O PARTIDO DOS TRABALHADORES É UMA PIRÂMIDE FINANCEIRA DE FATO E ATO!!!

Pirâmide PTPor Carlos Alberto Bento da Silva – Jornalista

Já que me questionaram, aqui vai… Sim, militei no PCB, no PSTU e no PPS, partido último, por puro fisiologismo fracassado. Sou de esquerda? Sim, sou de esquerda e não escondo isso em várias postagens que faço inclusive como assessor parlamentar no PSDB, onde nunca me exigiram nada, e do qual não sou filiado. A diferença é que desde cedo percebi que o PT é uma “Pirâmide Financeira” e nada mais…

Vou tentar explicar, embora eu pretenda escrever um livro sobre este assunto. Pretensão? Não! Pretensão é ficar com a bunda colada na cadeira ou no sofá falando da vida dos outros, sem qualquer base concreta, política ou mesmo ideológica (porque não?). Então, funciona assim: Os movimentos sociais servem como massa consumidora e multiplicadora de dividendos políticos que permitem a perpetuação de dirigentes em escala de rodízios, onde alguns, pegos com a mão na cumbuca, mesmo havendo um núcleo político atuante no Congresso Nacional e nos Ministérios de estado, justamente para tentarem retardar as descobertas, mas que, acontecendo, trocam-se os peões e a roda gira. Quando algum dirigente entra em desgraça, outro certamente assumirá.

O PT luta pelo socialismo? Eu me arrisco a dizer que não. Primeiramente, Socialismo pressupõe-se “sociedade sem classes” onde os meios de produção (fabricas, agronegócios, indústrias, agricultura etc., são de uso coletivo, ou seja, pertencem ao estado, aos trabalhadores que administram coletivamente. O Sistema financeiro é estatal, a terra é propriedade do estado e o governo é dos trabalhadores, não havendo o direito de herança. Resumindo: O PT utiliza-se de discursos socialistas, em cooptação dos movimentos sociais, da hegemonia no movimento sindical e rural, tendo apoio cego e assessoria eterna da chamada base progressista (de araque e mentirosa) da Igreja Católica, mais conhecida como Teologia da Libertação, que, em sintonia com o partido, busca apenas se eternizar enquanto instituição. Esses energúmenos, bandidos, mal intencionados, de batinas, sabem perfeitamente que sua aproximação com as etnias indígenas provoca-lhes doenças e mortes, além de que, o seu papel histórico é de eliminação física do meu povo. Catequizar significa eliminar a cultura indígena e prover-lhes o modo branco de viver. Significam doenças, leis alienígenas e regras obscuras, submissão e expropriação de nossas terras históricas, berço de nosso povo. Suas ONGs estão a serviço de nossa destruição, de nossa capitulação diante da ganância do homem branco. De maneira geral a atuação da chamada Teologia da Libertação tem o papel histórico de trazer no cabresto os povos empobrecidos, dentro do marco capitalista da exploração de classe e em consonância com a “Pirâmide Financeira Petista, e justamente nesse período da história, tem mostrado mais serviço para os seus pares mafiosos.

Ah, mas eu estava esquecendo a PEC 215 (Proposta de Emenda Constitucional), que pretende transferir do Poder Executivo para o Congresso Nacional a atribuição de oficializar Terras Indígenas, Unidades de Conservação e territórios quilombolas. Quando eu escrevo e digo que a Presidente Dilma Rousseff é xenófoba, eu estou dizendo a verdade. Como húngara descendente, falta-lhe geneticamente o sentimento de brasilidade em plenitude. A mudança de atribuições do executivo para o Congresso Nacional é inconstitucional, e fere mortalmente o Artigo 231 da Constituição Federal que garante os direitos indígenas na demarcação de áreas, como prerrogativas do Presidente da República.

Mas como comentei esta necessidade estratégica do Partido dos Trabalhadores em ascender o topo da Pirâmide financeira (que inclui roubar os ativos financeiros das estatais que comanda), leva-os a acordos com setores aliados, fortemente ligados as questões latifundiárias e ambientais, tanto do próprio PT, nos projetos eleitoreiros de construção de usinas hidrelétricas em terras históricas dos povos originários, quanto aos interesses da bancada ruralista e das oligarquias.

As linhas auxiliares existentes na atuação de outros partidos em épocas de eleição, não passam de inocentes úteis dentro deste objetivo final, que é o sucesso da “Pirâmide Financeira Petista”.

Nossa atual geração se dará ao luxo histórico de assistir, sem ter forças para combater, este engodo chamado de PT, que serve como divisor entre a verdadeira esquerda e as massas populares. Você nem precisa acreditar, pois tem o livre arbítrio. E, por favor, não me apresente números sociais fantasiosos…

 Para o PT, manter-se no poder para atingir seus objetivos financeiros, significa também emprego por mais de uma década para militantes em cargos comissionados, em Ministérios de governo, no fomento de ONGs militantes do partido, que de objetivos ideológicos, não tem nada a ver com a busca de uma sociedade socialista, e que de fato e ato, são apenas máquinas burocráticas, ilegais e imorais de fazer dinheiro fácil. Trata-se na verdade de uma gang muito bem articulada que funciona com estratégias semelhantes às de algumas igrejas pentecostais, que se utilizam da miséria e da desesperança de parcelas empobrecidas da população, para enriquecimento de suas lideranças. 


Eis ai o governo xenófobo, oportunista, mafioso e impostor, sob o comando do Partido dos Trabalhadores.

 Dividir, roubar e mentir, é a máxima petista pela manutenção do poder burguês do qual este “partido amarelo” representa de forma bem dissimulada e com maestria…

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Brasil: por que querem fechar o regime? .

Por Jorge Nogueira

Professor da rede pública. Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS

O Brasil pode mergulhar de vez no obscurantismo nos próximos dias caso a lei de terrorismo, ou a lei da “desordem” de Beltrame ou outra similar seja aprovada. Seria o ápice de um processo de recrudescimento do regime que já está em pleno andamento nos últimos anos.
 
É um equívoco creditar esse processo apenas à Copa do Mundo da FIFA, ainda que as exigências dessa entidade contribuam para o cenário mencionado. O contexto de crise econômica do capitalismo exige a ampliação das taxas de exploração para a manutenção da reprodução e acumulação do capital. E isso só pode se sustentar com o fechamento cada vez maior do regime democrático formal, o que tem ocorrido em vários países, aprofundando a crise de representação e de credibilidade da democracia burguesa.
 
A crise, obviamente, apresenta-se de formas distintas em diferentes países nos diferentes períodos. Em 2008, quando ela estoura, o Brasil se vê obrigado a mudar a sua política de priorizar o mercado externo e passar a vender no mercado inteiro. Como a renda do brasileiro é baixa o consumo passou a ser estimulado através do crédito. Mas, conforme já tinha demonstrado a experiência externa, tal medida, chamada erroneamente de anticrise, possui limites e eles estão sendo atingidos.
 
Ocorre que as classes dominantes não possuem um programa econômico alternativo. E para aprofundar o existente será preciso, como já foi dito, fechar cada vez mais o regime. Assim a triste e lamentável morte do cinegrafista da Bandeirantes, Santiago Andrade, caiu como uma luva para os planos do andar de cima. Por isso ela tem sido explorada largamente pela grande mídia, que já teve outros profissionais vitimizados fatalmente sem o mesmo destaque. Se ela não tivesse ocorrido outra desculpa seria arranjada.
 
 
O crescente recrudescimento do regime
 
Foi mencionado que o processo de endurecimento do regime no Brasil transcende a questão da Copa do Mundo da FIFA. Alguns fatos deixam isso muito claro:
 
– Em 2011, operários da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, fizeram uma grande greve denunciando as condições degradantes de trabalho. O Governo Dilma enviou a Força Nacional para reprimir os trabalhadores e avalizou a demissão de 6 mil operários, alegando que o problema era o excesso de trabalhadores no canteiro de obras. No ano seguinte os operários voltaram a reclamar das condições de trabalho, em uma nova greve, receberam o rótulo de “vândalos” e “bandidos” do Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a Força Nacional foi enviada, mais de 20 trabalhadores foram presos, dos quais 12 simplesmente desapareceram! [1]
 
– Na Usina de Belo Monte, no Pará, a repressão transcende o movimento operário. Se a Força Nacional é acionada quando estes se levantam contra as degradantes condições de trabalho (como no ano passado onde a própria FN recolheu os crachás de 450 trabalhadores que acabaram demitidos), esta também é utlizada para reprimir as comunidades indígenas, como ocorrido no ano passado. No referido episódio chegou-se a multar um jornalista por ter gravado a ação policial e a Polícia Federal foi acionada para apurar quem eram os não índios que participaram do movimento. Some-se a isso a descoberta de um espião do governo no Movimento Xingú Vivo, o tráfico de pessoas e a exploração sexual praticados ao lado do canteiro de obras e as amesças de expropriação dos pequenos agricultores. O carro da Polícia Civil do Pará com o logotipo da Norte Energia evidencia quais interesses são protegidos pelos governos na referida obra. [2]
 
– Mostrando que o modos operandi é o mesmo em todas as grandes obras do PAC, no ano passado 16 trabalhadores da Hidrelétrica Ferreira Gomes, no Amapá, foram presos após uma greve que denunciava as condições precárias de trabalho. [3]
 
– Também no ano passado foi descoberta a espionagem do movimento sindical do Porto de Suape, em Pernambuco, pela Abin, medida defendida e justificada por Gilberto Carvalho. [4]
 
– A truculenta desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, promovida pelo Governo Alckmin (PSDB) em 2012. Na mesma época, no Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz também promovia uma desocupação truculenta onde 29 pessoas foram presas. [5]
 
– No ano passado o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) publicou dados que mostravam que a média de índios assassinados nos governos de Lula e Dilma era superior ao do governo FHC. De acordo com a Funai em dez anos os governos petistas homologaram apenas 84 áreas indígenas contra 148 de FHC. No presente momento o Governo Dilma enviou o Exército para reprimir os Tupinambás, em Olivença, na Bahia, após enganá-los com a homologação das terras. A intervenção militar está amparada pela Portaria Normativa 3.461, da qual falaremos mais adiante. [6]
 
– No leilão de Libra foram mobilizados o Exército, a Marinha, a Força Nacional, a Polícia Federal, a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Guarda Municipal. Houve dura repressão aos manifestantes. [7]
 
Há outros casos mas achamos suficientes os já citados. Vejamos agora as medidas buscadas e/ou aprovadas nos últimos anos:
 
– Em julho de 2012, a Presidente Dilma aprovou o “PROTEGER”, sistema que visaria proteger os setores estratégicos do país – mais de 13.300 locais entre hidrelétricas, termelétricas, refinarias, estradas, telecomunicações, portos, aeroportos, etc. O referido sistema prevê a militarização das lutas sociais, ou seja, o uso do Exército contra os movimentos sociais e sindicais. Tal medida foi celebrada por jornalistas da grande mídia. [8]
 
– Em setembro do ano passado a Ambev e o Itaú, ambos patrocinadores da Copa, se reuniram com a Presidente Dilma, pedindo medidas contra os protestos. A partir daí o projeto de lei de terrorismo passou a andar dentro do Congresso e em janeiro o Senador Romero Jucá (PMDB) mencionou a necessidade de votar o quanto antes a matéria. [9]
 
– Há pouco tempo o Ministério da Defesa publicou a Portaria Normativa 3.461 de 19 de dezembro de 2013. O documento de 70 páginas usa o conceito de “Guerra de Massa” para justificar o uso das Forças Armadas contra os manifestantes, classificados como “Forças Oponentes”, prevê a infiltração de agentes do governo e uma estratégia para ganhar o apoio da opinião pública para a repressão:
“Por se tratar de um tipo de operação que visa a garantir ou restaurar a lei e a ordem, será de capital importância que a população deposite confiança na tropa que realizará a operação. Esta confiança é conquistada, entre outros itens, pelo estabelecimento de orientações voltadas para o respeito à população e a sua correta compreensão e execução darão segurança aos executantes, constituindo-se em um fatorpositivo para sua atuação.” [10]
 
Esse item corrobora o que fora assinalado antes: se não houvesse ocorrido a morte de Santiago outro motivo seria buscado ou produzido, isso se a própria morte do cinegrafista não foi produzida para o fechamento do regime, afinal a atuação do advogado dos suspeitos, Jonas Tadeu, é bastante estranha. [11]
 
E há forma mais eficaz de ganhar a população para reprimir manifestantes cuja pauta lhe é simpática senão tornando os mesmos diabólicos, horrendos e terroristas aos olhos do grande público?
 
 
O papel da grande mídia
 
Como se pode perceber conforme as medidas “anticrise” vão entrando em esgotamento crescem as contradições sociais, o andar de baixo se dispõe a lutar cada vez mais e o de cima reprime com mais frequência e intensidade.
 
A grande mídia não é apenas porta-voz dos interesses dominantes, ela própria é parte das classes dominantes. Por isso se opõe de forma decidida às greves, às lutas dos índios, dos sem-terras, dos sem-tetos e às manifestações de rua. Busca criminalizar todas essas lutas e caluniar os atores políticos das classes populares.
 
Quando as jornadas de junho começaram ela não vacilou em pedir pela repressão dos manifestantes. Foram atendidas, seus próprios trabalhadores foram espancados e gravemente feridos, sem que se exigisse e acompanhasse punição aos responsáveis – no caso a PM de São Paulo. [12]
 
A repressão indignou a população, que engrossou os protestos, fazendo com que jornalistas como José Datena e Arnaldo Jabor se retratassem publicamente. A grande mídia buscou então se relocalizar nos protestos tentando dizer qual seria a forma correta de ativismo sem, no entanto, deixar de manipular para criminalizar, quando era possível, como fez a Rede Globo na final da Copa das Confederações. [13]
 
A chama de junho não foi apagada até agora e as tentativas de manipulação midiática seguiram como no caso do molotov jogado por um P2 e a posterior tentativa de incriminar o ativista Bruno Ferreira Telles, durante a visita do Papa ao Rio, versão difundida pela grande mídia e desmentida pelas redes sociais. [14]
 
O ano de 2014 começou com uma série de greves, atos contra aumento das passagens, protestos que questionam a Copa do Mundo e comunidades se rebelando contra a falta de água, luz e a morte de seus jovens pela polícia. Cresce o nível de consciência da população em uma ponta e o medo dos poderosos na outra.
 
Em todos esses eventos a grande mídia busca deslegitimar de alguma forma o movimento dos de baixo. Na greve dos rodoviários de Porto Alegre, o jornalista Paulo Sant’Ana, do jornal Zero Hora-RBS-Globo, pediu pela prisão dos trabalhadores, desde o primeiro dia. O jornal Zero Hora buscou a todo o momento jogar a população contra os grevistas, o que não surtiu efeito dada a proximidade dos rodoviários com as comunidades e ao avanço no nível de consciência da população. [15]
 
A morte do cinegrafista Santiago Andrade surgiu como uma “oportunidade”, como disse O Globo, não só de tentar conter e fazer regredir esse nível de consciência mas de promover uma verdadeira caçada política e ideológica – inclusive nas universidades – com o intuito de remover os protestos. O Editorial de O Globo de 12 de fevereiro de 2014 não deixa nada a desejar ao seu Editorial de 2 de abril de 1964 que celebrou o golpe militar [16]. Assim fica completamente desmoralizada a tese do governismo de que as manifestações em curso beneficiariam a direita.
 
 
O reacionarismo governista
 
Em um momento em que a grande mídia clama abertamente pelo golpismo chama atenção o fato do governismo, que tanto gosta de chamá-la de PIG (Partido da Imprensa Golpista), guardar um silêncio no mínimo cúmplice.
 
Com algumas poucas exceções, a maior parte da blogosfera governista tem se mantido no mais absoluto imobilismo diante das absurdas calúnias difundidas pela grande mídia contra o PSOL, o PSTU e o conjunto dos manifestantes em versões frágeis criadas por um advogado suspeito.
 
Essa postura não é inocente. Assim como as classes dominantes e a grande mídia o governismo também se sente incomodado com os protestos, até porque muitos deles se dirigem aos seus próprios governos. Não foi por acaso que os senadores petistas Jorge Viana e Paulo Paim tenham se apressado a pedir pela aprovação da lei de terrorismo [17].
 
Como vimos anteriormente o recrudescimento do regime é protagonizado pelo próprio PT com repressões de movimentos sindicais e sociais e aprovação de medidas autoritárias.
 
Mas o PT não é apenas o principal fiador do atual sistema sócio-político ele é parte integrante dos que se beneficiam dele. Alguns de seus quadros se tornaram empresários, consultores e gestores de fundos de pensão. São sócios de grandes empresas nacionais e estrangeiras. Ganham com a especulação, com as privatizações e com os cortes de direitos dos trabalhadores.
 
Esses quadros integram outro setor social, com interesses não apenas distintos mas antagônicos aos do conjunto do andar de baixo. É, portanto, mais do que simples colaboração de classes. Por isso o movimento dos de baixo tem sido combatido pelo governismo tanto quanto o é pela Rede Globo e por articulistas direitistas como Reinaldo Azevedo.
 
Embora juristas apontem ser desnecessário a criação de novas leis [idem 16], a repercussão negativa da lei de terrorismo pode fazer com que as classes dominantes e a classe política elaborem e aprovem outra lei com a mesma essência. O Ministro da Justiça do Governo Dilma, José Eduardo Cardozo, andou falando em “regulamentar” as manifestações [18]. Não se pode deixar enganar pelo jogo de palavras. É muito comum se fazer uma coisa negando-a. Não se aumenta a jornada de trabalho, se cria um banco de horas. Não se acaba com as leis trabalhistas, flexibiliza-as. Não se acaba com o direito de greve, se exige 70% da força de trabalho.
 
Seja como for a tentativa de acabar com as lutas dos de baixo pode fracassar, como fracassaram manipulações anteriores, até porque com o esgotamento das medidas “anticrise” e o aprofundamento da crise capitalista, os ataques aos direitos dos de baixo serão cada vez maiores não os deixando outra alternativa que não seja se organizar e lutar. O sonho das classes dominantes de lucrar, explorar e roubar sossegadamente, às custas do andar de baixo e escudadas em uma lei de exceção [19], pode ter o efeito contrário e se transformar no seu mais terrível pesadelo.
 
 
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[1] As rebeliões nas obras do PAC (27/03/2011):
Para o capital, mais benesses; para o povo, o Exército (12/08/2012):
Ministro de Dilma chama trabalhadores de vândalos e bandidos (07/04/2012):
Jirau: operários presos, torturados, humilhados e desaparecidos. Ano X, nº 91, 1ª quinzena de julho de 2012.
Operários de Jirau presos e torturados no Presídio Urso Branco, sem atendimento médico e correndo risco de morte (16/05/2012):
Greves operárias nos canteiros das usinas do Pac no Rio Madeira, Pecém, Suape e São Domingos. Ano IX, nº 76, abril de 2011.
[2] Brasil: aumenta o entreguismo e a repressão (12/05/2013):
Belo Monte: Movimento Xingu Vivo sofre espionagem (25/02/2013):
Operário torturado em Jirau, de novo preso e sujeito a julgamento (25/01/2013):
[3] Liberdade para os operários do PAC presos no Amapá! (12/02/2013):
[4] Carvalho: Abin monitorou Suape por razões econômicas (10/04/2013):
[5] Desocupação no DF mostra que PT não se diferencia do PSDB (12/02/2012):
[6] “Somente no Governo Lula 452 índios foram assassinados. No Governo Dilma foram 108 até o momento. Juntando as duas gestões petistas tem-se uma média de 56 índios mortos por ano contra 20,8 de FHC. Um aumento de 269%!” (Um recorde macabro.09/06/2013):
O Exército Brasileiro em Território Tupinambá de Olivença – O uso sistemático do terror para oprimir ou impor a vontade (14/02/2014):
[7] Leilão de Libra: entreguismo, mentiras, repressão e contradições (29/10/2013):
[8] Para o capital, mais benesses; para o povo, o Exército (12/08/2012):
[9] Temendo protestos na Copa, patrocinadores já apelam a Dilma (26/09/2013):
Congresso aprova projeto de lei que tipifica crime de terrorismo no Brasil (27/11/2013):
Nós temos que ter prioridade com esta questão. Não podemos ficar em descoberto, sem ter uma punição dura e forte contra qualquer ação terrorista e, portanto, é importante que essa lei possa ser votada rapidamente” (Romero Jucá. Congresso pode aprovar até março lei que define crime de terrorismo. 06/01/2014):
[10] Dilma se rende à Lei e Ordem: a ditadura da burguesia mostra a sua cara (22/01/2014):
[11] O Jogo dos “7 erros” do advogado do chefe da milícia (15/02/2014):
[12] O povo pede passagem (17/06/2014):
[13] Manipulação Global (04/07/2013):
[14] “A violência que ocorre contra as manifestações é também semeada pela mídia. Quem se lembra, por exemplo, quando em julho de 2013, por ocasião da visita do papa ao Rio de Janeiro, a Rede Globo de Televisão editou imagens e acusou, de modo leviano e irresponsável, o ativista Bruno Ferreira Telles de ter atirado um “coquetel molotov” contra a polícia? Em seguida, no entanto, foram levantados fatos e convincentes indícios, por iniciativa exclusiva dos demais manifestantes, de que: a) o artefato havia sido atirado por um policial infiltrado (P2), fato jamais esclarecido pelo Estado ou pela referida rede de televisão; b) que toda a edição de imagens da Rede Globo era falsa, quando não abertamente mentirosa e, por isso mesmo, criminosa; c) que as acusações faziam parte de uma estratégia da empresa de comunicação em parceria com o governo do Estado para criminalizar e desacreditar o movimento. Mais ainda: quem se lembra da atuação do Promotor Público em entrevista à referida emissora, condenando sem provas e totalmente fora de seu campo de atuação um manifestante por “tentativa de homicídio”? Ainda aguardamos os pedidos de desculpas da emissora da família Marinho e do agente público em questão pela exploração leviana e vil desses episódios.” (Nota Pública Sobre os Acontecimentos na Central do Brasil. Publicado em 15/02/2014 no Centro de Mídia Independente):
[15] Greve dos Rodoviários de Porto Alegre: uma autêntica rebelião de base (02/02/2014):
[16] As revelações de um editorial (15/02/2014):
[17] “O senador Paulo Paim (PT-RS) também defendeu a aprovação rápida do projeto. Ele tinha apresentado um requerimento solicitando que a matéria fosse analisada na Comissão de Direitos Humanos do Senado, o que atrasaria a análise em plenário, mas decidiu retirar o pedido. “Em vez de nós debatermos lá na Comissão de Direitos Humanos, eu renuncio ao meu requerimento e nós votamos a matéria aqui, em um amplo debate, de forma tal que aqueles que cometem crimes – e esse é o fato real de um crime – possam ser punidos com o rigor da lei, exemplarmente”, disse o senador.” (Senadores querem aprovação de lei antiterrorismo depois da morte de cinegrafista.11/02/2014):
[18] José Eduardo Cardozo: “Chega. É hora de dar um basta” (15/02/2014):
[19] EMPRESAS REDOBRAM PRESSÃO POR SEGURANÇA. Patrocinadoras estreitam contatos com secretarias de segurança pública e pressionam governo federal (10/02/2014):

Governo suspende demarcação de terras indígenas no sul

Povos originários do Brasil

Então…
Numa linguagem popular ou mesmo coloquial, eu diria: O Governo Petista “xenófobo” de Dilma “essência búlgara” Rousseff continua com a sua “safadeza” em relação a questão indígena…
Trata-se na verdade de um olhar xenófobo e ideológico contra os povos originários do Brasil, como bem coloca a professora e jornalista Elaine Tavares, neste texto abaixo transcrito.
Ficar adiando por tempo indefinido uma solução para a questão indígena, é na verdade uma punição com o objetivo único e desumano de eternizar o sofrimento porque passam milhares de seres humanos, apenas por serem índios…
Eu não tenho a paciência acadêmica da professora e jornalista (UFSC) Elaine Tavares, que por sinal a conheço pessoalmente desde o final dos anos 80-90 quando eu ainda militava no movimento dos Sem Teto da grande Florianópolis. Muitos companheiros já disseram: Esse bugre ai é radical e não usa meia palavras, ele tem de ser mais educado e blá blá blá. Bem, eu pergunto: Porqueʔ 
Em minha opinião a passividade das lideranças indígenas que, infelizmente sofrem a influência nefasta, política e cultural da Teologia da mentira, permite que as nações indígenas sejam manipulados ao bel prazer das políticas sujas que envolvem interesses partidários eleitorais do PT e da Igreja católica, que também em conluio com o agronegócio geram ações de desmonte das culturas indígenas para a tomada total dos territórios seculares, ou seja, é o papel da igreja católica, que através de seu braço político “progressista” (Teologia da mentira), finge ajudar os indígenas, quando na verdade exerce o papel de domesticadora para facilitar a rendição total dos povos originários…
Mais do que nunca, e menos que papo furado, os índios precisam se organizar em comunidades de autodefesa para conseguirem avançar na luta pela manutenção das poucas áreas que possuem e para a re-conquista dos seus territórios históricos que foram roubados pelos invasores cara pálida, até porque, não dá para esperar a boa vontade daqueles que simplesmente ignoram a existência das nações indígenas, enquanto brasileiros natos…
 
“Xenofobia” Esse é o sentido maior da politica governamental de exterminio das populações indígenas do Brasil.
Xamã Kaiowá
Por Elaine Tavares

Áreas indígenas já definidas e prontas para serem demarcadas  na região do Rio Grande do Sul e Santa Catarina tiveram sua legalização suspensa pelo governo de Dilma Roussef. Rapidamente a presidente rendeu-se aos argumentos dos agricultores. que realizaram um protesto ontem (06 de novembro), fechando estradas no sul e exigindo do governo a suspensão do processo. Nunca um protesto foi tão efetivo em tão pouco tempo. Segundo Dilma, novos estudos serão feitos nas áreas. Com isso, ela pretende aliviar o clima de tensão que existe hoje no sul. Aliviar para quem? Essa seria a pergunta crucial!
 
Na queda de braço entre proprietários de terra e indígenas, raramente os indígenas saem vencedores. Roubados de suas terras desde a invasão em 1500, sistematicamente os povos originários foram sendo atacados, dizimados e humilhados. Na região sul do Brasil, boa parte dos povos autóctones que viviam no litoral se deslocaram para o interior, juntando-se a outras etnias que ali já viviam, como os kaigang e os xokleng. Já no século 18, com a abertura de caminhos para a passagem das tropas que iam e vinham de São Paulo ao Rio Grande, então Província de São Pedro, os indígenas enfrentavam os brancos em batalhas fortuitas. Mas, foi só no século XIX, com o processo de migração de famílias europeias, que todos esses grupos começaram a enfrentar com mais frequência a captura, assassinato e consequente tomada das terras.  No caso da região que hoje configura o oeste de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, essa nunca foi uma terra sem gente, daí a necessidade de uma política de extermínio por parte do governo. Tudo isso foi levado a cabo. Os chamados “bugres” eram caçados como bichos e os que não aceitavam a “civilização” eram mortos.
 
Os poucos que sobraram foram sendo confinados em aldeias, onde permanecem até hoje, tutelados e tratados como seres de segunda categoria. Considerados naquele então um obstáculo para o “crescimento econômico” do estado e do país, eles passaram de legítimos donos das planuras a quase mendigos. Com o passar do tempo, esses indígenas que resistiram ao massacre foram sendo esquecidos. Cada imigrante que chegou para “desbravar” o interior foi cercando a área onde fincou raízes e as terras começaram a ser tituladas. O que era campo de liberdade para os originários passou para a “propriedade” de alguns.
 
Esse deve ser o caso das mais de 30 mil famílias – segundo Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Sul) – que vivem em terras já definidas como indígenas no Rio Grande do Sul e das outras 300 famílias que ocupam área indígena em Santa Catarina. Possivelmente todas essas famílias que hoje vivem na área que foi delimitada como “terra indígena” compraram suas propriedade de boa fé, têm escritura e tudo mais. Só que os indígenas também reivindicam esse território desde a invasão. Logo, se for aplicada a Justiça, não pode haver dúvidas de que quem ocupava o território primeiro eram os povos originários.
 
O debate que as entidades que representam os agricultores fazem é que a maioria dessa gente é pequeno produtor e não sabe fazer outra coisa na vida que não seja plantar. Sem as terras, eles morrem. O argumento é forte, mas se for aplicado aos indígenas, também deveria ter a mesma força. As famílias originárias que hoje reivindicam a área passaram gerações e gerações sofrendo o assassinato, a fome, a miséria, o medo, o terror. Da mesma forma que as famílias – hoje novas proprietárias – também nada mais gostariam de fazer na vida do que viver em paz na sua terra, onde possam plantar e cuidar dos filhos. Qual a diferença, então, entre os dramas?
 
As áreas no Rio Grande e Santa Catarina já foram vistoriadas e passaram por um longo processo de estudos e burocracias. Está mais do que provado de que são terra originária, portanto é de direito que sejam devolvidas aos indígenas. Mas, agora, o governo diz que vai fazer novos estudos. Paz para os agricultores, mais dor para os índios.
 
O fato é que com a demarcação as famílias que compraram as terras, muitas delas com registro desde o ano de 1919, não ficariam desamparadas. Todo o processo de demarcação garante indenização àqueles que, de boa fé, compraram terras indígenas. É certo que a situação causa sofrimento a quem construiu toda uma vida num lugar. Esse é o drama da maioria das famílias de agricultores que, com a decisão, precisariam mudar de lugar e até de cidade. São dramas humanos que não podem ser diminuídos. Mas, humano por humano, os indígenas também vivem mergulhados no drama. E, diferentemente das famílias que puderam viver em paz, plantando e comerciando seus produtos por anos e anos, os indígenas tiveram de passar todo esse tempo em aldeias mal arranjadas, muitas vezes passando fome e sem poder garantir de maneira autônoma sua existência.
 
Conforme reportagem produzida por Ibiapaba Netto, em 2008, na revista Planeta (http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/reportagens/indios-x-agricultores-campo-minado-em-santa-catarina), a história da compra dessas terras segue a rota do roubo perpetrado pelo próprio estado ao longo do processo de colonização. Segundo ele, as vendas das terras, na parte catarinense, foram feitas pela Companhia Territorial Sul Brasil, que era um braço privado dentro do estado. Era a empresa que fazia as vendas para os imigrantes que chegavam da Europa acreditando entrar numa terra vazia. Daí que a lógica seria garantir às famílias, hoje proprietárias, uma indenização que cobrisse todo o patrimônio e não apenas as benfeitorias. Afinal, a maioria dessa gente foi enganada pelo próprio estado. Sendo assim, a batalha que hoje está sendo travada entre os índios e os agricultores tem vítimas dos dois lados.
 
O governo, que deveria assumir a responsabilidade por todo esse imbróglio criado há séculos, acaba por fomentar ainda mais a separação dos dois grupos que se enfrentam como inimigos. E, agora, com a suspensão da demarcação, bota ainda mais lenha na fogueira. Se diminui a tensão entre os agricultores, aumenta no lado indígena. Talvez aposte na fragilidade dos originários que, comparados aos atuais donos das terras, seguem em absoluta desvantagem, seja no campo jurídico, na correlação de forças e no imaginário coletivo.
 
Desde o início do processo de luta por demarcação das terras originárias, todos os dias, as emissoras de televisão regionais e estaduais disseminam o ódio aos índios. Em quase todas as notícias relacionadas com o tema, os indígenas aparecem como os “invasores”, os “vagabundos”, os que querem “impedir o progresso”, os “selvagens” que não precisam de terras porque não trabalham. Esse estereótipo do índio está consolidado no imaginário popular e segue sendo fortalecido pelas usinas ideológicas que são os meios de comunicação. Daí ser tão difícil fazer o debate sobre o tema de forma tranquila. Criou-se na maioria da população, que é não-índia, a ideia de que os índios não precisam dessas terras, que deveriam se contentar com suas reservas e as cestas básicas dadas pelo governo. É, na verdade, a continuidade, a perpetuação da ideia primeira dos portugueses e espanhóis que aqui chegaram e passaram por cima das milhares de criaturas que eles acreditavam não ter alma por não falarem sua língua nem viverem da mesma maneira que os europeus. Toda a cultura indígena foi ignorada, bem como a própria humanidade de cada um dos primeiros moradores dessas terras. Aparentemente, apesar das atitudes caridosas eventuais, é o que boa parte da população segue pensando com relação aos índios. São nada, coisas descartáveis, gente não-produtiva, atrapalhos à nação.
 
No oeste de Santa Catarina essa é a realidade que os xinguara e os kaigang vivem desde há séculos. Hoje, muitos deles vagueiam sem rumo pela região, trabalhando de boia-fria, enquanto outros se submetem a humilhação das reservas que não oferecem muita condição de vida digna. Mas, ao que parece, poucos estão interessados nessa realidade. A mídia regional, bem como as forças políticas aliadas ao poder dominante insistem em tornar mais “triste” o destino daqueles que perderão suas terras para entregá-las ao que nominam como “meia dúzia de índios”.
 
Ora, como fazer uma competição para saber qual sofrimento é maior? Haveria ganhadores?  Aquele que sofre entende sua dor como a maior do mundo. Não é o caso de fazer concorrência. O fato é que existe uma dívida histórica do estado com relação aos povos indígenas e também com as famílias de agricultores. E o estado deveria fazer tudo para sanar essa dívida sem fazer chantagem com os mais fracos, sem fomentar o preconceito.
 
Também é importante ressaltar que, na maioria dos casos envolvendo demarcação,  os “opositores” não são os pequenos produtores de boa-fé. Mesmo no Rio Grande e em Santa Catarina, muito do que comanda a “luta” anti-demarcação é ação dos grandes fazendeiros e do setor de especulação sobre a terra. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, os indígenas precisam enfrentar a sanha de jagunços a soldo dos latifundiários, que matam, violentam e ameaçam as famílias de índios que vivem nas beiras de estradas. E como se isso não bastasse, ainda enfrentam a Justiça, que está sempre do lado dos fazendeiros, e as ameaças de uso da Força Nacional para a realização dos despejos de áreas ocupadas pelos indígenas. Porque índio quando está quieto é queridinho, mas se ousa levantar-se em luta passa a ser só mais “terrorista, baderneiro” como qualquer outro militante social. Sobre esses dramas a mídia comercial não fala. Sobre essas ações violentas, assassinatos e jagunçagem, nenhuma linha nos jornais. E é assim que vai se formando a opinião pública contra as demarcações. Porque no mundo capitalista não dúvidas de alguns são sempre mais iguais que outros. E assim, a dor! …
 
A única saída possível é a indenização justa a quem comprou terra de boa-fé e a urgente demarcação das terras indígenas para que essa gente que anda vagando pelos caminhos desde o fatídico 1500 encontre finalmente morada e possa viver sua vida em paz.

 

Carta de um ex-integrante do MPL aos integrantes do MPL

 De minha parte, parabens ao MPL, mas que nao cometam os erros do passado…

De “aparencia ” nao partidaria, na pratica era dirigido por liderancas da UJS (PCdoB) que traicoeiramente levaram as lutas do coletivo da juventude estudantil para apoiarem o Esperidiao Amin PP camaleao, antiga ARENA (partido oficial da Ditadura Militar).

 Bem, em Floripa todos sabemos que os algozes do transporte coletivo e da mobilidade urbana, que incluia o transporte maritimo, e a dinastia do careca que, contrariando a lei maior impediu a licitacao publica prevista em 1999.

Desta forma iniciou-se a revolta das catracas com o seu apice no ano de 2005. Na epoca eu fazia o curso de Gestao Imobiliaria nas Faculdades Energia (FEAN) e cheguei a participar das manifestacoes no dia de maior repressao.

Ocorre que mais a frente veio a decepcao com os encaminhamentos nas eleicoes municipais que se apresentaram…

Neste apoio de jaguaras o slogan era:

PCdoB e Amin, antiga ARENA 2008

 

PCdoB apóia Esperidião Amin do PP, antiga ARENA, no segundo turno da eleição à prefeitura de Florianópolis

Na ultima eleicao, tardiamente o PCdoB/UNE/UBES apoiou a candidatura de Gean Loureiro que defendia a tarifa zero. Seu projeto previa subsidio total dos custos da passagem. Governam a prefeitura da cidade de Florianopolis a dupla Cesar Souza Junior e Joao Amin (este ultimo filho de Esperidiao Amin candidato do PCdoB na eleicao anterior).

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Carta de um ex-integrante do MPL aos integrantes do MPL

Por Passe Livre em 13/06/2013 às 00:00

Há 10 anos, embalados pela faisca dos movimentos contra o aumento das tarifas de transporte em Salvador (Revolta do Buzu) e em Florianópolis (Revolta da Catraca) foi fundado um movimento, composto em sua grande maioria por jovens, que vem abalando algumas cidades brasileiras e ganhando espaço no cenário internacional.

Uma dessas cidades, São Paulo, é o centro nervoso do capitalismo brasileiro e parte dela representa o que há de mais conservador, segregrador e elitista na nossa sociedade.

 Em 2005, no Fórum Social Mundial, foi realizado a plenária nacional que fundaria a “carta magna” do Movimento Passe Livre (MPL).

 Naquela época não havia as redes sociais de hoje, mas já usufruiamos das publicações abertas na Internet do Centro de Mídia Independente assim como de blogs e home-pages: chegamos a formar núcleos em cerca de 30 cidades brasileiras, realizamos três encontros nacionais, produzimos jornais impressos, produzimos livros (“A Guerra da Tarifa”, 2004), tivemos “lideranças” presas e ganhamos passe livre em cidades como Florianópolis e Rio de Janeiro.

 Floripa naquela época era nossa São Paulo de hoje, e Marcelo Pomar, Matheus de Castro e Leo Vinícius a tríade que conseguia muito bem “mandar obedecendo”, a máxima zapatista que vai de encontro ao principio de horizontalidade do MPL.

 Hoje, quase 10 anos depois, não mais como um estudante, vivencio ao meus 28 anos um momento histórico que já está sendo denominado de “Revolta do “Vinagre” ou “da Salada”, em referência ao vinagre apreendido pela polícia do Alckmin – polícia que carrega no brasão uma estrela em alusão à ditadura militar.

 Posso sentir, daqui, o cheiro de gás lacrimogêneo e o barulho das balas de borrachas atiradas covardemente por essa polícia tucana carregada de ranso ditatorial. É desse cheiro de gás, de vinagre..desse incômodo pertubador que essa carta nasce.

 Ela não é dirigida a vocês para ser uma espécie de “luz” entre fumaças brancas e os fogos das barricadas; é dirigida a vocês para falar de alguns erros do MPL da nossa época para que se possa “errar melhor”.

 Há um poeta que diz: “Tente denovo, erre denovo, erre melhor”. Conversando com um amigo que foi preso e torturado na ditadura militar, ele me disse algo parecido com a frase desse poeta. Ele, que já passou 8 anos em um presídio por ser um “subversivo”, me falou que não deveríamos ter medo de errar: “Alexandre, a sua geração tem o dever de tentar denovo e até errar.

 Mas agora não podem e não devem repetir os mesmos erros”, me confessou.

  Hoje sou psicólogo, continuo no ativismo, mas sinto-me um pouco, como ex-membro do Movimento Passe Livre, numa posição parecida com essa do meu amigo ao ver integrantes do MPL, de 19 anos, dando entrevistas, furando o cerco midiátio tão difícil pra gente naquela época e realizando um grande movimento histórico. É de se orgulhar ver, em meio ao nervosísmo da voz desses companheiros, a contudência de suas decisões e a firmeza de seus posicionamentos.

 Pois bem, estou um pouco por fora da conjuntura do MPL nesse exato momento e nem quero fazer análises que surgem aos montes nesse momento…queria mesmo dizer para não repetirem alguns erros nossos que possibilitaram a dissolução do nosso núcleo daqui. A primeira coisa é: saibam diferenciar os oportunistas e os discursos conservadores que tentam se apropriar do povo na rua.

 Desconfiem de quem aparece, de uma hora pra outra, com novas bandeiras como o generalizado “combate à corrupção”, de “ódio aos políticos e a política” e coisas do gênero. Tirando os jovens que estão iniciando suas militâncias agora, desconfiem de nacionalismo exarcebado e das figuras que não tem e nunca tiveram próximos de movimentos sociais.

 Em tempos de primaveras árabes até a Revista Veja já estampou em sua capa a imagem do “V de Vingança” trazendo implicitamente um discurso conservador e golpista. É contra o conservadorismo e pela revogação do aumento da tarifa que o MPL deve lutar.

 Como comentou o colega Marcelo Pomar, agora no seu post na rede social, a pauta é clara:

 Por um Transporte Público, Gratuito e de Qualidade; Contra o Estatuto do Nascituro e Redução da maioridade Penal; Pelo direito à Memória, Verdade e Justiça contra os crimes da Ditadura Militar; pela Reforma Agrária e Urbana; pela igualdade ampla e irrestrita entre homens e mulheres; pela livre orientação sexual; e pelos Direitos Humanos contra a barbárie da repressão na cidade, no campo, e contra os indígenas.

 Nunca, nunca esqueçam isso…

Não se prendam e se desgastem em disputas internas: agora há pouco vi uma matéria pontuando que o “serviço secreto da PM” havia dito que tal partido recrutava alguns militantes. Uma matéria boba e banal com o único objetivo de partir a unidade que vocês tem conseguido. As disputas são normais e até saudáveis em um movimento, mas não devem ser o foco.

 E ninguém mais que vocês mesmos para saberem quais seus reais objetivos. Atentem-se, obviamente para seus princípios, mas não deixem que virem dogmas ou fundamentalismos. Apartidarismo não quer dizer anti-partidarismo: companheiros de partidos são importantes também na luta e na hora que o bicho pega, quando menos se espera, estão ao seu do lado.

 Outra coisa: não se apaixonem por si mesmos. A história está sendo redesenhada. Mas acreditem: o difícil é manter a luta depois que a “fumaça baixar”…é ai que reside o verdadeiro desafio da luta revolucionária e dos movimentos sociais.

 Por fim, nesse exato momento estou me dirigindo às ruas, daqui de Fortaleza-CE, para participar de uma manifestação em apoio ao ato de vocês e contra a repressão da polícia militar de São Paulo e do Rio de Janeiro. Estamos em solidariedade incondicional ao movimento e, talvez, iniciando uma mobilização de proporções não vistas há muito tempo…Mas essa mobilização deve ser abaixo e à esquerda, deve saber olhar pra trás, não repetir os mesmos erros do passado e sempre pensar: amanhã vai ser maior!

 Estamos vencendo!

 Fortaleza, 17 de junho de 2013

 Alexandre de Albuquerque Mourão (alexzapa) – (Centro de Midia Independente, Coletivo Aparecidos Políticos)

Atentados em Santa Catarina “Eu já vi este filme”!

Torturas dentro de presídios de SC gera protestos nas ruas de várias cidades do estado que se considera de 1º mundo...
Torturas dentro de presídios de SC gera protestos nas ruas de várias cidades do estado que se considera de 1º mundo…

 

Os protestos executados nas ruas de várias cidades de Santa Catarina ocorridos nos últimos dias refletem a falta de políticas publicas e desrespeito aos direitos humanos nos presídios do estado que, pasme, se acha de 1° mundo.
Não adianta após o “leite derramado” buscarem “soluções” emergenciais baseadas no aumento da repressão dentro dos presídios.
Por muitas vezes já comentamos que este descontentamento demonstrado através de incêndios de ônibus e outros meios levados para fora dos cárceres eram provocados pelas constantes ações de torturas, violências e falta de condições salubres dentro dos presídios, naquilo que teria como objetivo a re-socialização dos apenados, alicerçados nos princípios universais dos direitos humanos.
 Em várias reportagens da mídia televisa, tem-se notado a cobrança por maior repressão ao invés de soluções efetivas para acabar com as torturas institucionalizadas representadas nas péssimas condições de higiene, alimentação, saúde e de assistência jurídica durante o período do cumprimento das penas.

Além disso, é inaceitável que o “estado” patrocine o constrangimento permanente a que são submetidos os familiares dos apenados, durante as visitas periódicas que lhes é de direito.
 Submeter mulheres, crianças e idosos a revistas “tocando nas partes íntimas é no mínimo deplorável, desumano e falta de respeito com aqueles que de uma forma ou de outra ajudam com suas presenças na tranqüilidade e na paz social dentro das celas.
Não será com a “Força Nacional” e o aumento da repressão que irão sufocar os protestos e tranquilizar os presos.

É preciso que haja ações sociais e humanas dentro dos presídios, como a implantação de cursos profissionalizantes de geração de empregos internos para a redução de penas, de assistência religiosa, de educação fundamental e secundarista para que as prisões cumpram o seu papel na re-socialização dos apenados.

E, não venham os demagogos com aquele velho papo furado de que estamos defendendo o direito dos “manos” etc. Trata-se na verdade de se clamar por justiça social baseada no cumprimento da própria lei burguesa que determina os princípios acima expostos.
Não há condenação maior do que a perda da liberdade, sendo assim, cabe ao estado fazer a sua parte baseado no cumprimento da lei maior e das leis universais que regem os direitos humanos pelo qual o Brasil é signatário e a mesma serve também como bíblia juramentada por dezenas de profissões entre essas as do direito, da magistratura e das policias civis e militares…

Festival de Woodstok, Águas Claras (Iacanga), e outros… Rock na veia pra quem gosta!

 
Caro leitor,
Depois de uns dias afastados da net, eu retorno, penso, definitivamente. 
 
Infelizmente acontece (às vezes) de escrevermos apressadamente e publicar o que seria apenas um rascunho. 
 
Outro fator importante foi a minha mudança de ares, já que passei a residir em Urubici na Serra Catarinense, lugar de temperaturas baixas, de inverno rigoroso, mas aconchegante, com belas paisagens e geografia exuberante…
Pra quem gosta de rock e de liberdade, este post do Jornalista e escritor Celso Lungaretti que, na verdade, tenho admiração pelo seu passado de lutas, descreve muito bem este “sui generis” acontecimento histórico que, também na contra cultura muda o comportamento da juventude… 
 
 Afinal, como simpatizante da VPR e integrante de um núcleo marxista nos anos 70, pude acompanhar vários “eventos” arranjados e desmistificados durante o período da Ditadura Militar no Brasil. 
 
Ah, mas eu me lembro também quando falavam de um guerrilheiro arrependido, mostrado em uma carta afixada nas unidades militares. 

Tudo não passava de invenções pirotécnicas de resultados não alcançados.
 
 Em palavras simples, o subcomandante da Vanguarda Popular Revolucionária em São Paulo teve de se virar nos trinta para sobreviver com seqüelas até os dias de hoje.
 
Mas enfim, o que vale mesmo é a história de alegrias passadas e dentre essas eu posso comparar ou não com outros festivais que acompanhei e participei ao largo de Woodstock 1969.
Neste sentido eu nomino-os como Águas Claras, da Praia do Leste no Paraná, entre outros inesquecíveis… 


Vale lembrar que no passado eu fiz parte do movimento hippie desde os anos 70, tendo sido um dos dirigentes e integrante da comunidade de artesãos da Praça da República em São Paulo, da Associação dos Artesãos profissionais do Estado de São Paulo, da União dos Artesãos Livres (UNAL) em Porto Alegre no mesmo período, e do Sindicato dos Artesão de Florianópolis, já quase na minha mudança de estilo e opção de vida, na verdade, um hippie politizado… 
Assistindo atentamente o vídeo acima, encontrei registrado a minha participação neste festival. E, agradeço ao amigo que fotografou (lembro-me muito bem, pois estávamos acampados próximos), permitindo a minha “eternização” na participação deste evento histórico.
carlão iacanga
Carlão no Festival de Águas Claras2

 
Bem, em 1983 no festival de “Iacanga”, pra quem esteve lá, sabe do agito maneiro, durante e depois, desde a ida até o retorno quando os trens da Alta Paulista tiveram de liberar geral o nosso retorno, de Baurú até Sampa… Aff, bagunça geral e alegria em cada estação que o trem parava…
 
 
Mas, o que tem a ver os hippies brasileiros com este movimento? Muito, muito mesmo e, só a história dirá!

 
Revirando o Baú do Celsão eu pude reler essa bonita e saudosa história que faço questão de publicar…


BAÚ DO CELSÃO: ÉRAMOS CRIANÇAS, BRINCANDO NO PARAÍSO

Um dos acontecimentos mais emblemáticos e alentadores do século passado, o Festival de Música e Artes de Woodstock só é lembrado pela grande imprensa nas efemérides.


E mesmo quando isto acontece, de 10 em 10 anos, os enfoques da indústria cultural oscilam entre o nostálgico e o pitoresco, como inimiga que foi e é dos ideais que se corporificaram nesse magnífico evento.
Indo na contramão, como sempre, costumo destacar a vitalidade de Woodstock e os caminhos que ainda nos aponta, hoje e agora, para a construção de um mundo melhor.Para começar, uma constatação óbvia: Woodstock foi uma moeda que caiu em pé. Os deuses de todos os povos e de todos os tempos parecem ter-se mobilizado para que tudo desse certo durante três dias mágicos, maravilhosos, que seriam para sempre lembrados como uma amostra da perfeição possível neste sofrido planeta.Sem favor nenhum, posso afirmar que Woodstock foi o evento musical que mais influenciou as artes e os costumes na história da humanidade. E a conjunção de fatores que o transformou em marco e lenda dificilmente se repetirá.Mas, não precisamos acreditar piamente na esnobada de Gilberto Gil: “quem não dormiu no sleeping bag nem sequer sonhou”. Apenas, levar em conta o que houve de específico nesse festival. Outros sonhos virão, com certeza. A História não tem fim, queiram ou não os Fukuyamas agourentos.

“SOME FLOWERS IN YOUR HAIR”

Para começar, o Festival de Woodstock foi o ponto de chegada e a culminância de vários fenômenos e acontecimentos marcantes.

A escalada norte-americana no Vietnã, ao longo da década de 60, engendrara um movimento pacifista de crescente influência entre os jovens dos EUA, com direito a manifestações de protesto, queimas de cartas de recrutamento, choques com a polícia e a uma manifestação-monstro de cerco ao Pentágono

 

.Em 1965, um estudante de química chamado Owsley Stanley aprendeu como fabricar ácido lisérgico no porão de sua casa e logo inundou San Francisco com o LSD, impulsionando o surgimento da geração das flores, imortalizada pela bela canção de Scott McKenzie: “Se você vier para San Francisco,/ não se esqueça de colocar/ algumas flores no seu cabelo…”

Foi aí que o movimento hippie nasceu, aglutinando jovens que recusavam o american way of lifee caíam na estrada, em busca de aventuras e novas experiências.

Em termos mais profundos, pode-se lembrar que era a fase em que a crescente mecanização da indústria mais e mais dispensava o uso da força física, demolindo algumas vigas-mestras da sociedade norte-americana, toda ela construída em cima do ascetismo puritano (a negação do prazer a fim de poupar energias para o trabalho). Na década de 60, o prazer reconquistava suas prerrogativas.

Grandes festivais de rock já haviam ocorrido em Monterey (1967) e na Ilha de Wight. Este último vinha se realizando desde 1968, embora o mais marcante e lembrado seja o de 1970, quando se deu uma das últimas apresentações de Jimi Hendrix.

Quanto a públicos expressivos, também não eram novidade: o festival inglês já reunira 250 mil pessoas.

Mas, foi no de Woodstock que a indústria cultural investiu pesado, pela primeira vez. É que, com algum atraso, os mercadores das artes se deram conta de que tinham um diamante bruto ao alcance das mãos. Prepararam-se, então, para explorar em grande estilo o evento seguinte.

Por último, vale notar que ainda se vivia a época dos compactos, em que eram singles e não elepês que corriam o mundo, com a repercussão dependendo, principalmente, da divulgação nas rádios.

Pouco se conhecia da segunda onda do rock (a primeira, nos anos 50, fora a dos pioneiros Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Bill Haley, etc.).

Muitos garotos, como eu, amavam os Beatles e os Rolling Stones. De resto, haviam escutado. “The House of Rising Sun” (Animals), “Sunny” (Johnny Rivers), “A Wither Shade of Pale” (Procol Harum) e quase nada mais.

Existia uma produção musical de grande qualidade represada, não atingindo circuitos mais amplos. Seria a irrupção dessa nova geração de importantes artistas ainda relativamente desconhecidos que asseguraria a surpresa e o enorme impacto causados pelo filme Woodstock e pelo álbum triplo com registros desse evento.

BRINCANDO NA CHUVA


Foram três dias de “paz, música e amor”, de 15 a 17 de agosto de 1969, levando 450 mil jovens até a fazenda do leiteiro Max Yasgur, a 80 quilômetros de Woodstock, estado de Nova York.

Logo no primeiro dia o festival foi declarado livre: quem não tinha comprado antecipadamente o ingresso, não precisou mais fazê-lo. Com isto, os promotores tiveram US$ 100 mil de prejuízo inicial, mas acabaram saindo no lucro: o filme lhes proporcionaria um retorno imediato de US$ 17 milhões.

O torrencial aguaceiro do segundo dia foi tirado de letra pela moçada, que aproveitou para relembrar a infância, chapinhando na lama. De início se tentou afastar a chuva com a força do pensamento positivo, todo mundo gritando “No rain! No rain!”. Depois, o jeito foi se amoldar a ela, brincando de tobogã e cantando. No álbum Woodstock há dois registros disto: no disco I, o improvisado “canto da chuva”; e no II, a multidão entoando em coro o refrão “deixa o sol brilhar!”, da peça Hair.

As boas vibrações não impediram a ocorrência de três mortes: uma overdose, um atropelamento por trator e um ataque de apendicite. O guitarrista e líder do The Who, Peter Townshend, não se limitou, como de hábito, a destruir o instrumento de trabalho no final apocalíptico de sua performance; levou a fúria para os bastidores, quebrando o pau com o líder hippie Abbie Hoffman.


O evento foi processado para o cinema por Michael Wadleigh, que fez uma magnífica edição de imagens e introduziu uma novidade: a bi ou tripartição da tela, oferecendo ao espectador tomadas simultâneas do mesmo grupo, de artistas isoladamente, do público, etc.

Há, além disto, nítido empenho em situar o evento sociologicamente, ao contrário do documentário sobre o Festival de Monterey, que se ateve quase exclusivamente à música. Daí a merecida reputação de Woodstock como o filme que inovou a arte de registrar espetáculos musicais.

NEM TUDO FOI MOSTRADO


Muitos artistas deixaram de ter um número exibido no filme e no álbum triplo. Ficaram de fora Melanie, Mountain e Butterfield Blues Band, com o consolo de aparecerem no segundo álbumWoodstock, duplo, que foi lançado algum tempo depois. O Jefferson Airplane não está no filme, mas sua “Volunteers” consta do álbum triplo e teve mais canções aproveitadas no álbum duplo.

A relação dos que lá estiveram mas ficaram de fora tanto do filme quanto dos álbuns é extensa: Janis Joplin, Grateful Dead, The Band, Blood Sweat & Tears, Creedence Clearwater Revival, Incredible String Band e Johnny Winter. Motivo: problemas contratuais.

[Agora, na onda do MP-3, tudo isso foi finalmente disponibilizado para os saudosistas dos velhos e bons tempos, bem como para os jovens que querem saber saber como era o som que os pais, tios e avós curtiram…]

Os cachês mais altos foram os de Jimi Hendrix (US$ 18 mil), Blood Sweat & Tears (US$ 15 mil), Joan Baez e Creedence Clearwater Revival (US$ 10 mil cada). Santana exibiu sua empolgante fusão de rock e sonoridades latinas, “Soul Sacrifice”, pela bagatela de 750 dólares.

O trovador John Sebastian tirou a sorte grande: não foi convidado, mas apareceu para dar uma olhada e acabou subindo ao palco quando a chuva recém-finda impedia a apresentação de bandas eletrificadas. Ganhou direito a constar do filme e do disco, além de receber mil dólares.

O Crosby, Stills, Nash & Young, que acabava de ser constituído, cativou a platéia com seu folk-rock contestador e obteve êxito instantâneo, lançando as bases da longa carreira de seus integrantes (pouco tempo como quarteto e muito mais como artistas-solo).

No extremo oposto, o Ten Years After foi a principal vítima da síndrome de Woodstock: nunca igualou os 11 esfuziantes minutos de “Goin’ Home”, que valeram para Alvin Lee a reputação de grande guitarrista.

Outra curiosidade: foi marcante a aparição de Arlo Guthrie (“Comin’ Into Los Angeles”), cuja trajetória acabaria sendo eclipsada pela de Bob Dylan. Os estilos vocais e temáticos eram semelhantes, tendo Dylan sido mais eficiente em afirmar-se como herdeiro da arte e da lenda de Woody Guthrie, o precursor dos mochileiros. Correndo na mesma faixa, ele sobrepujou o próprio filho de Woody.

A vertente negra do rock se destacou em duas performances memoráveis. Richie Havens, um talento que depois definharia, arrepiou a platéia com seu camisolão africano e a interpretação fulgurante de “Freedom”. E Jimi Hendrix, no auge de sua genialidade, puniu simbolicamente os militaristas com a implosão do hino nacional norte-americano.

Isto para não falar do herdeiro branco e britânico de Ray Charles, o chapadíssimo Joe Cocker, com sua voz poderosa e postura bizarra, sacudindo o corpo para a frente e para trás como um boneco de mola enquanto as mãos dedilhavam sem parar uma guitarra inexistente.


O rock erudito, que marcaria toda uma época, também se fez presente em Woodstock: o The Who interpretou uma compilação de faixas da ópera-rock Tommy, projetando mundialmente essa sua (para a época) extravagância: um álbum-duplo que, faixa a faixa, vai contando a história de um menino que flagra o adultério da mãe e o assassinato do pai, recebendo então a ordem de apagar aquele episódio da mente e nunca relatá-lo a ninguém. O trauma o torna cego, surdo e mudo, mas ele acaba se libertando e atingindo a iluminação.

SÍNTESE DA CONTRACULTURA


Com Woodstock ganhou repercussão ampla o movimento de paz e amor que fermentava na boêmia San Francisco desde meados daquela década, como um desdobramento lisérgico e roqueiro do antigo movimento beatnik

Suas características externas são ressaltadas no filme:

  • o amor livre e a desinibição corporal, com o nudismo sendo amplamente praticado, de forma inocente e até singela;
  • a convivência harmoniosa, sem nenhum resquício de preconceito, entre indivíduos de todas as raças, credos e orientações sexuais;
  • o consumo explícito e justificado (por alguns entrevistados, como Jerry Garcia) das drogas que, no entender daquela geração, abriam as portas da percepção;
  • o visual premeditadamente desarrumado do pessoal, com suas roupas coloridas, ponchos e cabeleiras imponentes;
  • a substituição dos laços familiares por uma comunidade grupal (ou, como se dizia então, tribal);
  • a volta à natureza e a redescoberta do lúdico (em vários momentos, veem-se marmanjos entregues a brincadeiras pueris, sem nenhum constrangimento);
  • a profusão de crianças, pois os hippies mandavam às favas o planejamento familiar, os anticoncepcionais e os abortos, assumindo plenamente o amor e suas conseqüências;
  • o solene desprezo pelas regras e valores dominantes na sociedade, que se evidencia até nas falas dos organizadores do festival, não ligando a mínima para os prejuízos que estavam ameaçados de sofrer.

De certa forma, este comportamento era inspirado por teóricos como Reich, Marcuse e Norman O. Brown, que vincularam o autoritarismo político à repressão instintiva, alegando que a liberdade era cerceada não só pelos mecanismos sociais que mantinham a estrutura de classes (visão da esquerda convencional), como também pelos condicionamentos que embotavam a imaginação e inibiam o desfrute pleno da sexualidade.

Essas teses inspiraram uma nova voga anarquista, que pregava o combate ao stablishment também no íntimo de cada pessoa. As drogas serviriam para o resgate de faculdades esquecidas devido ao desuso; e a liberalidade sexual, incluindo as práticas antes estigmatizadas como perversões (homossexualismo, sodomia, sexo oral, masturbação), seria a premissa de uma visão erótica do mundo, em substituição ao princípio da realidade freudiano.

BRASIL: COMUNIDADES E BICHOS-GRILOS


A influência de Woodstock em nosso país pode ser detectada na música (Raul Seixas, Made in Brazil, a última fase dos Mutantes), no teatro (Oficina, Tuca), na cinematografia (o chamado cinema marginal) e, sobretudo, nos costumes, com os bichos-grilos que percorriam as estradas como caronas, indo e vindo à meca de Arembepe (BA), além de criarem comunidades urbanas e rurais onde exercitavam um estilo alternativo de vida.

Essas tentativas, entretanto, esbarraram no ambiente repressivo dos anos de chumbo, o que levou, p. ex., a ser expulso do Brasil o elenco do Living Theatre de Julian Back, que supôs encontrar aqui seu paraíso tropical; e, em termos mais amplos, na própria impossibilidade de contingentes mais amplos, num país pobre como o nosso, garantirem indefinidamente seu sustento com artesanato, aulas de ioga e que tais.

A grande vitória da Geração Woodstock foi ter conseguido arrancar os Estados Unidos do Vietnã. E seu exemplo repercute até hoje no ativismo em defesa do meio ambiente e a favor de algumas causas justas.

Além disto, ela entronizou a imagem do jovem como centro do universo do consumo, em substituição ao modelo rígido do pai de família, daí derivando a descontração no vestir, no falar e no comportamento.

E ainda lançou alguns modismos que hoje estão em menor evidência, como o ioga, a macrobiótica, o ocultismo e a agricultura natural (sem defensivos e fertilizantes).

Não perduraria, entretanto, aquela militância política idealista e generosa: as gerações seguintes se desinteressaram de mudar o mundo, voltando a priorizar a ascensão profissional e social. O rock, depois de uma fase intensamente criativa e experimental, voltou aos caminhos seguros do marketing.

As drogas, ao invés de abrirem as portas da percepção, se tornaram instrumentos para a fuga à realidade e a ilusão de onipotência, cada vez mais pesadas, até que se chegou ao pesadelo do crack. E o amor livre degenerou em sexo casual, promiscuidade e Aids.

O sonho acabou? Talvez. Mas, quem o partilhou só lamenta que haja durado tão pouco e tenha sido substituído por uma realidade tão insossa.

Eu prefiro mesmo é a postura do inesquecível Raulzito: ele nunca deixou de acreditar que a roda da fortuna giraria de novo, trazendo de volta, desta vez para ficar, o  paraíso-agora!  que iluminou nossas vidas por um fugaz instante… e, mesmo assim, marcou-nos para sempre.

Oh, baby, a gente ainda nem começou!

Comissão da Verdade dos Jornalistas

Vladimir Herzog, na BBC em Londres em 1966 (Acervo / Instituto Vladimir Herzog)
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Acervo / Instituto Vladimir Herzog
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Do Blogue de Luis Nassif

Audálio Dantas fala dos passos iniciais da recém-constituída Comissão da Verdade dos Jornalistas

Por Lilian Milena, Do Brasilianas.org

Comissão da Memória, Justiça e Verdade dos Jornalistas Brasileiros, instituída há pouco mais de uma semana, irá investigar 24 casos de profissionais assassinados por agentes do Estado durante a ditadura militar.

Como ponto de partida o grupo tem em mãos documentos entregues pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República (SDH).

A equipe, presidida pelo jornalista Audálio Dantas, 80, pretende trazer a tona não apenas mortes, mas também casos de violência física e de censura sofridos por repórteres e meios de comunicação, entre 1964 e 1988.

A gestação da comissão da verdade dos jornalistas ocorre desde o 35º congresso nacional da categoria, realizado entre 7 e 10 de novembro do ano passado, na capital do Acre, Rio Branco. No nascimento, entre 18 e 19 de janeiro, durante Seminário Internacional de Direitos Humanos e Jornalismo, em Porto Alegre, foram nomeados, além de Audálio Dantas, como presidente, Sérgio Murillo, da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj); Rose Nogueira; Carlos Alberto Caó e o ex-deputado Nilmário Miranda.

Em entrevista, feita por telefone, Audálio Dantas destaca que a organização do trabalho será iniciada em uma nova reunião prevista para ocorrer em São Paulo nas próximas semanas. Além dos documentos fornecidos pela SDH, o grupo deverá entrevistar jornalistas que, de alguma maneira, foram atingidos pela violência da ditadura militar.

“Vamos investigar como se operou a censura no país, de que maneira isso contribuiu, por exemplo, para o prejuízo das publicações, fechamento de redações e [consequentemente] na perda de emprego de muitos jornalistas”, aponta.

Em alguns casos o trabalho da comissão não partirá do início, isso porque durante e após o regime militar trabalhos de investigação, feitos geralmente por amigos e parentes das vítimas, não permitiram que casos de morte e desaparecimento forçado fossem totalmente esquecidos.

Por outro lado, o caso de Vladimir Herzog, jornalista morto em outubro de 1975, após ser preso nas dependências do Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), nunca foi esquecido graças a mobilização do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Audálio, autor do livro “As duas guerras de Vlado Harzog”, recentemente publicado, destacou que um dos empecilhos previstos nos trabalhos da comissão será reunir fatos a partir das entrevistas de quem viveu aquela época.

“A violência da ditadura militar foi tão grande que até hoje algumas pessoas não querem falar. Eu tive a constatação desse problema ao procurar pessoas que tiveram algum contato [participação ou informação] na morte de Harzog, inclusive com jornalistas que prometeram falar e depois não quiseram”.

Audálio reconhece que a sociedade civil e o Estado brasileiro demoraram para constituir comissões da verdade sobre fatos ocorridos na ditadura militar. Mas, ainda que tardiamente, a formação desses grupos será importante no fortalecimento de debates pelo fim da violência institucionalizada no país.

“Mesmo que essas pessoas [diretamente ligadas à tortura e morte de presos políticos] não sejam punidas, porque existe uma lei de anistia (clique aqui) que não permite, seus nomes serão apontados para a execração pública e para o registro da história”, completa.


Fonte: Associação Brasileira de Imprensa/ABI

Comparação

Para Audálio, os meios de comunicação do país não sofrem mais com a censura, desde a Constituição de 1988.

“Houve uma luta muito forte [desde a ditadura] para conquistarmos essa liberdade de expressão que hoje alguns meios de comunicação gritam que está sendo ameaçada, mas é uma mentira. Hoje não há nenhuma ameaça a liberdade de expressão no país, do ponto de vista político-institucional”, pondera.

Fazendo uma rápida comparação entre a cobertura jornalística durante a repressão e nos dias de hoje, Audálio entende que a censura existe, mas de forma localizada. “Em alguns estados onde as instituições [democráticas] ainda não são muito fortes vemos jornalistas sendo censurados em função de suas opiniões. Essa prática chega a ser escandalosamente praticada pelo poder judiciário”, pontua, completando em seguida que a censura se reduz aos interesses do poder econômico em boa parte dos casos.

Em 2012 foram registrados 22 mortes de jornalistas em toda a América Latina. O local mais perigoso para se exercer a profissão é no México, onde morreram sete repórteres.

No Brasil, houve quatro mortes no ano passado. Em Honduras foram três mortes e na Colômbia, duas. Os registros são do Instituto Internacional da Imprensa (IPI, na sigla em inglês).