (parlamento, justiça), levando a cabo essas medidas através de organismos de poder e organização dos trabalhadores da cidade e do campo, em uma autêntica democracia de conselhos de operários e camponeses.
Por outro lado, para defender-se das chacinas da PM e dos ataques dos jagunços e do braço armado do latifúndio é necessário construir comitês de autodefesa.
A reivindicação histórica de reforma agrária defendida para garantir terra aos sem-terra é uma reivindicação justa, porque consagra o acesso à propriedade aos trabalhadores, historicamente excluídos pela burguesia e pelo latifúndio de terem um pedaço de terra para manter suas famílias e garantir suas mais elementares condições de vida.
Apesar da classe operária se colocar pela abolição completa da propriedade privada, ela apoia integralmente a reivindicação dos camponeses pobres por terra contra a classe capitalista latifundiária, que também é sua inimiga histórica, estimulando a sua associação em cooperativas ou a incorporação em fazendas coletivas estatais.
No Brasil, além da reforma agrária radical com expropriação do latifúndio está colocada na ordem do dia a tarefa da revolução agrária no campo.
Isto porque as terras que antes eram pertencentes tanto aos latifundiários como aos camponeses pobres foi passando para as mãos da burguesia financeira, dos bancos, dos industriais, dos grandes comerciantes e da burguesia agrária, apesar da maior parte do território nacional ainda estar nas mãos do latifúndio.
Onde há o desenvolvimento capitalista da agricultura no campo, a tarefa revolucionária dos camponeses pobres e do proletariado rural é expropriar as grandes empresas agroindustriais, sem indenização, convertendo-as em propriedade coletiva sob a direção dos trabalhadores e não repartindo as terras em pequenas propriedades, o que acabaria com sua alta produtividade.

Já nas grandes cidades, a ausência de moradia popular e a alta dos aluguéis são questões explosivas e que afligem a ampla maioria do povo.
O programa “Minha Casa-Minha Vida”, que subsidia o financiamento de imóveis fomentando a construção por empresários do ramo da construção civil, acabou por provocar o aumento do preço dos imóveis e alugueis na medida em que houve uma drástica especulação imobiliária em torno dos valores dos terrenos.
Frente a isso, temos vistos inúmeros despejos de favelas em áreas que os capitalistas consideram valorizadas assim como em ocupações históricas, como o Pinheirinho.
Não por acaso, milhares de sem-teto tomaram as ruas durante as mobilizações, bloquearam estradas e exigiram condições dignas de moradia.
Frente a esta realidade dramática é necessário uma profunda Reforma Urbana com a expropriação dos prédios ociosos e dos condomínios de luxo para contemplar a moradia popular gratuita, exigido o fim da especulação imobiliária e um programa de construção e financiamento de casas populares com juros negativos subsidiados pelo governo.
Outras demandas populares, como o direito a Saúde, Educação e Transporte ganharam muito relevo entre as manifestações.
Para conquistá-las faz-se necessário unificar estas reivindicações em torno da luta direta dos trabalhadores e da juventude explorada em um combate unitário pela estatização destes setores, o que significa lutar pela sua completa estatização, pela reversão das privatizações já realizadas e o desmantelamento das máfias capitalistas que os controlam, como um passo fundamental para garantir que estes serviços sejam públicos, gratuitos e de qualidade.

O programa transitório de luta que apresentamos como um esboço inicial a ser discutido nas assembleias de base e nos fóruns do movimento de massas não pode deixar de enfrentar uma questão que ficou evidente durante as manifestações: o combate à repressão estatal aos protestos.
Durante as manifestações as PMs estaduais e a Força Nacional de Segurança do governo Dilma atacaram violentamente as marchas, infiltraram policiais à paisana e chegaram a fazer ações coordenadas com grupos fascistas.
Por sua vez, a PM reprimiu as comunidades e favelas que se mobilizaram durante as passeatas, como vimos no complexo da Maré no Rio de Janeiro.
No campo ocorre o mesmo, assim como na repressão aos trabalhadores sem-teto que bloquearam as estradas.
Muitos setores do movimento de massas discutem como derrotar a repressão estatal, mas esbarram no pacifismo pequeno-burguês imposto pelas direções sindicais e apoiado pela mídia sob o eixo de “Não Violência”.
A tarefa de derrotar a PM assassina e a Força Nacional de Segurança está mãos da classe trabalhadora e do povo pobre.
Este não pode continuar indefeso contra a violência organizada do Estado capitalista e seus bandos mafiosos.
Precisa dar um basta a estas chacinas, organizar comitês de autodefesa pela expulsão do aparato repressivo das favelas, contra a repressão as ocupações de terra e aos protestos populares.
Devemos ter claro que a PM é um destacamento especial de homens cujos instrumentos de trabalho são as armas para defender a burguesia e a propriedade privada.
Nesse sentido o movimento operário deve ser contra o apoio às reacionárias greves policiais, defendemos um programa de reivindicações transitórias destinadas aos soldados e cabos, a fim de que rompam com a hierarquia militar subordinando-se a uma clara estratégia de destruição revolucionária do aparato repressivo do Estado burguês (difusão de imprensa política nos quartéis, direito a sindicalização, formação de sindicatos vermelhos, etc.).
Devemos nos postar pela destruição das polícias como parte de um programa revolucionário que, através da unidade com os trabalhadores da cidade e do campo, exproprie a burguesia para que sobre os escombros desse Estado burguês corrupto e assassino se construa um poder de novo tipo, capaz de erguer um modo de produção social que garanta condições dignas de vida para o conjunto dos que trabalham e não que sirva para acumular capital a fim de engordar os bolsos de um punhado de parasitas mafiosos.

O combate de classe por um genuíno Governo Operário e Camponês (Ditadura do Proletariado) como parte da defesa da Revolução Socialista deve ser o objetivo estratégico de nossa luta.
Este eixo central mantém toda sua vigência programática, apesar da pressão ideológica para que os trabalhadores se levantem apenas por reformas no interior do capitalismo.
A defesa da revolução e da ditadura do proletariado na verdade sintetiza em poucas palavras a única saída progressista estratégica para as mobilizações em curso no país.
Para ser consequente na luta contra os ataques do governo Dilma aos trabalhadores e a juventude faz-se necessário lançar mão de uma plataforma classista que oriente a luta direta das massas rumo ao socialismo, com a expropriação da burguesia, o fim do latifúndio e estabelecimento de um autêntico poder operário e popular.
Neste combate é necessário que a classe operária ocupe a cena nacional e levante suas demandas imediatas e históricas, forjando no calor do combate a construção de um autêntico Partido Revolucionário Leninista.
Na medida em que o proletariado saia à luta acaudilhando as demandas populares, os setores de direita nas manifestações serão derrotados nas ruas e seu eixo de falsa moralização do regime político burguês relegado a marginalidade!
Somente a defesa clara da revolução e da ditadura proletária será capaz de dar um claro corte de classe as manifestações, preparando pacientemente para o próximo período uma saída operária e socialista para o esgotamento do regime político burguês.

LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
http://www.lbiqi.org/

Centrais pelegas “chapa branca”, com apoio da CONLUTAS, marcam dia nacional de “luta” como arremedo de Greve Geral

centrais sindicais

Por Liga Bolchevique Internacionalista

O conluio das cúpulas da burocracia sindical (esquerda e direita) reuniu-se hoje (25/06) em São Paulo para decidir como “esfriar” as mobilizações em curso e na sequência manter afastada a real possibilidade da realização de uma verdadeira greve geral no país.

CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CGTB, NCST (a nata do sindicalismo “amarelo”) somados a CONLUTAS deliberaram organizar: “atos conjuntos – do movimento sindical e social – no próximo dia 11 de julho em todo o País” (Site da CUT).

Logo após o anúncio das centrais, chamava atenção a data e o caráter da “mobilização” convocada para mais de quinze dias depois da reunião, enquanto o país atravessa um “pico” de protestos que explodem a cada dia sem a necessidade de “grandes” preparativos.

Enquanto havia uma expectativa da convocação de uma greve geral de verdade, para colocar a classe trabalhadora no centro da conjuntura nacional, a pelegada resolveu diluir a ação do proletariado a um “dia de manifestações” com o claro objetivo de consumar um lobby sobre o governo neoliberal do PT.

Por sinal, a grande preocupação dos dirigentes sindicais presentes no encontro era exatamente a reunião agendada com a presidente Dilma para a próxima quarta-feira (26/06), onde apresentarão a limitada pauta consensuada entre a burocracia, que sequer exige uma imediata reposição salarial diante das perdas e se omite da reivindicação da elevação do atual salário mínimo que leva a miséria para a maioria dos trabalhadores menos “qualificados” do mercado.

A mídia “murdochiana” não tardou para anunciar a suposta “greve geral”, com o objetivo de desmoralizá-la no momento certo, além do esforço dos reformistas em desviar a radicalidade do momento em pequenas “paralisações” localizadas que não terão a capacidade de galvanizar o conjunto do proletariado.

Em um período onde o movimento de massas já demonstrou que é possível sim arrancar vitórias parciais, como a redução nas tarifas do transporte, chega a parecer uma grotesca fraude política a pauta de reivindicações apresentada pelas burocracias sindicais que sequer contempla a exigência de um aumento geral de salários, incluindo um reajuste emergencial digno para o “mínimo”.

Em pleno quadro de “arrocho salarial” promovido pela equipe econômica palaciana e ameaça do retorno da inflação para a cesta básica, o movimento operário deve levantar a bandeira de escala móvel de salários como uma reivindicação fundamental.

Mas a plataforma das jornadas de “luta” do dia 11 aponta no sentido oposto, sequer denuncia a política de privatizações de nossos recursos naturais para beneficiar as transnacionais imperialistas, e no lugar da denúncia deste governo entreguista do PT pedem apenas “mudanças nos leilões de petróleo”. Que as centrais pelegas atuem desta forma, algumas inclusive ligadas à Tucanalha, nenhuma surpresa.

O mais escandaloso é o PSTU/CONLUTAS avalizar esta “operação desmonte”, orientando as entidades de sua “base” a fecharem acordos rebaixados na mesma semana de maior combatividade das manifestações, como foi o caso do importante sindicato dos rodoviários de Fortaleza.

O movimento nacional dos protestos de rua atravessa uma encruzilhada política, com o afluxo massivo cada vez maior de setores ultrarreacionários da classe média. Como verdadeiros cães hidrófobos estes segmentos sociais se proliferam aos milhares nas redes sociais, destilando ódio de classe ao PT e tudo mais que lhes pareça de esquerda.

Impulsionados pela pauta “verde e amarela” imposta pelo PIG nas manifestações, os “mauricinhos” da pequena burguesia em aliança com turbas neofascistas tem indiscriminadamente atacado fisicamente militantes da esquerda socialista e comunista, independente da “filiação” ou não ao governo Dilma.

Ao abraçar bandeiras totalmente alheias ao movimento operário, de cunho moralista e “patrioteiro”, estas mobilizações podem se desviar à direita, servindo a interesses da oligarquia conservadora dominante e seu braço midiático, o PIG.

Este arco por sinal já obteve uma primeira vitória ao galvanizar uma parcela dos protestos em torno da “luta” contra a PEC 37 (derrotada hoje no congresso), uma tentativa de limitar os “superpoderes” da corja reacionária do ministério público, comandada pelo “funcionário” da famiglia Marinho, Roberto Gurgel. Outra sinistra figura criada pelo PIG no espetaculoso julgamento do chamado “mensalão”, o “herói” Joaquim Barbosa, tenta viabilizar sua candidatura à presidência da república (plano “B” da oligarquia), “surfando” com folga na preferência majoritária dos manifestantes da classe média.

Desgraçadamente a esquerda revisionista tem avaliado como “muito progressista” o sentimento anticomunista, travestido de apartidarismo, da grande maioria dos manifestantes da pequena burguesia.

Esta esquerda, caudatária da destruição contrarrevolucionária da URSS, afirma ser plenamente justa a rejeição dos partidos “socialistas” em função da desmoralização popular do PT após dez anos de gestões burguesas a frente do Estado capitalista.

Seria então a chamada “crise de representação” um fenômeno positivo para a evolução da consciência de classe? Pensamos exatamente o contrário!

A ausência de uma referência do socialismo para as massas no mundo inteiro é um fenômeno extremamente retrógrado e bem mais profundo do que simplesmente o desgaste sofrido pelo PT no Brasil.

A derrota das conquistas operárias sofridas nos países do Leste europeu pelas mãos da ofensiva neoliberal do imperialismo gerou consequências trágicas para a consciência de classe do proletariado mundial, e a “onda” nacionalista reacionária nas manifestações é consequência direta disto.

É bem verdade que a adaptação do PT ao regime bastardo da “democracia dos ricos” ajudou nesta “fervura” contrarrevolucionária do atraso, mas também é igualmente criminosa a atual integração do revisionismo ao PIG em sua campanha “murdochiana” contra os governos nacionalistas, Kadaffi, Chávez, Assad etc… contribuindo para entorpecer a compreensão da vanguarda de esquerda em mundo pós “guerra fria”.

Os marxistas revolucionários estabelecem uma árdua batalha política no “pântano” da mitigação do movimento, com nossos instrumentos de clarificação programática, para que as mobilizações nacionais em curso não se transformem em enorme “CANSEI”.

Por isso não cessamos de enfatizar que a classe operária e seus aliados históricos devem assumir o protagonismo da polarizada conjuntura nacional, com seus próprios métodos e programa, irrompendo no cenário político até então disputado pelo discurso ultrapassado da oposição Demo-Tucana e a demagogia inócua do governo da Frente Popular.

A tarefa da organização de uma verdadeira greve geral de massas se mantém totalmente vigente, ainda mais agora com a panaceia de “paralisações” (27/06 e 11/07) chamada pela CONLUTAS e a “federação” das burocracias sindicais.

A “marolinha” distracionista da CUT e afins deve ser contraposta com a organização de base na preparação de uma vigorosa paralisação inicial de 48 horas das categorias mais importantes do país, rumo a uma jornada nacional de “braços cruzados” por tempo indeterminado.

Por que os Marxistas se Opõem ao Terrorismo Individual

leontrotsky

Leão Trotsky

Novembro de 1911


Primeira Edição: Novembro 1911 no Der Kampf, mensário teórico da Social Democracia Austríaca.
Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


Nossos inimigos de classe têm o costume de queixar-se de nosso terrorismo. Eles gostariam de por o rótulo de terrorismo a todas as ações do proletariado dirigidas contra os interesses do inimigo de classe. Para eles, o método principal de terrorismo é a greve. A ameaça de uma greve, a organização de piquetes de greve, o boicote econômico a um patrão super explorador, o boicote moral a um traidor de nossas próprias filas: tudo isso e muito mais é qualificado de terrorismo. Se por terrorismo se entende qualquer coisa que atemorize o prejudique o inimigo, então a luta de classes não é outra coisa senão terrorismo. E o único que resta considerar é se os políticos burgueses têm o direito de proclamar sua indignação moral acerca do terrorismo proletário, quando todo seu aparato estatal, com suas leis, polícia e exército não é senão um instrumento do terror capitalista.

No entanto, devemos assinalar que quando nos jogam na cara o terrorismo, tratam, ainda que nem sempre de forma consciente, de dar-lhe a esta palavra uma sentido mais estrito, menos indireto. Por exemplo, a destruição das máquinas por parte dos trabalhadores é terrorismo neste sentido estrito do termo. A morte de um patrão, a ameaça de incendiar uma fábrica ou matar o seu dono, o atentado a mão armada contra um ministro: todos estes são atos terroristas no sentido estrito do termo. Não obstante, qualquer um que conheça a verdadeira natureza da social-democracia internacional deve saber que ela tem se colocado em oposição da maneira mais irreconciliável a esta classe de terrorismo.

Por que? O “terror” mediante a ameaça ou a ação grevista é patrimônio dos operários industriais ou agrícolas. O significado social de uma greve depende, em primeiro lugar, do tamanho da empresa ou ramo da indústria afetada; em segundo lugar, do grau de organização, disciplina e disposição para a ação dos operários que participam. Isto é certo tanto em uma greve econômica ou política. Segue sendo o método de luta que surge diretamente do lugar que na sociedade moderna ocupa o proletariado no processo de produção.

Para desenvolver-se, o sistema capitalista requer uma superestrutura parlamentar. Porém ao não poder confinar o proletariado em um gueto político, deve permitir cedo ou tarde, sua participação no parlamento. Nas eleições se expressa o caráter de massa do proletariado e seu nível de desenvolvimento político, qualidades determinadas por seu papel social, sobretudo por seu papel na produção.

Do mesmo modo que numa greve, nas eleições o método, objetivos e resultado da luta dependem do papel social e da força do proletariado como classe. Somente os operários podem fazer greve. Os artesãos arruinados pela fábrica, os camponeses cuja água envenena a fábrica, os lumpen-proletários em busca de um bom botim, podem destruir as máquinas, incendiar a fábrica ou assassinar o dono.

Somente a classe operária consciente e organizada pode enviar uma forte representação ao parlamento para cuidar dos interesses proletários. No entanto, para assassinar a um funcionário do governo não é necessário contar com as massas organizadas. A receita para fabricar explosivos é acessível a todo o mundo, e qualquer um pode conseguir uma pistola.

No primeiro caso, há uma luta social, cujos métodos e vias se desprendem da natureza da ordem social imperante; no segundo, uma reação puramente mecânica que é idêntica em todo o mundo, desde a China até a França: assassinatos, explosões, etc., porém totalmente inócua em relação ao sistema social.

Uma greve, inclusive uma modesta, tem conseqüências sociais: fortalecimento da auto-confiança dos operários, crescimento do sindicato, e, com não pouca freqüência, uma melhora na tecnologia produtiva. O assassinato do dono da fábrica provoca apenas efeitos policiais, ou uma troca de proprietário desprovida de toda significação social.

Para que um atentado terrorista, mesmo um que obtenha “êxito”, crie confusão na classe dominante, depende da situação política concreta. Seja como for, a confusão terá vida curta; o estado capitalista não se baseia em ministros de estado e não é eliminado com o desaparecimento deles. As classes a que servem sempre encontrarão pessoas para substituí-los; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento.

Todavia, a desordem que produz um atentado terrorista nas filas da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido? Para que fazer passeatas, agitação de massas, eleições, se é tão fácil alvejar um ministro desde a galeria do parlamento?

Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá cumprir sua missão.

Os profetas anarquistas da “propaganda pelos fatos” podem falar até pelos cotovelos sobre a influência estimulante que exercem os atos terroristas sobre as massas. As considerações teóricas e a experiência política demonstram o contrário. Quanto mais “efetivos” forem os atos terroristas, quanto maior for seu impacto, quanto mais se concentra a atenção das massas sobre eles, mais se reduz o interesse das massas por eles , mais se reduz o interesse das massas em organizar-se e educar-se.

Porém a fumaça da explosão se dissipa, o pânico desaparece, um sucessor ocupa o lugar do ministro assassinado, a vida volta à sua velha rotina, a roda da exploração capitalista gira como antes: só a repressão policial se torna mais selvagem e aberta. O resultado é que o lugar das esperanças renovadas e da excitação artificialmente provocada vem a ser ocupado pela desilusão e a apatia.

Os esforços da reação para por fim às greves e ao movimento operário de massas tem culminado, geralmente, sempre e em todas as partes, no fracasso. A sociedade capitalista necessita um proletariado ativo, móvel e inteligente; não pode, portanto, ter o proletariado com os pés e mão atados por muito tempo. Por outro lado, a “propaganda pelos fatos” dos anarquistas tem demonstrado cada vez mais que o estado é muito mais rico em meios de destruição física e repressão mecânica que todos os grupos terroristas juntos.

Se assim é, o que acontece com a revolução? Fica negada ou impossibilitada? De maneira nenhuma. A revolução não é uma simples soma de meios mecânicos. A revolução somente pode surgir da intensificação da luta de classes, sua vitória e garantida somente pela função social do proletariado. A greve política de massas, a insurreição armada, a conquista do poder estatal; tudo está determinado pelo grau de desenvolvimento da produção, a alienação das forças de classe, o peso social do proletariado e, por último, pela composição social do exército, posto que são as forças armadas o fator que decide o problema do poder no momento da revolução.

A social-democracia é bastante realista para não desconhecer a revolução que está surgindo das circunstâncias históricas atuais; pelo contrário, vai ao encontro da revolução com os olhos bem abertos. Porém, diferentemente dos anarquistas e em luta aberta com eles, a social-democracia rechaça todos os métodos e meios cujo objetivo seja forçar o desenvolvimento da sociedade artificialmente e substituir a insuficiente força revolucionária do proletariado com preparações químicas.

Antes de elevar-se à categoria de método para a luta política, o terrorismo faz sua aparição sob a forma de ato individual de vingança. Assim foi na Rússia, pátria do terrorismo. O açoitamento dos presos políticos levaram Vera Zasulich a expressar o sentimento de indignação geral com um atentado contra o general Trepov. Seu exemplo repercutiu entre a intelectualidade revolucionária, desprovidas do apoio das massas. O que começou como um ato de vingança perpetrado em forma inconsciente foi elevado a todo um sistema em 1879-1881. As ondas de atentados anarquistas na Europa Ocidental e América do Norte sempre se produzem depois de alguma atrocidade cometida pelo governo: fuzilamentos de grevistas ou execuções de opositores políticos. A fonte psicológica mais importante do terrorismo é sempre o sentimento de vingança que busca uma válvula de escape.

Não há necessidade de insistir que a social-democracia nada tem a ver com esses moralistas a soldo, que, em resposta a qualquer ato terrorista, falam somente do “valor absoluto” da vida humana. São os mesmos que em outras ocasiões, em nome de outros valores absolutos, por exemplo, a honra nacional ou o prestígio do monarca estão dispostos a levar milhões de pessoas ao inferno da guerra. Hoje, seu herói nacional é o ministro que dá a ordem de abrir fogo contra os operários desarmados, em nome do sagrado direito à propriedade privada; amanhã, quando a mão desesperada do operário desempregado cerre o punho ou se apodere de uma arma, falarão sandices sobre o inadmissível que é a violência em qualquer de suas formas.

Digam o que digam os eunucos e fariseus morais, o sentimento de vingança tem seus direitos. Fala muito bem a favor da moral da classe operária a não contemplação indiferente do que ocorre neste, o melhor dos mundos possíveis. Não extinguir o insatisfeito desejo proletário de vingança, mas, pelo contrário, avivá-lo uma e outra vez, aprofundá-lo, dirigi-lo contra a verdadeira causa da injustiça e a baixeza humanas: essa é a tarefa da social-democracia.

Nos opomos aos atentados terroristas porque a vingança individual não nos satisfaz. A conta que nos deve pagar o sistema capitalista é demasiado elevada para ser apresentada a um funcionário chamado ministro. Aprender a considerar os crimes contra a humanidade, todas as humilhações a que se vêem submetidos o corpo e o espírito humanos como excrescências e expressões do sistema social imperante, para empenhar todas nossas energias em uma luta coletiva contra este sistema: essa é a causa na qual o ardente desejo de vingança pode encontrar sua maior satisfação moral

Milícia anticomunista agride e expulsa militante do PCR do ato na Sé. A resposta do movimento deve ser a adoção de um programa socialista diante do esgotamento do regime burguês!

Por Liga Bolchevique Internacionalista
Nesta tarde de 18/06 em mais um ato na Praça da Sé no centro de São Paulo contra o aumento das tarifas de transporte público, um militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR) foi agredido e expulso da manifestação por estar erguendo a bandeira vermelha do seu partido. 
 
A ação de caráter anticomunista partiu de milicianos neofascistas que agora passaram a integrar, em conjunto com policiais infiltrados e provocadores de direita, os protestos nas principais cidades do país.
 
 Portando bandeiras do Brasil e cartazes contra a presença de organizações de esquerda nas mobilizações, estes milicianos anticomunistas contam com o apoio político do “PIG” que os considera como a ala “pacífica e patriótica” do movimento nacional dos manifestantes. 
 
A mídia “murdochiana” especialista em fraudar a realidade, não para de tecer elogios ao que já considera a maioria “democrática” das mobilizações, ou seja os neofascistas da classe média que destilam seu ódio de classe a tudo que lhes pareça de esquerda. 
 
Não por coincidência, o novo garoto propaganda da Globo, o ex-LIBELU Demétrio Magnoli, vociferou nesta mesma noite contra o que considera de “filhotes Chavistas” encastelados nas estruturas de “poder” do Estado brasileiro e em apoio ao antipartidarismo das manifestações que tomaram conta do país.

 

Diante das provocações da direita golpista, que tenta hegemonizar o movimento, algumas correntes revisionistas, como o PCO, vem defendendo o estabelecimento de uma frente única da esquerda. 
 
A “proposta” revela antes de mais nada uma grotesca caricatura do que foi a defesa feita por Trotsky da frente única operária contra o fascismo. 
 
Defender uma frente política significa em primeiro lugar identificar o mesmo inimigo comum, e este não é o caso do PSOL, PSTU e nem mesmo do PCO, que estão na mesma barricada da OTAN e da reação imperialista na guerra da Líbia, Síria e Líbano. 

Estes setores tampouco identificam o “PIG” como um inimigo comum e que está por trás das ações neofascistas. 
 
O PSTU, também alvo dos anticomunistas, chega ao cúmulo de defender o direito “democrático” dos neofascistas portarem suas bandeiras nas manifestações, afinal de contas são aliados políticos desta escória em Cuba, Venezuela e na Síria. 
 
Como se pode aferir, conformar uma unidade de ação com estes revisionistas, “amigos” de blogueiras da CIA é de uma completa inutilidade política e nada tem a ver com verdadeira frente única operária defendida por Trotsky, que afirmava que o fascismo deve se enfrentado com métodos de guerra civil.

 

A alternativa que se coloca para derrotar a direita e as milícias anticomunistas que estão se formando, é a adoção de uma plataforma revolucionária e socialista para o movimento, neste sentido deve ser construída urgentemente uma direção classista, com os melhores ativistas iniciais do Movimento do Passe Livre. 
 
Dotar este movimento nacional de massas, que se diz “horizontal” de uma direção centralizada é o único caminho para a vitória e o consequente atendimento das reivindicações. 

A via mais curta para a derrota é reproduzir no Brasil as “experiências” dos “Indignados” do estado Espanhol ou do “Occupy” em New York, onde a tônica do apartidarismo foi a via de entrada da direita no movimento.

 

Apesar de nossas profundas divergências com a trajetória oportunista do PCR, desde a LBI prestamos nossa solidariedade ativa com seus militantes, que devem ser defendidos da sanha fascista, por todos os ativistas da vanguarda classista. 
 
Este mesmo método de classe deve ser adotado diante de qualquer organização ou coletivo de militantes de esquerda perseguidos pelo Estado burguês ou grupos nazifascistas, sem que esta ação signifique a formação de qualquer bloco ou frente reformista com estes setores.

 

Passe livre ja!

Um pacto nefasto: ruralistas e evangélicos rifando o meio ambiente e os direitos humanos

enchente cruel
Por Leonardo Sakamoto

(Este texto vai ter exatamente o tamanho de 8% de bateria do notebook por conta da falta de energia elétrica que se abateu, novamente, sobre o meu bairro após a chuva da noite deste sábado.)

banc evang

Com exceção dos fanáticos religiosos que enxergam sinais da primeira ou da segunda vinda do messias (dependendo se a religião em questão não permite comer X-Burguer ou abraça o consumismo para celebrar o nascimento do seu deus), apenas os mais míopes não percebem que o planeta está dando o troco.

Eu sei que já falei disso aqui antes, mas em tempos de fundamentalismo cristão no Congresso Nacional e de chuvas torrenciais na cidade de São Paulo, o assunto segue novo.

Não estou falando apenas do aquecimento global e das já irreversíveis mudanças climáticas através dos quais ajustamos o termostato do planeta para a posição “Gratinar os Idiotas Lentamente”, mas também dos crimes ambientais que fomos acumulando debaixo do tapete e que, agora, tornaram-se uma montanha pronta a nos soterrar. No campo e nas cidades.

bancada ruralista

Muitos falam de tragédias como se fossem situações desconectadas da ação humana, resultados da fúria divina e só. Não foi Deus quem colocou Marco Feliciano onde está, ao contrário do que parte de seus fieis acredita. Ele não foi ungido pelo divino, mas sim por milhares de votos paulistas, conscientes ou não.

Da mesma forma, um prefeito de uma cidade atingida pelas chuvas, anos atrás, disse que só restava a ele rezar para Deus controlar as águas. Bem-feito para a população que votou nele e viu o administrador do município “terceirizando” o trabalho para o plano superior, provavelmente dando continuidade ao que foi feito pelos que vieram antes dele.

A declaração é da mesma escola daquela de um assessor de George W. Bush quando questionado se a herança deixada às próximas gerações pelos gases causadores do efeito estufa da indústria norte-americana não poderia ser nefasta. Não me lembro da frase exata, porque lá se vão anos, mas foi algo do tipo: “não será um problema, porque Cristo voltará antes disso”. Salve, aleluia, salve!

Não é à toa que uma das mais estranhas e, ao mesmo tempo, mais brilhantes alianças políticas no parlamento brasileiro seja entre a bancada evangélica e a bancada ruralista. De um lado, os fieis ajudam a garantir a manutenção de um desenvolvimento a qualquer preço, passando por cima do meio ambiente, como se não houvesse amanhã. Do outro, os fazendeiros contribuem para que os direitos humanos sejam rasgados diante de uma visão distorcida de religião, garantindo que não haja mesmo um amanhã.

Tendo em vista todo esse negacionismo maluco, um renomado cientista declarou, pouco antes de uma das cúpulas do clima, que era melhor então deixar os fatos tomarem seu curso natural, o mundo aquecer, refugiados ambientais quadruplicarem, cidades nos países ricos serem invadidas pelo mar, a fome surgir no centro do mundo, guerras ambientais ocorrerem. Só assim pessoas e países tomariam atitudes reais. Situação que, no Brasil, é vulgarmente conhecida como “a hora em que a água bate na bunda”.

O problema é que, se nada for feito até lá, quando chegarmos nesse ponto, talvez não haja mais bunda para salvar.

É irônico que, de certa forma, o desespero diante do caos ambiental (fomentado pelos ruralistas ao derrubarem o Código Florestal), daqui a algumas décadas, irá contribuir para trazer mais fieis a igrejas. Pois só restará lamentar. Ou rezar.

Enquanto isso, a maioria segue escondida no conforto do anonimato, defendendo o seu, fazendo meia dúzia de ações insignificantes para dormir sem o peso da consciência e o resto que se dane. Não querem mudanças no modelo de desenvolvimento que impactaria o “American Way of Life” que importamos, apenas reciclar latinhas de alumínio e dar três descargas a menos no vaso sanitário por dia. Da mesma forma, não se importam com quem for eleito, desde que isso não atrapalhe o seu final de semana na praia. Afinal de contas, não precisam de um Estado que lhes garanta um mínimo de dignidade, uma vez que nasceram brancos, heterossexuais, ricos, enfim, o que convencionamos chamar de “cidadãos de bem”.

enchentedesabamentos

E seguem respondendo de boca cheia que fariam de tudo para ajudar o meio ambiente e defender a liberdades das pessoas.

Um debate aberto com a morte de “Chorão”: A defesa da legalização das drogas não pode arrefecer o combate do marxismo contra o “ópio e alienação” da juventude

Por Liga Bochevique Internacionalista 

 
No meio desta semana a morte do fundador e vocalista da banda Charlie Brown Jr. ocupou grande destaque na mídia “murdochiana”, numa tentativa de fazer um contrapeso à importância política da morte do “comandante” Hugo Chávez e a comoção popular que tomou conta da Venezuela. 
 
 
A prematura morte de Alexandre Magno Abrão, conhecido como “Chorão”, aos 42 anos de idade, no dia 6 de março, muito provavelmente causada por overdose em consequência de uma profunda depressão, foi um ícone para a geração dos anos 90. “Chorão” conseguiu dar uma roupagem “pop” ao hardcore, ao rap e ao reggae, além de ajudar a desenvolver a prática do skate profissional no Brasil. Sua trajetória artística (produtor e roteirista) obteve inclusive reconhecimento internacional por diversos grupos musicais. 
 
 
O fim, de certo modo trágico, de “Chorão”, mergulhado em seu “vazio” existencial, apesar de todo sucesso e fama alcançados, pode trazer à tona um importante debate teórico-programático para a esquerda revolucionária acerca do que representa o uso de entorpecentes e suas consequências políticas dentro da perspectiva da luta de classes.
 
 
 De um lado temos um setor da pequena burguesia (apoiado inclusive por organizações que se reivindicam trotsquistas) que defende acriticamente e em geral a legalização das drogas, em particular da maconha; de outro, as posições balizadas pelo programa leninista que tem princípios bem claros, de que a distribuição e difusão das drogas cumprem um papel de dominação de classe, posto que servem para a burguesia diluir, massacrar, idiotizar e reprimir com virulência principalmente a juventude, além de servir como justificativa do imperialismo para intervir militarmente em países da América Latina num suposto “combate” ao tráfico (Plano Colômbia) em meio ao profundo retrocesso cultural e ideológico das massas em todo o mundo. 
 
 
Assim, a questão da luta pela legalização das drogas deve ser levada a cabo como parte de todo um cabedal programático de enfrentamento com a burguesia e seu aparato repressivo estatal.

 
 
De um lado, enquanto a burguesia e a elite palaciana se “deleitam” livremente com a cocaína/heroína de alta qualidade (a “puríssima”) sem serem perturbados pela polícia em suas mansões e rodas de artistas globais que necessitam dos chamados “barões do tráfico” (Cabralzinho “Caveirão”, por exemplo) que moram em luxuosas mansões e condomínios fechados e não nos morros e favelas; por outro, nas “cracolândias” de São Paulo e Rio de Janeiro, cujos consumidores pobres de “crack” (a borra da coca misturada com bicarbonato de sódio) sofrem a mais brutal repressão através dos “internamentos compulsórios”, conformando uma verdadeira operação de guerra e “higienização” contra os pobres nas principais metrópoles do país.

 
 
 Isto que parcelas cada vez maiores da população passaram a consumir drogas com mais frequência e sistematicidade, um claro sintoma do “imenso” vazio proporcionado pela profunda decomposição e barbárie social a que chegou o capitalismo.

 
 
Neste sentido, a classe dominante bestializada e “cheirada” empurra de roldão a classe média, que já perdeu qualquer referência cultural e ideológica após a queda contrarrevolucionária da URSS, para o gueto das drogas, adotando uma “vida de micróbio”, acomodada e vazia sem a menor perspectiva de um futuro melhor para a humanidade. 

 
 
Ainda parte deste sistema, as massas populares muitas vezes sem emprego e marginalizadas, são os alvos mais vulneráveis ao consumo das drogas baratas como o crack e o “oxi” (mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem), as quais transformam inapelavelmente os seres humanos em “mortos-vivos” por causarem rápida dependência e morte em poucos meses. 
 
 
Aqui, a mídia “ética” e os “barões do tráfico” fazem todo tipo de negócios nos bastidores obscuros do Estado burguês e depois buscam “laranjas” nos morros e favelas para encobrirem seus crimes, os quais são taxados de “traficantes” por esta mesma mídia.

 
 
A esquerda pequeno burguesa trata de conceber como “progressista” o uso de droga (a maconha no interior do movimento estudantil como faz a LER) em nível individualista e descolado da realidade. 

 
 
Porém, os marxistas defendem que a questão da liberação das drogas deve estar atada intimamente ao programa do partido revolucionário, ou seja, ao combate pela derrubada de todo o aparato da repressão estatal contra o proletariado e os setores oprimidos da sociedade. 
 
 
Em outras palavras, o uso em si de entorpecentes da consciência não cumpre de modo algum um papel progressista dentro de uma coletividade, haja vista que estimula apenas a “euforização individualizada”, o que só serve para aprofundar a desagregação social e a alienação (como foi o caso de “Chorão”) em especial da juventude. 
 
 
Combatemos com vigor a criminalização do uso de drogas e as medidas repressivas-coercitivas desencadeadas pelo Estado burguês. 
 
 
Muito além da questão meramente moral, somos, portanto, a favor da total legalização do uso das drogas como produto da luta não só contra a repressão estatal como também no combate ao processo de decomposição moral e espiritual que nos impõe o capitalismo. 
 
 

Somente com o norte programático do partido mundial da revolução socialista, a Quarta Internacional, o proletariado poderá conquistar o seu direito ao pão, ao lazer e ao prazer, colocando abaixo todo o edifício da ordem burguesa, responsável pela barbárie cultural e ideológica que assola a humanidade nos dias atuais.

Quem é a “tropa de choque” que tanto defendeu Yoani Sanchez?

tropa20

Por Liga Bolchevique Internacionalista
Durante sua visita ao Brasil a blogueira mercenária Yoani Sanchez foi alvo de justas e combativas manifestações que expressaram o repúdio de diversas correntes políticas, militantes comunistas e ativistas independentes que se reivindicam anti-imperialistas e defensores da revolução cubana contra a verdadeira cruzada de ataques a Cuba e suas conquistas sociais.
A “turnê” desta agente oficiosa da Casa Branca foi financiada em nosso país pelos grandes meios de alienação de massa, com direito a ser capa da arquirreacionária revista “Veja” e alvo dos aplausos do fascista Reinaldo Azevedo em seu blog, amplo espaço na mídia venal, visita ao parlamento burguês para a exibição de um documentário provocativo a Ilha operária e, claro, hospedagem em hotel cinco estrelas na condição de hóspede de luxo.
 Tamanha “gentileza” da burguesia teve seus motivos: esta mercenária a soldo da sinistra SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), além de atacar Cuba, fazia ativa propaganda contra o comunismo e o “totalitarismo de esquerda”.
Em sua defesa, estabeleceu-se uma verdadeira “tropa de choque” que agrupou os políticos burgueses mais reacionários de nosso país, figuras abjetas do quilate de Geraldo Alckmin, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro, Aécio Neves, uma corja direitista que teve ao seu lado o servil senador Eduardo Suplicy (PT) e o… PSTU!
Em todas as atividades púbicas que esta mercenária realizou no Brasil, as manifestações tiveram que enfrentar os ataques da mídia “murdochiana” e o aparelho repressor do Estado burguês, como em Feira de Santana (BA), onde esta ratazana foi literalmente escoltada pela Polícia Militar a pedido do calhorda senador Eduardo Suplicy (PT).
O PSDB chegou a solicitar formalmente que a Polícia Federal fizesse sua segurança frente ao ataque de “terroristas de esquerda”.
Na Câmara dos Deputados, Yoani foi sempre escoltada por Ronaldo Caiado (DEM), homem da assassina UDR e representante-mor do terror do latifúndio contra os camponeses pobres e sem-terra que declarou: “Essa jovem corajosa vem ao Brasil e grupos que não têm como atacá-la moralmente e eticamente tentam destruir sua imagem” no que foi acompanhado do militar fascista Jair Bolsonaro (PP), defensor público do golpe militar de 1964 e das torturas contra militantes de esquerda que colérico vociferou: “Ela é um exemplo vivo do que vive Cuba, não queremos um regime assim”.
No senado, foi abraçada por Aécio Neves (PSDB), apresentado como o principal candidato da oposição burguesa. Ao saber disso, ela pediu que não a deixasse só em sua cruzada contra Cuba, reclamando que o governo Dilma era “silencioso” e não condenava os “crimes da ditadura comunista de Fidel e Raul Castro”.
Em São Paulo, Alckmin, membro da Opus Dei e inimigo declarado dos trabalhadores, tanto que a qualquer protesto responde com a violenta repressão da PM, recebeu Yoani declarando que ela era uma “guerreira da Liberdade”, ao melhor estilo dos pastelões hollywoodianos que apresentavam o mercenário Rambo como defensor da democracia contra o “demônio vermelho” representado pela União Soviética. As palavras do facínora Alckmin são lapidares: “Ela é uma heroína moderna, heroína na defesa da liberdade de expressão, da liberdade nas redes sociais”.
A esta “tropa de choque” repugnante para qualquer militante de esquerda integrou-se vergonhosamente o PSTU!
Em plena polarização com a direita e sua mídia venal, este partido lançou um artigo escandaloso intitulado sintomaticamente de “Quem tem medo de Yoani Sánchez?” (sítio PSTU, 22/02), não por acaso repetindo quase os mesmos termos da revista Veja, que em sua capa desta semana, com letras garrafais, tem como manchete: “A blogueira que assusta a tirania – Porque a ditadura cubana e seus seguidores no Brasil tem tanto pavor de Yoani Sanchez, a ponto de tentar calar sua voz à força”.
No seu artigo inspirado na linha política do grupo Abril, da família Civita, o PSTU declara que “não integra nem apóia essas manifestações” e afirma textualmente que “Suposições sobre suas reais motivações à parte, fato é que a blogueira faz uma crítica correta a partir de um fato concreto: a ausência de liberdade de expressão e organização em seu país”.
Em resumo, para os morenistas canalhas não importa que a blogueira seja agente da CIA, patrocinada pela SIP, receba gordos salários para atacar a revolução cubana, tenha direito a capa naVeja e palestra “privê” no Estadão com o “supra-sumo” dos “jornalistas” da reação midiática, o importante é que ela ajuda na luta contra a “ditadura totalitária” em Cuba.
O PSTU não participou das manifestações contra Yoani porque simplesmente este partido estava no outro lado da barricada, no campo político e militar oposto à trincheira dos combatentes que se reivindicam anti-imperialistas, formando a “tropa de choque” em defesa da agente oficiosa da Casa Branca, junto com Caiado, Bolsonaro, Aécio e Alckmin, a fina-flor da direita no Brasil!
Não é de se estranhar tal conduta vergonhosa, recentemente o mesmo PSTU-LIT trouxe ao Brasil a “rebelde” Sara Al Suri, apresentando-a como uma “revolucionária” síria e logo depois se descobriu com amplas provas (fotos e vídeos), como a LBI já havia denunciando na época, que esta não passava de uma agente da CIA, tanto que estava sendo elogiada em um site na internet ligado às forças armadas dos EUA!
Para o PSTU, que defendeu a frente com a OTAN na Líbia em nome da “democracia” e agora reivindica a vitória dos “rebeldes” armados pela CIA e o Mossad na Síria contra a suposta “ditadura sanguinária de Assad”, nada mais normal que se postar ao lado de Yoani e declarar que ela “faz uma crítica correta a partir de um fato concreto: a ausência de liberdade de expressão e organização em seu país”.
A defesa da democracia burguesa e da suposta liberdade de expressão que, segundo estes ratos revisonistas, o capitalismo permite é um direito “sagrado” que os morenistas defendem, sendo, portanto legítimo se aliar a OTAN ou a direita em nosso país para combater os regimes ou forças políticas que não tem a democracia ocidental capitalista como modelo político ou mantenham algum grau de fricção com a Casa Branca.
A LBI, que foi a primeira corrente política a convocar a importante manifestação contra Yoani realizada em São Paulo no último dia 21, quando esta foi a um “debate” a portas fechadas na Livraria Cultura na Avenida Paulista, tem o dever militante de combater tanto a “tropa de choque” da blogueira mercenária como de desmascarar os revisionistas que enlameiam o nome do trotskismo, como o PSTU, estando a serviço desta canalha reacionária unida em prol da “democraia e da liberdade”, ao melhor estilo das marchas por “Deus e pela Liberdade” que deram apoio ao golpe de 64 e depois à ditadura militar no Brasil.
Ombro a ombro com outras correntes políticas e movimentos sociais (PCdoB, PCR, Inverta, Comitê de Solidariedade a Cuba, Levante Popular da Juventude e MST), apesar das enormes diferenças políticas que temos com estas forças, respondemos as provocações de um grupo de direita fascistizante pró-Yoani no hall de entrada do evento entoando palavras de ordens em defesa da liberdade dos cinco presos políticos cubanos encarcerados nas masmoras do império.
 O PSTU não compareceu a esta atividade internacionalista porque este partido e seus satélites revisionistas estavam ao lado das figuras mais nefastas de nosso país em seu virulento ataque ao Estado operário cubano.
Os morenistas agiram da mesma forma quando saudaram recentemente o arquirreacionário STF, junto com a Rede Globo, a Veja, o PSDB e o DEM, depois do “Supremo” condenar uma parte do núcleo histórico do PT (Dirceu, Genoíno, Delúbio e João Paulo) na farsa do julgamento do chamado “mensalão” em nome da suposta moralização do Estado burguês.
 É preciso que a vanguarda política tire as lições desta “frente única” escandalosa que abarca desde os defensores da ditadura militar, da UDR, da Opus Dei, passando pelo PSDB-DEM e chegou até o… PSTU!
Esta santa aliança que vem se consolidando em questões candentes da luta de classes (“mensalão”, Líbia , Síria e Cuba) demonstra que o PSTU passou de malas e bagagens para o campo de reação burguesa imperialista, atravessou o rubicão de classe, daí ter se integrado sem vacilar à “tropa de choque”  que defendeu Yoani Sanchez em sua visita ao Brasil!